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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

“Caímos para aprender a nos levantar”

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Rosa e Odilon

Sempre quis ser mãe, e antes mesmo de me casar desejava ter uns dois filhos no mínimo, com no máximo 25 anos. Só que a minha vida tomou outros rumos, e a trajetória acabou sendo bem diferente da que eu sempre planejei, pois me casei somente com 31 anos. Eu jamais pensei na hipótese de não poder ter filhos, e para mim, a hora que eu decidisse era só eu fazer e pronto, ele estaria ali.

Como é de se esperar de uma relação feliz, após um ano de casados decidimos ter o nosso primeiro filho. Eu tinha acabado de entrar na “casa dos trinta anos” e profissionalmente me sentia realizada. Percebi que havia chegado o momento para tornar real o meu grande sonho de ser mãe.
Após muitas tentativas sem sucesso, o tão sonhado momento da gravidez ia se postergando. Quase um ano depois cheguei à conclusão que tinha algo de errado. Apesar de ainda não haver muita preocupação, decidimos procurar logo nossos respectivos médicos. Realizamos uma série de exames, porém nada de irregular foi detectado. Naquela ocasião, fomos orientados a procurar um especialista em infertilidade humana, e minha ginecologista indicou o Dr. Arnaldo Cambiaghi.

Recolhemos todos os exames que havíamos feito e fomos à consulta. Lembro-me como se fosse hoje, quão esperançosos estávamos! Eu era a última paciente a ser atendida por ele, e antes de ser chamada, todas as fotos de bebês e cartas dos papais e mamães espalhadas pelo consultório foram apreciados por nós. Sentimos que estávamos no lugar certo. Entramos na sala do Dr. Arnaldo, e ele com toda a atenção e paciência peculiar, conversou quase uma hora conosco, fazendo uma leitura minuciosa nos meus exames. Disse que aparentemente eu não tinha qualquer problema, mas que podíamos ter a certeza que o nosso caso não seria tão complicado. Saímos de lá felizes e confiantes, recheados de esperança. Depois de algumas consultas e exames realizados, enfrentamos o primeiro obstáculo. Foi constatada uma aderência na trompa esquerda e os famosos cistos ovarianos, que resultaram numa videolaparoscopia.

Após a recuperação da cirurgia, fomos incentivados a tentar novamente pelos meios naturais. Eu achava que tínhamos encontrado o problema, mas novamente tentamos, tentamos e infelizmente nada acontecia. Era uma situação muito frustrante. Segui a jornada tomando alguns medicamentos a fim de estimular a ovulação. Com o passar do tempo, comecei a notar que a minha situação psicológica estava se agravando.

Dei início a uma fase crítica, repleta de conflitos e questionamentos que se limitavam ao meu interior. Minha mente foi invadida pelos porquês. Eu queria saber por que a mulher da esquina podia e eu não, por que minhas alunas de 12 anos podiam e eu não, por que eu, por que comigo. enfim, não conseguia aceitar aquela situação. Naquele momento, eu me cobrava e me acusava por não poder dar um filho ao meu marido, e aquela frustração me matava como mulher. Até o meu relacionamento foi prejudicado, porque meu marido me procurava, e eu não queria que ele chegasse perto, e nem que me tocasse. Ele me procurava mas eu não queria. O problema era comigo e os conflitos eram em mim.

Muitas mulheres ficavam grávidas e vinham justamente a mim dar aquela notícia, me deixando em “parafusos”. Eu sorria na frente, mas só na frente, pois quando vinha para casa me desabava em lágrimas. Sutilmente as cobranças a mim e ao meu marido também aconteciam e às vezes, as famosas perguntas: “Quando vem o bebê?”, “E aí, vocês não sabem fazer?”, “Querem que eu ensine?”, eram feitas a nós. Piadinhas engraçadas para quem as faz e de extremo mau gosto para quem as escuta. Estávamos vivendo um momento frágil e aquelas questões deixavam-nos profundamente entristecidos. Festa infantil era um local que me batia uma grande tristeza, pois eu desejava muito passar por aquela experiência de gerar um filho e comemorar seus aniversários. Só que com as perguntas, tínhamos que sorrir para todos como se nada estivesse acontecendo, e eu sempre voltava chorando no carro. Dizíamos que estávamos tentando, sabendo que era pura verdade.

Com a ajuda fundamental do Dr. Arnaldo e suas assistentes, demos início ao primeiro tratamento de indução. Foi colocada uma música suave durante o procedimento, e aquilo me fez muito bem. Para mim era como um encontro com Deus, através de um contato direto. Eu pensava: “Meu Deus, é agora!”, e já me via grávida. Depois daquele momento maravilhoso, enfrentamos os malditos doze dias que se tornaram os mais longos e tortuosos de nossas vidas. Veio então o meu primeiro tombo. Fiquei muito mal, e desabei no chão.

Após esta fizemos mais duas induções e três inseminações artificiais. Ao final de todas essas tentativas, eu recebia o lamentável e indesejável resultado negativo. Me sentia a mulher mais sensível do mundo por não ter a capacidade de ser mãe e por não receber esta dádiva de Deus. Chorava muito, me isolava a cada resultado negativo e me recolhia literalmente. Depois orava e pedia a Deus perdão pela fraqueza e implorava para que Ele revigorasse as minhas forças para continuar aquela jornada tão difícil. Quando fizemos o primeiro tratamento, meu marido me deu uma roupinha de bebê, pois tínhamos certeza que conseguiríamos. Essa roupinha era minha tábua de salvação, aonde eu chorava e conversava com Deus.

Dentro de mim eu tinha certeza plena que jamais desistiria, mas ressalto que essa energia também era fortalecida e impulsionada pelo meu marido, o qual sempre esteve ao meu lado em todo o meu sofrimento. Naqueles momentos ele era o meu ombro amigo, um verdadeiro companheiro na alegria e nos momentos de tristeza, como um dia foi jurado no altar perante Deus. Como decidimos não abrir o problema para a família, só podia me apoiar nele e no Dr. Arnaldo, que sempre tratou o problema de forma suave, vendo possibilidades. Não nos tratava friamente e não via só o nosso problema. Via a obra, o conjunto todo. Pois sabia que atrás de tudo aquilo existia uma pessoa, um ser humano que sofria, que tinha expectativas e que tinha esperanças. Ele estava preparado para tudo ali, e isso me confortou. Ele tentou, ajudou e participou de tudo.

Apesar de muito cansada e desgastada, decidimos tentar a Fertilização In Vitro (FIV). Novamente meu coração se encheu de esperança. Rigorosamente nos horários estabelecidos, eu tomava todos aqueles medicamentos e aplicava as injeções em mim. Uma etapa muito difícil a ser superada, pois jamais me via passando por aquilo. Algumas vezes tivemos que ir à farmácia aplicar injeções em plena meia-noite. Esperançosa, eu dizia: “É agora que vou ser mãe com toda a certeza!” Porém, novamente a triste história se repetia. Os exames, a ansiedade, a expectativa e o torturoso resultado negativo.

Após o impacto psicológico e decepcionante que eu recebera com a primeira FIV, meu marido pacientemente, e não querendo ver mais o meu sofrimento, sugeriu que partíssemos para uma adoção. Analisei a sugestão, pois um filho adotado é fruto do coração louco para dar amor a uma criança. Como ainda não tinha perdido a esperança de gerar um filho, decidi que retornaríamos com essa idéia após uma nova consulta ao Dr. Arnaldo. A minha perseverança era contínua, e após orientações do Dr. Arnaldo, amadurecemos a idéia da segunda tentativa, sabendo que os resultados poderiam ser melhores e positivos devido ao continuado processo que eu passara durante os dois anos. De uma certa forma eu me sentia segura porque o meu médico apostava em mim e acreditava que eu tinha chance. Resolvemos tentar novamente, mas antes sentamos para conversar. Até então, já tínhamos gastado muito, e aquelas eram nossas últimas reservas. Meu marido me disse que seria a última vez, e que se não desse certo, adotaríamos uma criança. Eu já estava tentando me adaptar à idéia da adoção. Não era pelo bebê, mas tinha medo da sociedade e da família.

Nesta segunda FIV aflorou em mim a possibilidade de tornar-me mãe, e senti que aquela era a última tentativa. Lógico que isto dependia do exame de sangue que eu havia realizado e receberia o resultado algumas horas depois. Lembro-me deste dia sem esquecer um único detalhe. Tudo começou no laboratório, quando a assistente me encaminhou para uma sala de criança, cheia de cadeirinhas e de bichinhos. Ali mesmo comecei a chorar. Fomos atendidos numa sala reservada, pois outras salas estavam cheias, mas acredito que era Deus mostrando que minha vez havia chegado e que um anjo estava para descer lá do céu. Tudo ali naquela sala era bonito. Colheram o exame e neste dia eu não queria sair de casa. Meu marido insistia e pedia pra eu sair, mas eu dizia que não. Queria ficar lá e ver o resultado. Eu estava muito ansiosa e meu marido muito preocupado, pois sabia que um resultado negativo poderia causar uma imensa tristeza em mim. Percebendo a minha angústia, até tentou que eu não ficasse próxima do computador, mas não conseguiu. Finalmente saiu o resultado, e como aqueles números nos deixaram anestesiados, imediatamente ligamos para a assistente Mariana e repassamos o resultado. Ela disse: – Parabéns, diga para a Rosa que ela será mamãe! . Como choramos! Nos abraçamos e pulamos de alegria. Ajoelhamos e agradecemos a Deus! Foi uma emoção muito grande e não conseguíamos parar de chorar. Logo em seguida, para nossa alegria, recebemos um telefonema do Dr. Arnaldo nos parabenizando e dizendo que ele também estava muito feliz por aquela notícia. Sentimos que a nossa vitória também era dele, pois havia participado efetivamente de todos os processos de tratamentos e angústias que tivemos nos dois anos.

Curtimos imensamente a gravidez, o enxoval, a decoração do quarto, a escolha da maternidade, cada detalhe foi apreciado. Toda aquela angústia, tratamentos, exames e operações deram lugar à felicidade. Parecia que eu estava voando. Quando o nosso maravilhoso Matheus veio ao mundo, eu tive a resposta de todos os meus porquês. Descobri que eu não engravidava porque não era a minha hora, era na hora que Deus preparava! Quando eu descobri que ia ser mãe, toda dor e sofrimento que eu tinha passado deram espaço para a alegria. E todos os momentos difíceis se apagaram da minha memória.

Sem dúvida, sempre procuramos ser os melhores pais ao Matheus, pois curtimos e vivemos cada descoberta do nosso filho, seja através de uma palavra, um gesto ou uma brincadeira, pois Deus confiou a nós esta gratificante missão. Isso tudo é tão mágico que para completar a história, o nosso Matheus veio ao mundo com uma “marquinha” de nascença no braço direito no formato de um coração. Colocamos o nome de Matheus porque significa “enviado de Deus”. Após ter vivido todos esses momentos, pudemos notar que alguns casais que passam por situações semelhantes ou até mais complicadas, ficam perdidos e não sabem o que fazer diante da mesma. O companheirismo é fundamental, e o ideal não pode ser de um só, tem que ser dos dois.

“A fé, a dedicação e a esperança são os ingredientes necessários que poderão transformar um sonho em realidade. Pode acreditar, pois a vitória está próxima!”

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