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A avaliação inclui uma história clinica detalhada, exame físico e exames laboratoriais específicos(tabela 1). A decisão de partir para uma doação de óvulos nem sempre é fácil, por isto uma avaliação psicológica é fundamental.
Deve haver uma conversa franca sobre assuntos relacionados a estar gerando um filho não biológico, sentimentos relacionados às falhas de tratamentos anteriores, gestação em idade avançada, vantagens e desvantagens em contar ou não ao filho ao filho que irá nascer.
Em geral as taxas de gravidez em ciclos de ovodoação são altas, em torno de 50%, porém é importante frisar a possibilidade de não dar certo para que a paciente possa saber como lidar com isto e não crie expectativas exageradas de sucesso do tratamento na 1ª tentativa.
A avaliação do útero da receptora é fundamental. Existem vários métodos que podem ser utilizados para tal como o ultra-som transvaginal, histeroscopia e às vezes histerossalpingografia ou histerossonografia. Um exame de papanicolaou recente (até 6 meses) deve ser realizado. Além disso o casal deve fazer sorologias como HIV, HTLV, sífilis e hepatite. O marido terá que ter um espermograma recente e tipagem sanguínea.
Quando as receptoras estiverem ao redor dos 40 anos ou mais, deverão ser também solicitados exames gerais como mamografia, RX de tórax, glicemia, avaliação cardiovascular, resistência insulínica, colesterol e outros exames para investigação clínica global da mulher.
Avaliação detalhada da saúde física da mulher para saber se, na idade em que se encontra, seu organismo será capaz de suportar uma gravidez sem colocá-la em risco, principalmente em casos de gestação múltipla. Todos estes detalhes devem ser muito bem analisados pela equipe médica responsável e ponderados junto ao casal. Além dos exames clínicos e cardiológicos, a receptora deverá ser submetida aos seguintes exames:
A mulher, no esplendor dos seus cinqüenta anos, quando acompanhada por profissionais especializados, mantém o privilégio de sua feminilidade, orgulha-se de sua idade, sabedoria e forma física. Entretanto, nesse momento, muitas delas nunca experimentaram a emoção da maternidade ou, se já experimentaram, podem ter desejos e motivos para mais uma experiência.
Há muitos fatores que motivam uma mulher a buscar um filho nesta idade. Algumas obrigadas pelo destino, outras pela vontade de atingir um status profissional, retardaram o casamento ou a gravidez e, ainda outras, mesmo já tendo filhos, mas com um novo relacionamento após um casamento desfeito, desejam dessa união a chance de gerar.
Uma menina, quando chega à puberdade e inicia suas menstruações (12-13 anos), tem 300 mil óvulos “disponíveis” que, submetidos ao estímulo hormonal, podem chegar à ovulação, fecundação e gravidez. O conjunto desses óvulos, capazes de responder a um estímulo hormonal, ser fertilizados e formar embriões com chance de se implantar no útero, chama-se “reserva ovariana”, que corresponde ao “estoque” de óvulos viáveis. Durante a vida reprodutiva, em cada ciclo menstrual para cada óvulo que atinge a maturidade, mil são “desperdiçados”, fazendo com que, ao redor dos 50 anos, não exista praticamente mais nenhum disponível capaz de ser fecundado. É o fim da “reserva ovariana”, o fim do “estoque”: a menopausa. A única maneira de se obter gravidez nesta fase da vida é por meio de doação de óvulos.
Uma vez que a Ciência permite e estejamos alinhados com os princípios éticos, legais e morais, uma mulher que preencha os requisitos básicos de boas condições físicas e tenha uma união sólida, que seja emocionalmente equilibrada e tenha até 55 anos, merece essa rara oportunidade de conceber.
Esta é uma pergunta que intriga a todos. Na verdade, do ponto de vista ético e legal, ainda não está estabelecida a idade máxima em que uma mulher pode receber embriões provenientes de óvulos de doadoras. Ao se avaliar incontáveis publicações, observa-se que, embora este limite máximo de idade não esteja definido, ele pode existir, mas é variável de clínica para clínica. J. G. Franco em seu livro “Reprodução Assistida” cita que a idade limite seria entre 50 e 60 anos. Em todos os países, esta é a média. John Leeton no livro Subfertility Handbook (Cambridge University Press), de autoria de Gab Kovaes, relata que não está estabelecida esta idade máxima, mas que a maioria dos autores que consultou define como “mid fifties”, isto é, ao redor dos 55 anos.
O livro “Reprodução Assistida: Até onde podemos chegar?” compreendendo a ética e a lei de autoria do Dr. Edson Borges e da Juíza de Direito Débora Ciocci Alvarez de Oliveira (Editora Gaia), não descreve as limitações para idade da receptora e cita no capítulo “Doação de óvulos” o artigo 5º, II e XXXIX da Constituição Federal: ” Em nosso País , tudo o que não é proibido é permitido, pois ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. E mais, não há crime sem lei anterior que o defina”. Portanto, mais uma vez, neste campo, até hoje, podemos observar que nada é proibido em termos de limite de idade. Em conversa com vários e respeitados profissionais especialistas, a totalidade dos entrevistados deu como limite sensato os 55 anos, pois acreditam também que, até esta idade, de um modo geral, o organismo da mulher tem condições de suportar uma gravidez. Mas, isto não é uma regra geral, pois uma jovem nem sempre tem condições de saúde melhor que a mais idosa. Desta forma, o bom senso deve prevalecer.
Assim, fixar o limite máximo em 55 anos pode ser considerado adequado, mas também pode ser controverso e polêmico, uma vez que, nesta idade, algumas mulheres ainda menstruam e apesar de nesta fase da vida ser raríssima e excepcional a ocorrência de uma gestação, isto não é totalmente impossível.
Portanto, devemos ser muito criteriosos ao aceitar uma determinada paciente para este tipo de tratamento. É necessária uma avaliação equilibrada do UNIVERSO desta futura família e uma análise rigorosa do casal, do ponto de vista psicológico e médico para saber se o organismo desta mulher suportará uma gestação. Cada caso deve ser avaliado isoladamente. Recentemente, na Índia uma mulher de 70 anos deu a luz, é considerada a mais velha até o momento a gerar um filho por ovodoação.