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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

A Fertilidade dos 46 aos 55 anos e Daí em Diante

7 de setembro de 2011
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1) Qual é a chance de uma mulher ou um homem terem filhos após os 46 anos?

R: Como foi comentado no capítulo anterior, a influência da idade na fertilidade do homem é pequena. Na mulher essa influência é muito maior, sendo excepcional a gravidez após essa idade.

2) Como deve proceder um casal cuja mulher está acima dos 46 anos?

R: O primeiro passo é procurar um especialista em Reprodução Humana para se conscientizar das chances da gestação e dos riscos envolvidos numa gravidez nessa idade.

3) Qual a chance de uma gravidez espontânea ocorrer após essa idade?

R: Mínima. É muito comum pacientes contestarem essa possibilidade alegando que conhecem pessoas ou ouviram notícias de mulheres que engravidaram após essa idade. A chance é pequena, mas não impossível. É fundamental que o casal tenha consciência das restrições nessa fase da vida, assim evitarão ilusões que muitas vezes estão mais próximas de um milagre. Mas, nada é impossível.

4) Quais são os riscos de uma gestação após essa idade?

R: Em primeiro lugar deve ser considerada a possibilidade de intercorrências clínicas de uma gestação nessa fase da vida, como:
diabetes, hipertensão arterial, problemas de coluna etc. Depois, caso se consiga a gestação, com seus próprios óvulos (podem ser usados óvulos doados), sempre deverá ser avaliada a grande probabilidade de abortamento e malformação.

5) Caso uma mulher nessa fase da vida deseje ter filhos com seus próprios óvulos qual deverá ser o tratamento?

R: Após avaliação clínica e hormonal, o ideal é realizar a Fertilização In Vitro, que proporciona maior chance de resultados positivos. Nesse tipo de procedimento os embriões provenientes da Fertilização In Vitro são avaliados e a qualidade dos óvulos também. As taxas de gravidez nesses tratamentos e nessa idade são muito baixas, mas não impossíveis. O casal deve ter consciência disso.

6) Qual deverá ser a melhor alternativa para um casal cuja mulher tem essa idade?

R: Do ponto de vista de resultados a melhor alternativa é a doação de óvulos. O casal deverá conhecer bem esse processo.
É importante que sejam previamente avaliados psicologicamente para saber se estão preparados para esse procedimento.

7) Mas, se o óvulo é de outra mulher (doadora), isso significa que os genes dessa criança não são da mãe receptora (mulher que vai gerar o bebê)?

R: Exatamente. Os cromossomos desse bebê serão metade do marido da mulher receptora (que é a mulher que tem mais de 46 anos) e metade dos cromossomos da mulher doadora.

8) A receptora pode conhecer a mulher doadora?

R: Não, de forma alguma. No Brasil a ovodoação é um tratamento considerado ético, mas a doadora não poderá ser conhecida pelo casal. Muitos casais gostariam de ter os óvulos de alguém da sua própria família com a finalidade de manter a herança genética familiar, mas isto não é possível. É obrigatório o anonimato. É importante esse conhecimento pelo casal que vai receber óvulos doados para ter consciência que quem doou os óvulos jamais terá algum direito sobre seu filho.

9) Até que idade uma mulher pode ter filhos com óvulos doados?

R: Não existe uma lei que determine a idade máxima. Mas, existe um consenso que 55 anos deva ser uma idade máxima.
É evidente que algumas clínicas aceitam fazer tratamentos desse tipo em mulheres com mais idade, mas são poucas.
Algumas vezes ouve-se notícias que mulheres entre 60 e 70 anos deram à luz. Esse fato é tão raro que é noticiado pelos meios de comunicação no mundo.

10) Existe algum fundamento neste limite de idade?

R: Acredita-se que muitas mulheres após esta idade terão problemas clínicos importantes durante a gestação (diabetes, hipertensão, etc.) que podem colocar a vida da gestante em risco. Deve-se ponderar também o constrangimento da criança, quando chegar à adolescência e observar que a sua mãe assemelha-se às avós de seus colegas. Uma vez que a ovodoação é um tratamento íntimo que normalmente é do conhecimento exclusivo do médico e do casal, acredita-se que este tipo de mal-estar da criança deve ser evitado.Não se deve esquecer que alunos do colegial (adolescência) já tem o conhecimento que na biologia da reprodução é impossível a gestação após os 60 anos.
Nem sempre. Por isso, antes que se inicie o processo de Fertilização In Vitro, deverão passar por uma avaliação ginecológica, clínica e cardiológica e fazer os seguintes exames.

Exames complementares para avaliação ginecológica:

– Ultrassom
– Histeroscopia
– Papanicolau
– Mamografia
– Exames de sangue – hormonais e de doenças infecciosas (HIV, Hepatite etc)
– Espermograma etc.

Exames complementares para avaliação clínica:

– RX tórax
– Eletrocardiograma
– Exames de sangue em geral (glicemia, colesterol etc)
– Outros, se necessário
– Avaliação psicológica e emocional.

12) Como ocorre o processo de fertilização entre uma doadora e uma receptora?

R: O processo é de uma Fertilização In Vitro. A doadora deverá passar por um processo de indução da ovulação indicado para o Bebê de Proveta. Paralelamente, a receptora recebe hormônios, que preparam o endométrio para receber os embriões. Enquanto os óvulos se desenvolvem na doadora, o endométrio da receptora fica mais espesso a cada dia. Quando os óvulos da doadora forem aspirados, parte deles serão encaminhados para a receptora, sendo fertilizados com o sêmen do próprio marido. A seguir, os embriões são transferidos para cada uma das pacientes (mais detalhes no capítulo 12 – Fertilização In Vitro).

13) Quais são as regras para a ovoadoação?

R: Basicamente são 3:
– A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial. Não se vende óvulos (nem espermatozoides);
– Os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Obrigatoriamente será mantido o sigilo e o anonimato. A legislação não permite doação entre familiares;
– As clínicas especializadas mantém de forma permanente um registro dos doadores, dados clínicos de caráter geral com as características fenotípicas (semelhança física), exames laboratoriais que comprovem sua saúde física e uma amostra celular. A escolha de doadores baseia-se na semelhança física, imunológica e na máxima compatibilidade entre doador e receptor (tipo sanguíneo, etc).

14) Quem são as mulheres que podem doar óvulos?

R: As doadoras devem ter as seguintes características:
a) Menos do que 35 anos de idade;
b) Bom nível intelectual;
c) Histórico negativo de doenças genéticas transmissíveis;
d) Teste negativo para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis (hepatite, sífilis, aids, etc.) e tipagem sanguínea compatível com a receptora.

15) Qualquer mulher pode doar óvulos?

R: O importante é preencher os requisitos das perguntas 13 e 14 (deste capítulo). Qualquer mulher que preencha esses itens e seja desconhecida da receptora poderá doar óvulos. As regras para doar óvulos mudam em tempos, pois o Conselho Federal de Medicina (CFM) faz com frequência alguns ajustes. Na atualidade a Doação de Óvulos deve ser COMPARTILHADA. Nesse caso, a receptora pagaria parte dos custos da paciente, que tem indicação para bebê pela técnica de fertilização in vitro, mas não pode fazê-lo por motivos financeiros. Em troca, a receptora recebe metade dos óvulos produzidos pela doadora. Dessa forma, ajudaremos duas mulheres e daremos a elas o direito de ser mãe. A Doação por generosidade pura é muito rara e necessita de ser autorizada pelos Conselhos de Medicina. Nesta possibilidade, algumas mulheres de maneira altruística ou já beneficiadas por tratamentos anteriores de Fertilização in vitro, não desejando mais ter filhos e movidas por um sentimento de gratidão, se oferecem para doar seus óvulos sem qualquer benefício. As regras de ovodoação podem ser modificadas de acordo com as Resoluções do CFM (Conselho Federal de Medicina).

16) Existem outras razões para uma mulher receber óvulos de uma doadora?

R: Outras possibilidades podem indicar o uso de óvulos de doadora. São elas:
– Ausência congênita ou retirada cirúrgica dos ovários.
– Doenças genéticas transmissíveis da mulher.
– Falhas repetidas de tratamentos de Fertilização In Vitro que aconteceram devido à má resposta ovariana ou a embriões de má qualidade.
– Menopausa precoce.

17) O que são efeitos epigenéticos?

Os filhos das mães receptoras são fisicamente semelhantes a mãe?
R: O efeito da epigenética nas receptoras de óvulos Uma das maiores preocupações das mulheres que vão receber óvulos doados é se o filho que será gerado por elas terá sua semelhança física e comportamental, uma vez que temem que, no futuro, as pessoas possam duvidar ou desconfiar da origem dos óvulos. É claro que de inicio o IPGO deixa claro para estas mulheres que toma todos os cuidados para que todos os critérios de semelhança com a futura mãe receptora sejam considerados, como por exemplo, a própria compatibilidade do tipo de sangue para que nunca haja dúvida da criança que o óvulo foi originado de outra mulher, a não ser que esta receptora deseje no futuro contar a verdade. Isto será uma opção dela. É sempre bom lembrar que em uma família de vários irmãos não significa que todos serão sósias um do outro e que também serão idênticos ao pai ou a mãe.
Do ponto de vista genético, é interessante que todas as pessoas saibam que 99,9% dos nossos genes são idênticos. Isto significa que as diferenças que vemos ao nascimento entre uma criança e outra não dependem só de ela ter genes específicos herdados da mãe ou do pai; mas da influencia importante dos efeitos do ambiente que determinam como será expresso o código genético. Em outras palavras, o DNA (ácido desoxirribonucleico) não é o único responsável pelas características do ser humano e, independente da origem do óvulo, são fundamentais para formação e desenvolvimento do novo ser os efeitos do ambiente como o útero, a irrigação sanguínea, a nutrição e até mesmo o modo “como a futura mãe pensa” que podem afetar a expressão dos genes do embrião. Os genes podem se expressar ou permanecer adormecidos, dependendo de sinais provenientes do exterior da célula. Nosso código genético possui verdadeiras “chaves de liga/desliga”, que ativam ou inativam a ação dos genes. Quem determina quais genes serão ativados ou não, é o ambiente os quais chamamos de fatores epigenéticos. A expressão dos genes começa no útero. A mulher grávida, com seu útero representando o meio ambiente, é responsável pela forma como os genes do bebê serão expressos. Esta fase inicial da vida, as primeiras 40 semanas ou mais, começam a moldar as características da criança ao nascer.

Mas o que é epigenética (do grego EPI = além de + genética)?

Os Genes são as unidades fundamentais da hereditariedade e são formados por uma sequência específica de DNA, que contém as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos. A sequencia de DNA são como letras de um texto complexo, e as etiquetas epigenéticas como os espaços, pontuação, os parágrafos, que fazem a seqüência do texto adquirir um significado. Tais etiquetas epigenéticas são como chaves de liga/desliga que ativam ou inativam a ação dos genes. A expressão destes genes que chamamos de “imprinting genômico” ocorre já na fase de formação dos gametas masculino e feminino, e prossegue durante a fertilização e o desenvolvimento embrionário.
Evidências científicas têm demonstrado que os genes e o DNA não são responsáveis pela especificidade final dos seres humanos e sim os imprintings genéticos que fazem com que genes sejam expressos ou permaneçam adormecidos, dependendo sinais provenientes do exterior da célula.
O ambiente no caso de uma gestação é o útero da mulher. Assim, tudo o que ocorrer durante a gestação pode influenciar na ativação ou inativação de genes do futuro bebê. Dessa forma, uma criança nascida do útero de uma receptora será emocionalmente, fisicamente e psicologicamente diferente do que se a mesma criança fosse concebida no útero da doadora do óvulo. Um bebê concebido de um óvulo doado recebe as “instruções” sobre a expressão dos seus genes da mulher que o carrega. Em outras palavras a mãe que gesta influencia na epignética do seu filho.
O útero assume muito mais do que o papel de uma incubadora e o desenvolvimento do feto dependerá em tudo do corpo da mulher que o carrega: o oxigênio, os nutrientes, a excreção de fluidos, o estilo de vida, uso de hormônios, exposição a agentes , alimentação e a forma de que tudo isso é ofertado irá influenciar diretamente a ativação e expressão gênica do embrião. Assim a receptora determina sim como será seu filho até em nível genético!!! A criança que nasce será fisica e emocionalmente diferente da mulher que o doou. Em outras palavras, a mãe que gesta influencia o que a criança será e assim, em nível genético, é seu filho.
Talvez o maior mito que envolve a gravidez diz respeito ao fato de que o útero seria simplesmente uma incubadora. Nada poderia estar mais longe da verdade. O aspecto mais importante de todas as gestações – incluindo a decorrente de doação de óvulos – é que o crescimento de cada célula do corpo do feto em desenvolvimento é construído a partir do corpo da mãe grávida. O tecido de revestimento do seu útero (o endométrio) irá contribuir para a formação da placenta. O feto usará proteínas de seu corpo; o feto usará seu cálcio, seus açúcares, nitratos e fluídos. Assim, você não é passiva neste processo.
Portanto: a receptora determina como será seu filho.

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