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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

A perda da fertilidade no decorrer da idade

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O número de homens e mulheres que desejam ter filhos em uma idade mais avançada vem aumentando nos últimos anos e com isso, cada vez mais aumenta o interesse pelo efeito do envelhecimento na capacidade de ter filhos. Segundo algumas publicações nos Estados Unidos, o número de mulheres que têm seu primeiro filho ao redor dos 20 anos diminuiu um terço desde 1970, ao passo que, na casa dos 30 ou 40, quadruplicou neste período. Na maioria das vezes e repetindo o texto já explicado no primeiro capítulo, isso se deve a incorporação da mulher de forma intensa na vida profissional visando o sucesso da sua carreira e a busca da estabilidade financeira; ou pelo início tardio a uma vida afetiva que desperte o desejo de ter filhos, seja pela dificuldade de encontrar um parceiro, seja pelo ingresso em um novo casamento.

Muitas mulheres acreditam que a ciência médica pode lutar contra a natureza e desfazer os efeitos do tempo – puro engano.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os homens também perdem a sua fertilidade, não com a mesma intensidade das mulheres, mas de uma forma mais lenta. Da mesma forma que as mulheres, notou-se nas últimas décadas um aumento de 20% de pais com idade superior a 35 anos. No Brasil e na Europa, neste mesmo período, mais homens entre 50 e 65 anos têm procurado os serviços médicos em medicina reprodutiva com o desejo de serem pais. Portanto, a perda da fertilidade um fato inexorável para homens e mulheres, mas pode ser administrado com cautela. Não fumar, manter o peso saudável e evitar a DST, são algumas das maneiras de tentar prolongar a capacidade reprodutiva de ambos.

MULHERES

 
A perda da fertilidade da mulher no decorrer da idade é supostamente conhecida por todos e também já foi comentado anteriormente. Entretanto, para que o leitor não precise voltar às páginas iniciais faço um breve comentário: a menina na puberdade inicia as suas menstruações com cerca de 300 mil óvulos disponíveis nos seus ovários e a cada ciclo menstrual, para um óvulo que atinge a ovulação, mil são perdidos, fazendo que ao redor dos 50 anos dificilmente existam óvulos capazes de serem fecundados. Dessa forma mulher se torna praticamente incapaz de engravidar com os próprios óvulos. É o fim do estoque de óvulos disponíveis para serem fertilizados, o fim da “reserva ovariana”.

Como avaliar o potencial fértil da mulher?

 
Existem alguns exames que podem avaliar de maneira precisa o potencial reprodutivo da mulher. Eles não garantem a longevidade reprodutiva, mas dão uma ideia desta capacidade.

Fertilidade Relativa Mulher

 

tabela-fertilidade-relativa1

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

AVALIAÇÃO DA RESERVA OVARIANA

 

A Reserva Ovariana é avaliada, fundamentalmente, pela dosagem sanguínea de quatro hormônios no 3º dia do ciclo menstrual: FSH, estrogênio, inibina-B e hormônio anti-mulleriano além da ultrassonografia no início do ciclo menstrual.

  • FSH maior do que 10 mlU/ml e estrogênio maior que 35 pg/ml, geralmente sugerem uma má respondedora aos estímulos hormonais (“Poor Responder”).
  • FSH menor do que 10 mlU/ml e estrogênio menor do que 35 pg/ml geralmente sugerem uma boa respondedora aos estímulos hormonais (“Good responder”).
  • Inibina-B: é um hormônio fabricado pelas células dos ovários e indica a quantidade de óvulos disponíveis para serem fertilizados. Quando estiver com concentração abaixo do normal, significa que existe uma diminuição deste número e a capacidade de engravidar está também, teoricamente, menor.
  • Hormônio anti-mulleriano(AMH): É um hormônio fabricado por células do ovário(folículos) e dá uma ideia do número de óvulos existentes nos ovários capazes de serem fertilizados no presente e, para o futuro, a possível longevidade reprodutiva.
  • ULTRASSONOGRAFIA: avalia o tamanho, o volume dos ovários e a presença de folículos iniciais (ou folículos primordiais). Ovários pequenos e sem estes folículos significa uma Baixa Reserva Ovariana.

MULHERES: PRESERVEM SUA FERTILIDADE

  • Procure engravidar antes dos 35 anos.
  • Se houver histórico familiar de menopausa precoce e ainda não puder engravidar, congele seus óvulos.
  • Se estiver com idade próxima aos 35 e com uma vida conjugal estável e sem filhos, saiba que o melhor momento é agora. Não adie mais, pois a sua fertilidade não estará melhor nos próximos anos.
  • Se estiver com idade próxima aos 35 e se não houver perspectivas de um casamento em curto prazo, pense na possibilidade de congelar óvulos.

HOMENS

 
Até há pouco tempo pouco se falava ou se publicava a respeito da queda de fertilidade do homem com o passar da idade. O tema envelhecimento e incapacidade de ter filhos, abortamentos e malformações eram sempre ligados à mulher. Não havia referência aos homens. Entretanto, nos últimos tempos, vem aumentando relatos que comparam a fertilidade masculina no decorrer dos anos da vida.

Alguns estudos demonstram este declínio progressivo da fertilidade, comparando o tempo de demora para conseguir a gestação entre dois grupos de mulheres, com menos de 35 anos, casadas com homens de duas diferentes faixas etárias. Num grupo, mulheres casadas com homens entre 25 e 30 anos e num outro mulheres casadas com homens com mais de 50. As mulheres com maridos mais velhos demoraram mais para engravidar e as taxas de aborto foram maiores. Portanto estes dados comprovam que a gravidez é mais fácil em homens mais jovens.

A relação da idade do homem com a fertilidade envolve muitos fatores, entre eles, os hormônios sexuais, disfunção sexual, função testicular, alterações genéticas do sêmen e a fragmentação do DNA do espermatozoide. Destas as que são mais facilmente avaliadas, são as alterações da qualidade do sêmen e a fragmentação do DNA do espermatozoide.
 

Qualidade do sêmen

 
O espermograma é o exame básico que avalia a fertilidade do homem. O estudo das alterações deste exame com a evolução da idade tem sido inconclusivos. Algumas publicações têm demonstrado diminuição de quase todos os parâmetros – concentração, volume, motilidade e morfológico, mas, outros contrariam estas afirmações. O IPGO estudou 479 homens com idade entre 25 e 65 anos (médias 37,6 dividindo em 4 grupos de acordo com a idade). Ao redor de 25% foram homens com idade superior a 40 anos. Conclui-se com este estudo que o volume e a motilidade diminuem com o aumento da idade (tabela 1) o que não ocorre com a concentração nem a morfologia.

Comparação de parâmetros que indicam a qualidade do sêmen de acordo com a idade

 

IDADE (ANOS) Menor que 30 anos Grupo I 30-40 anos Grupo II 41-50 anos Grupo III 50-51 anos em diante Grupo IV
Nº de pacientes 38 302 123 16
Volume 3.3±1.5* 3.2±1.7 2,7±1,4* 2.5±1.6
Concentração 46±4,9 49±5,2 47±5,4 54.6±6.1
Morfologia Kruger 10±3 11±4 12±3 9±3
Motilidade 56±18 52±17 46±18 21±12

Fragmentação do DNA do espermatozoide (DNA “damage”)

 
Homens com um alto índice de fragmentação do DNA (maior que 30%) têm chances menores de gravidez tanto naturais como em tratamentos de Fertilização Assistida além de efeitos negativos na implantação e no desenvolvimento dos embriões. Embora as causas da fragmentação do DNA não sejam totalmente conhecidas, sabe-se que pode ser influenciada pelo cigarro, drogas, toxinas ambientais (dioxinas), intoxicação por doenças ocupacionais, varicocele, traumas testiculares e câncer, mas a fragmentação do DNA também aumenta com a idade. Alguns estudos demonstram que homens com idade superior a 50 apresentam um índice de fragmentação maior que os mais jovens (15% com menos de 30 anos e 34% para maiores de 50). As razões para estas alterações não estão esclarecidas, mas são constatações que demonstram a perda do potencial reprodutivo do sexo masculino com o passar da idade. O IPGO estudou 46 pacientes com idade entre 28 e 59 anos(média de 39,2 anos, dividindo em quatro grupos de acordo com a idade). Ao redor de 45,8% desses pacientes foram homens com idade superior a 40 anos. Concluiu-se com este estudo que o índice de fragmentação do DNA aumenta com o passar da idade, atingindo valores prejudiciais à fertilidade a partir dos 50 anos.

Comparação dos índices de fragmentação do DNA no decorrer da idade

 

Parâmetros idade Menor que 30 anos Grupo I Entre 31 e 40 anos Grupo II Entre 41 e 50 anos Grupo III Maior que 51 anos Grupo IV
Número de pacientes 05 10 15 06
Índice de fragmentação 14 ± 1,0 19± 1,2 25± 1,3 33,8 ± 1,5

 

HOMENS: PRESERVEM SUA FERTILIDADE

 

tabela-fertilidade-relativa-021

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Procurem ter seus filhos antes dos 45 anos.

Façam espermograma em qualquer fase da vida. Muitas alterações diagnosticadas precocemente podem impedir que o quadro se agrave com o passar dos anos. Doenças como varicocele ou anomalias cromossômicas como a microdeleção do cromossoma “Y”, podem determinar a queda progressiva do número de espermatozoides podendo chegar a zero(azoospermia). O congelamento preventivo pode ser uma opção.

Tenham hábitos de vida saudável: não fumem, mantenham o seu peso dentro dos padrões ideais para sua estatura e constituição física, evite as DSTs, evitem café e bebidas em excesso, evitem drogas recreativas, etc.
 

CONCLUSÃO

 
O “relógio biológico da reprodução” não deve ser considerado um fato exclusivo da mulher e por isso, a ideia de apontar limitação da idade como um fenômeno só do sexo feminino representa, atualmente, uma das grandes injustiças da sociedade. Até há pouco tempo, a opinião dominante era: “culpe a mãe!” Entretanto os últimos estudos têm demonstrado que quanto mais velho for o pai, menor será a chance de gravidez. É tempo de reconsiderar!

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