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Capítulo 12 – Fertilidade

7 de dezembro de 2011
Home » Bem Estar da Mulher » Capítulo 12 – Fertilidade

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Fertilidade

O que é Infertilidade?

A infertilidade é conceituada como sendo uma alteração do sistema reprodutor feminino ou masculino que diminui ou impede a capacidade de um casal ter filhos. A princípio um casal é considerado infértil quando após 12 a 18 meses de relações sexuais freqüentes e regulares, sem nenhum tipo de contracepção, não consegue a gestação.

A chance de um casal que não tenha nenhum tipo de problema, e mantenha relações sexuais nos dias férteis, conceber por meios naturais é de 20% ao mês. Com o auxílio de técnicas de reprodução assistida, a taxa de gestação pode chegar a 50% ao mês em mulheres com menos de 35 anos.

A infertilidade, ao contrário do que se acreditava no passado, é um problema do casal e não exclusivo da mulher. Sabemos que 30% das causas são femininas e outros 30% são masculinas. Em 40% dos casos ambos os fatores estão presentes.

A infertilidade pode ser primária quando o casal nunca engravidou, ou secundária quando já houve gestação anterior.

Antigamente utilizava-se o termo Esterilidade como sendo a impossibilidade de gestação e infertilidade quando havia a diminuição da capacidade de conceber. Atualmente as duas palavras são geralmente empregadas como sinônimos.

Estudos mostram que até 15% dos casais em idade fértil apresentam dificuldade para engravidar, e metade deles terá que recorrer a tratamentos de reprodução assistida.

Apesar de teoricamente podermos esperar até 18 meses para iniciar algum tipo de tratamento, este período varia bastante, em especial de acordo com a idade da mulher e a ansiedade do casal. Não é necessário que um casal cuja mulher tenha mais de 35 ou 38 anos espere este tempo, pois nesta fase de vida em que a fertilidade diminui gradativa e progressivamente, seis meses valem muito, e por isto poderemos abreviar este período para seis a doze meses, ou menos. Após os 40 anos, três ou quatro meses já são o suficiente. Nem sempre os casais, mesmo os mais jovens com menos de trinta, agüentam a ansiedade e esperam os 18 meses. Por isto, mesmo tendo conhecimento do período teórico de espera, muitas vezes antecipamos a pesquisa para ajustar a ciência ao bom senso e ao bem-estar do casal.

Os exames que avaliam a fertilidade do casal

Na pesquisa da fertilidade, os fatores são estudados levando-se em consideração cada uma das etapas no processo de reprodução. Para cada uma delas existem exames básicos, solicitados já na primeira consulta com o objetivo de afastar ou confirmar hipóteses diagnósticas. De uma forma didática, são cinco os fatores que devem ser pesquisados e que podem atrapalhar um casal para ter filhos:

I. Fator hormonal e fator ovariano: problemas hormonais e da ovulação;

II. Fator anatômico: pesquisa da integridade anatômica do útero, tubas, colo uterino e aderências;

III. Fator imunológico: pesquisa da incompatibilidade, hostilidade, espécie de “alergia” – entre o muco cervical e o espermatozóide, entre o embrião e o útero, ou entre os gametas femininos e masculinos.

IV. Fator masculino;

V Fator Endometriose.

Fator hormonal e fator ovariano

Este fator representa 50% dos casos de infertilidade, por falta total de ovulação (anovulação) ou por um defeito da mesma (disovulia – insuficiência de corpo lúteo).

A pesquisa da ovulação é feita através de métodos indiretos que, em conjunto, dão o diagnóstico da existência ou não da ovulação. O tratamento depende das alterações observadas.

Dosagens hormonais

São realizadas durante o ciclo menstrual, procurando-se avaliar a real existência, a qualidade e o período da ovulação. As dosagens devem ser feitas na época adequada, estipulada pelo médico, e os hormônios dosados são geralmente: FSH, LH, estrogênio, prolactina e progesterona e outros, que poderão ser indicados de acordo com as suspeitas diagnósticas (tireóide, etc.).

Ultrassonografia transvaginal seriada

Através deste exame, que é repetido algumas vezes durante o ciclo ovulatório, pode-se prever a rotura do folículo (ovulação). Nos momentos que antecedem a ovulação, o folículo que contém o óvulo atinge seu tamanho máximo, mais ou menos

20 mm, formando um pequeno cisto (cisto funcional). A ovulação nada mais é que a rotura deste “cisto” com a expulsão do óvulo, que será encaminhado ao útero através da tuba uterina, onde deverá ser fertilizado, passando a se chamar embrião. Enfim, o acompanhamento ultra-sonográfico da ovulação prevê facilmente o dia mais fértil da mulher em determinado mês.

Biópsia do endométrio

Fornece material para exame microscópico e pode ser realizada no próprio consultório, durante o exame de videohisteroscopia (ver próximo capítulo), ao redor do 24º dia do ciclo menstrual. O exame deste material permite avaliar também a ação efetiva dos hormônios, informando se o endométrio está em sincronia com a fase do ciclo menstrual.


Fator anatômico

Consiste na pesquisa de alterações do órgão reprodutor, que podem impedir o encontro do espermatozoide com o óvulo dentro das tubas e a conseqüente fecundação.

Útero, tubas e ovário

O útero e as tubas devem exibir normalidade na sua morfologia e no seu funcionamento. As alterações ocorrem em 20 a 30% dos casos de infertilidade. Além das causas inflamatórias, traumáticas, cirúrgicas, malformações, mioma, etc., cumpre assinalar o papel dos fatores emocionais. O estresse pode ocasionar alterações do peristaltismo (movimento) das tubas, comprometendo a captação e o transporte do óvulo. Alguns exames podem ajudar a detectar melhor possíveis problemas. São eles:

  • HISTEROSSALPINGOGRAFIA: é um raio X contrastado. Constitui um importante exame para que o médico avalie se a paciente apresenta tubas e cavidade uterina íntegras, o que é essencial na avaliação de sua fertilidade. O médico deve estar envolvido diretamente na interpretação e, sempre que possível, acompanhar a própria execução do procedimento. A avaliação das chapas do exame deve ser cuidadosa, verificando a presença de estenoses, sinéquias (aderências), septos, pólipos, malformações uterinas, obstruções tubáreas e lesões mínimas tubáreas. Os casos que demonstrem anormalidade podem seguir-se de laparoscopia e histeroscopia diagnósticas para prosseguir na avaliação. É interessante observar que até 20% das histerossalpingografias normais mostram anormalidade na videolaparoscopia.

Orientações:

A histerossalpingografia deverá ser realizada entre o 8º e o 10º dia do ciclo. A paciente deverá marcar o exame na clínica especializada no 1º dia do ciclo menstrual, a fim de receber eventuais informações complementares como, por exemplo, o uso de analgésicos antes do exame.

  • HISTEROSSONOGRAFIA: é um exame que pode ser realizado no próprio consultório. Uma sonda especial é colocada no útero por via vaginal, e através dela injeta-se um fluido que distende a cavidade uterina, caminha em direção às tubas e atinge a cavidade pélvica. Este procedimento é acompanhado pelo ultra-som e permite avaliar a anatomia da cavidade uterina e, indiretamente, dá a ideia da permeabilidade tubárea pelo acúmulo de líquido intra-abdominal atrás do útero. Entretanto, este exame não substitui a histerossalpingografia para avaliação das tubas.
  • ULTRASSONOGRAFIA ENDOVAGINAL: é um instrumento importante na avaliação inicial da paciente infértil. No passado, eram necessários procedimentos mais agressivos para averiguar anormalidades ovarianas e uterinas. Com o uso do ultra-som vaginal, hoje é mais fácil e segura a avaliação dessas estruturas pelo médico. Pode-se usar o ultra-som vaginal para diagnosticar uma variedade de problemas:

Uterinos:

  • miomas uterinos (tamanho e localização);
  • anomalias estruturais, como alterações do formato do útero (útero bicorno ou didelfo);
  • alterações funcionais e anatômicas do endométrio.

Ovarianos:

  • cistos;
  • tumores;
  • aspecto policístico.

O ultrassom vaginal pode também diagnosticar problemas ovarianos e, conforme descrito no item anterior, é muito útil ao se acompanhar uma paciente através da fase ovulatória de seu ciclo e avaliar a presença do folículo dominante. Quadros como cistos de ovários e endometriomas podem ser facilmente visualizados com o uso do ultra-som vaginal.

  • VIDEOLAPAROSCOPIA: é um exame muito útil e sofisticado, feito em ambiente hospitalar sob anestesia geral. Através de uma microcâmera de vídeo, introduzida no abdômen por meio de uma incisão mínima na região do umbigo, são visualizados os órgãos genitais: útero, tubas, ovários e órgãos vizinhos. Com este aparelho é realizado um “passeio” pela cavidade abdominal, numa extraordinária visão panorâmica ao vivo e em cores. É possível ver tudo, com magníficos detalhes, na tela do monitor. Alterações na permeabilidade tubárea, aderências e endometriose são diagnosticadas dessa forma e podem, ao mesmo tempo, ser tratadas cirurgicamente sem a necessidade de cortar o abdômen. Este equipamento permite a introdução de pinças especiais para a realização de atos operatórios, corrigindo muitas das alterações, como liberar os tecidos aderidos, cauterizar e vaporizar focos endometrióticos, coagular sangramentos, e até realizar cirurgias maiores se necessário (miomas, cistos, gravidez tubária, etc.).

O diagnóstico e o tratamento cirúrgico por VIDEOLAPAROSCOPIA devem ser feitos por profissionais com experiência em infertilidade e microcirurgia. Ao se detectar determinada alteração durante um exame, o cirurgião especializado em Reprodução Humana deverá ter experiência e capacidade para discernir as reais vantagens de um tratamento cirúrgico. Caso contrário, os traumas dessa cirurgia poderão piorar ainda mais a saúde reprodutiva dessa paciente.

  • VIDEOHISTEROSCOPIA: pode ser feita em consultório e permite, sem qualquer tipo de corte, o exame do interior do útero (endométrio). Através da mesma microcâmera utilizada no exame anterior é possível diagnosticar, na cavidade uterina, a existência de alterações, como miomas, pólipos, malformações e aderências, que são corrigidas cirurgicamente, quando necessário, pela mesma via.

Colo do Útero

O muco cervical, como já foi descrito, é extremamente importante no processo de fertilização, pois é nele que o espermatozoide “nada” em direção ao óvulo a ser fecundado. Alterações no colo uterino são responsáveis por 15 a 50% das causas de Infertilidade. A análise desse fator é feita através da avaliação do muco cervical, da videohisteroscopia e da colposcopia.

Aderências

Constituem o fator causado pela presença de obstáculos (aderências) na captação dos óvulos pela(s) tuba(s), que deve(m) estar sem obstrução em toda a sua extensão. Muitas vezes, os órgãos grudam uns nos outros, impedindo que exerçam sua função adequada. Geralmente, isso provém de infecções pélvicas, endometriose ou cirurgias nesta região.

O diagnóstico inicial é sugerido pela histerossalpingografia, mas a confirmação é feita através da videolaparoscopia, o único exame que
permite o diagnóstico definitivo e, concomitantemente, o tratamento cirúrgico. Quando não for possível a resolução pela via endoscópica, deve-se realizar a cirurgia pelas técnicas convencionais, levando-se em consideração os princípios da microcirurgia.

Fator imunológico

O fator imunológico pode ser considerado causa de infertilidade, pois são encontrados com freqüência anticorpos (células que agem contra outras) no aparelho genital feminino, em especial no muco cervical. O exame básico é o Teste Pós-Coito ou Sims-Huhner, que identifica, sob a luz do microscópio, qual é o comportamento dos espermatozoides em contato com o organismo feminino. O teste é considerado deficiente quando eles se encontrarem imóveis, ao invés de movimentos rápidos, ideais para a fecundação normal. Outros exames para avaliar fatores imunológicos são: anticorpos anticardiolipina, antiespermatozoides, anticorpos antitireoidianos, fator anticoagulante lúpico, fosfatidil serina, células NK, IgA, Fator V de Leiden, etc., de indicação restrita. Em casos especiais, pode ser ainda solicitado o exame “Cross Match”, que avalia a rejeição do embrião pelo organismo materno.

Fator masculino

A pesquisa da fertilidade no homem é um capítulo importante na Reprodução Humana, tanto pela participação nas dificuldades do casal em ter filhos, quanto pelo misticismo que envolve a maneira da coleta do material (pela masturbação), além dos preconceitos que ainda existem envolvendo os possíveis diagnósticos (por mais absurdos que pareçam). A pesquisa da fertilidade masculina é sempre muito mais simples que a feminina. É fundamental que se saiba o que é relevante nesta pesquisa, para que resultados superficiais não levem o casal a perder tempo e dinheiro, além de sofrer com o desgaste psicológico que envolve este tipo de tratamento.

O fator masculino é responsável, isoladamente, por 30 a 40% dos casos de infertilidade, e associado ao fator feminino por mais 20%; cúmplice, portanto, de 50% dos casais com dificuldade para engravidar. Visto que a avaliação deste fator é relativamente simples e pouco dispendiosa, esta deve ser realizada em todos os casos antes de qualquer indicação terapêutica. Este estudo é baseado na história clínica (antecedentes de infecção, traumas, cirurgias pregressas, impotência, hábitos como alcoolismo, tabagismo, etc.), exame físico, espermograma e, em casos especiais, exames genéticos.

Fator Endometriose

Endométrio é o tecido que reveste o útero internamente e é formado entre as menstruações. Esta “película” solta-se e sai juntamente com o sangue cada vez que a mulher menstrua. Por razões ainda não definidas, esse revestimento pode migrar e se alojar em outros órgãos, como ovários, tubas, intestinos, bexiga, peritôneo, e até mesmo no próprio útero, dentro do músculo. Quando isto acontece, dá-se o nome de endometriose (inserida na musculatura do útero tem o nome de adenomiose), ou seja, endométrio fora do seu local habitual. A endometriose é responsável por cerca de 40% das causas femininas de infertilidade. A moléstia não é maligna e em certas pacientes se manifesta apenas discretamente, com leve aumento na intensidade das cólicas menstruais. Em outras, pode ser um martírio, com dores fortes e sangramentos abundantes. Em qualquer uma das situações, seja qual for o grau de endometriose, a fertilidade pode estar comprometida. Os indícios da existência desta doença podem ser dados, além da história clínica, pela dosagem no sangue de uma substância chamada CA125, e por imagem suspeita vista pelo ultra-som. Novos exames, como PCR, SAA, anticardiolipina IgG, IgA e IgM, representam uma opção para pesquisa e tratamentos imunológicos futuros desta patologia. Para confirmar o diagnóstico e graduar o comprometimento dos órgãos afetados pela doença, a videolaparoscopia é essencial, podendo-se, através dela, obter também a cura com a cauterização e ressecção dos focos. O tratamento clínico medicamentoso complementar é uma alternativa que deve ser avaliada caso a caso (ver mais detalhes no capítulo 13 – Endometriose).

A Infertilidade Inexplicável –Esterilidade Sem Causa Aparente (ESCA)

É muito difícil para um casal quando, após o término da realização de todos os exames solicitados, ao retornar ao consultório ou clínica, tem como resposta do médico que todos os resultados estão normais. Ante esta normalidade, alguns exames são repetidos, outros novos são sugeridos, uns mais difíceis e outros agressivos, mas a resposta final é: NORMALIDADE. Qual o motivo, então, da dificuldade em engravidar? Não tem explicação? A resposta é: NÃO.

A Infertilidade “Inexplicável” ou Esterilidade Sem Causa Aparente (ESCA) é a dificuldade de um casal em engravidar, sem nenhuma razão aparente, após um ano ou mais de relações sexuais freqüentes e sem o uso de qualquer método anticoncepcional. Aproximadamente 10 a 15% dos casais inférteis pertencem a este grupo. Sem dúvida, esta “falta de diagnóstico” definitivo leva estas pessoas a um sentimento de frustração e angústia bastante grande.

Entretanto, não podemos esquecer que a ciência progride numa velocidade tão grande, que o desconhecido de hoje poderá, em um curto prazo de tempo, ser esclarecido, e o que hoje não tem explicação, amanhã será explicável e tratável. Portanto, quando se fala em ESTERILIDADE SEM CAUSA APARENTE, ou INFERTILIDADE INEXPLICÁVEL, significa o inexplicável no presente e não no futuro. Mas o que interessa ao casal que procura um especialista é um diagnóstico e um tratamento para o presente.

O que fazer então?

A conduta médica deve ser baseada na idade da mulher, no tempo de infertilidade, na ansiedade e expectativa do casal e na disponibilidade econômica. Se uma mulher é extremamente jovem e está tentando engravidar há pouco tempo (um ano, por exemplo), pode-se aguardar ou realizar tratamentos simples e conservadores, como a indução da ovulação (relação sexual programada, coito programado, “namoro” programado). Nestes casais, a introdução de terapias naturais ou complementares e algumas mudanças de hábitos podem trazer benefícios. Mulheres com mais idade merecem tratamento de maiores chances de êxito (inseminação artificial intra-uterina, fertilização in vitro), pois, com o passar dos anos, as chances de gravidez diminuem gradativamente. O importante é deixar claro que Infertilidade Sem Causa Aparente ou Infertilidade Inexplicável é bastante comum em casais que não conseguem ter filhos.

Tratamentos convencionais

A indicação terapêutica baseia-se na história clínica do casal, juntamente com a avaliação da pesquisa básica laboratorial. Leva-se também em consideração a ansiedade do casal e as alterações encontradas nos exames realizados. A idade da mulher tem força decisiva, que desequilibra as tendências e norteia o melhor caminho para obtenção da gestação. Quase sempre haverá mais do que um tratamento disponível e, na maioria das vezes, caberá ao casal a decisão final pelo tipo de tratamento. O médico dará as opções, orientando e ponderando, mas quem decidirá o caminho será a mulher e o homem que desejam ter filhos.

Queda da taxa de fertilidade de acordo com a idade da paciente, comparando com pacientes com menos de 25 anos (valores e estatísticas que se aplicam às mulheres de maneira geral, podendo haver variação de mulher para mulher).

Os dados contidos neste quadro devem ser lembrados, para que seja entendida a necessidade da indicação de tratamentos de máxima eficácia para mulheres com mais de 35 anos, e assim não se perder tempo com procedimentos de baixo índice de sucesso. A partir dessa idade, os tratamentos complementares, se forem utilizados de forma isolada, devem ser restritos a um período de tempo preestabelecido. Todavia em conjunto com os tratamentos convencionais, poderão ser incorporados sem restrição, desde que a paciente se sinta bem.

Dicas antes da escolha do tratamento

Para que o casal possa tomar uma decisão diante das opções de tratamento, é necessário que tenha a resposta para as seguintes perguntas:

1. Em quanto esse tratamento vai aumentar as chances de gravidez?

2. Quais são os potenciais riscos, complicações e efeitos colaterais?

3. Qual a duração média do tratamento para que se possa obter bons resultados?

4. Em caso de falha, haverá outras alternativas após o término desse tratamento?

5. Qual o custo?

Tipos de tratamentos

  • Tratamento medicamentoso: com remédios que corrigem distúrbios hormonais que estariam prejudicando a fertilidade (hormônios).
  • Tratamento cirúrgico: para correção das alterações anatômicas dos órgãos reprodutores – por microcirurgia, videohisteroscopia e/ou videolaparoscopia (inclusive endometriose).
  • Reprodução assistida: indução da ovulação (coito programado), inseminação artificial e fertilização in vitro (ICSI).
  • Doação de óvulos: se a mulher não produzir óvulos.
  • Banco de Esperma: se o homem não produzir espermatozoides.

Embora todos estes tratamentos sejam importantes, será dada ênfase à REPRODUÇÃO ASSISTIDA.

Reprodução Assistida

A Reprodução Assistida consiste em um conjunto de técnicas laboratoriais, utilizadas pelos médicos e embriologistas, para promover a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, quando ela não ocorre por meios naturais. Os procedimentos médicos na Fertilização Assistida são rigorosamente técnicos, lidam com equipamentos de alta precisão, tecnologia de ponta e uma equipe especializada.

A Reprodução Assistida pode ser classificada quanto à complexidade:

A) Baixa Complexidade

– Indução da Ovulação – Coito Programado, “Namoro” programado.

B) Média Complexidade

– Inseminação Intrauterina – (IIU)

C) Alta Complexidade

– FIV (Fertilização In Vitro convencional; Bebê de Proveta FIV-ET)

– ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide)

A) Indução Da Ovulação – Coito Programado, “Namoro” Programado (Baixa Complexidade)

Com todos os exames laboratoriais ultra normais, a paciente poderá ter sua ovulação induzida por medicamentos, para que seja recrutado um maior número de óvulos naquele mês. O crescimento deles é acompanhado por ultras-sonografia seriada transvaginal até que os folículos atinjam um tamanho ideal (em sincronia com o endométrio – que é o tecido que reveste o interior do útero, onde ocorre a implantação do embrião). Através do estímulo hormonal, os óvulos devem ter um crescimento progressivo e atingir um tamanho aproximado de 18 mm, e o endométrio, uma espessura superior a 7 mm. Atingido esse ponto ideal (o que geralmente ocorre ao redor do 12º ao 14º dia do ciclo), a ovulação é desencadeada 24 a 36 horas após a injeção de um medicamento adequado (hCG). A partir desse momento, o médico orientará a melhor época para as relações sexuais. Pelo maior número de óvulos disponíveis, e pela certeza da época da ovulação, as chances de gravidez são substancialmente maiores quando comparadas ao ciclo espontâneo (sem medicação). A chance de sucesso deste método é ao redor de 12 a 15% ao ciclo. Embora esta chance seja inferior aos 20% definidos para gravidez espontânea, conforme descrito no primeiro capítulo, deve-se lembrar que os casais em tratamento já possuem alguma dificuldade em engravidar. Por isso, esta taxa de sucesso é menor que a esperada quando a gravidez é obtida naturalmente em casais sem problemas.

B) Inseminação Intrauterina – (IIU) (Média Complexidade)

A Inseminação Artificial, conhecida desde a antiguidade, é um recurso terapêutico de grande valor no tratamento do casal infértil. As indicações dessa opção são baseadas na impossibilidade ou dificuldade do sêmen em alcançar o óvulo no aparelho genital da mulher (tubas), impedindo assim a fecundação. As candidatas a essa modalidade terapêutica são as pacientes que apresentam:

a) Muco cervical pobre ou deficiente, devido a fator inflamatório ou fator imunológico.

b) Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA), Infertilidade Inexplicável.

c) Maridos com espermograma alterado (oligospermia, astenospermia ou problemas anatômicos).

Importante: Como a fertilização ocorre no ambiente natural, isto é, nas tubas, estas devem estar permeáveis.

Indução da Ovulação, Técnica e Dia da Inseminação

Da mesma forma que no Coito Programado, os ovários são estimulados por hormônios com o objetivo de obter um maior número de óvulos recrutados. Estes óvulos também têm seu crescimento acompanhado pela ultra-sonografia até que atinjam um diâmetro aproximado de 18 mm, e o endométrio, uma espessura superior a 7 mm. A ovulação também é desencadeada no momento adequado por um medicamento. A diferença consiste, nas dosagens dos medicamentos utilizados para o estímulo ovariano e que, em vez das relações sexuais, os espermatozoides serão colocados dentro do útero.

A Inseminação Artificial é um procedimento relativamente simples. É realizada no consultório, sem anestesia, é indolor e não dura mais do que alguns minutos.

Com a paciente em posição ginecológica, o esperma é colocado dentro do útero, perto dos orifícios internos das tubas, através de um cateter delicado que transpassa a vagina e o canal cervical. Após a inseminação, a paciente deverá ficar em repouso no consultório por cerca de 20 minutos, a fim de que o sêmen alcance o interior das tubas e ocorra a fertilização. Após esse período, poderá voltar às suas atividades
cotidianas.

Os índices de sucesso da IIU, em seguida à estimulação ovariana (superovulação), estão ao redor de 18 a 25% por ciclo, mas podem chegar a 50% depois de algumas tentativas.

Nos casos em que o parceiro masculino seja portador de distúrbios muito graves do esperma (azoospermia – falta total de espermatozoides), pode ser usado o esperma congelado de um doador anônimo, através dos Bancos de Sêmen.

C) Fertilização In Vitro (FIV) ou Bebê de Proveta

Consiste na mais sofisticada e avançada de todas as técnicas de Fertilização Assistida. Para se realizar esta técnica (ou programa), a mulher recebe, da mesma forma que nas técnicas anteriores, alguns hormônios, porém em maiores doses, para se obter um maior número de óvulos recrutados. Também neste procedimento, os óvulos têm seu crescimento acompanhado pela ultra-sonografia até que atinjam um diâmetro aproximado de 18 mm, e o endométrio, uma espessura superior a 7 mm. A paciente recebe uma última injeção (hCG) para terminar o amadurecimento dos óvulos, que são aspirados 35 horas após, através de uma agulha especial. Em seguida, são colocados em contato com espermatozoides (in vitro), permitindo a sua fecundação fora do corpo da mãe. Quando a quantidade de espermatozoides for pequena, utiliza-se a técnica da ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide), que consiste na injeção de um espermatozoide dentro do óvulo. Os embriões são desenvolvidos inicialmente em laboratório, retornando ao útero onde continuam o crescimento até o dia do nascimento.
A chance de sucesso desta técnica pode chegar a até 55% em pacientes com menos de 35 anos.

Indicações

  • Mulheres com alterações peritoneais (aderências).
  • Obstrução nas tubas.
  • Esterilidade Sem Causa Aparente (E.S.C.A.) ou Infertilidade Inexplicável.
  • Fatores imunológicos.
  • Endometriose.
  • Falhas repetidas em tratamentos menos complexos.
  • Idade avançada.
  • Fator masculino (contagem baixa, alteração grave em morfologia ou motilidade dos espermatozoides).

Técnica

A técnica é relativamente complexa e sua execução pode ser dividida em seis fases:

1ª Fase – Bloqueio dos hormônios do organismo.

2ª Fase – Estímulo do crescimento dos óvulos.

3ª Fase – Aspiração e recuperação dos óvulos.

4ª Fase – Fertilização dos óvulos.

5ª Fase – Transferência do(s) embrião(ões) para o útero.

6ª Fase – Controle hormonal até o teste de gravidez.

Assim temos:

1ª Fase – Bloqueio dos hormônios do organismo

Consiste no bloqueio parcial do funcionamento dos ovários com medicação adequada. Com esta conduta é possível ter o controle da função ovariana, não havendo perigo de ocorrer ovulação fora do momento previsto.

2ª Fase – Estímulo do crescimento dos óvulos

Existem vários esquemas de medicação para estimular o crescimento de um maior número de óvulos. Havendo maior quantidade, têm-se mais embriões, podendo ser escolhidos os melhores e, conseqüentemente, aumentando as chances de gravidez. Esta fase dura de oito a doze dias e é acompanhada pelo ultra-som transvaginal e dosagens hormonais.

3ª Fase – Aspiração e recuperação dos óvulos

Em um ambiente cirúrgico e com sedação profunda, os óvulos são aspirados através de uma agulha acoplada ao ultra-som. Este processo é praticamente indolor e dura alguns minutos. Neste dia é realizada a coleta do sêmen do marido.

4ª Fase – Fertilização dos óvulos

No laboratório, um embriologista experiente realiza a fertilização dos óvulos, que poderá ser espontânea ou pela técnica de ICSI (Injeção Intracitoplasmática do Espermatozoide). A decisão dependerá da quantidade e morfologia dos espermatozoides e do número de óvulos.

5ª Fase – Transferência dos embriões

Dois a cinco dias após a fertilização, os embriões serão colocados no útero. Neste dia serão conhecidos os de melhor qualidade, e assim o médico e o casal decidirão juntos quantos deles serão transferidos, número este que pode variar de um a quatro. A transferência é realizada com cateter flexível, sem anestesia, através da vagina; é indolor e semelhante ao desconforto do exame ginecológico.

6ª Fase – Suporte hormonal

Nesta fase são realizados exames de sangue que comprovam o equilíbrio hormonal. Caso haja necessidade, as doses poderão ser modificadas. O teste de gravidez é realizado onze dias após a transferência dos embriões.

IMPORTANTE

A probabilidade de ocorrer um aborto, ou de um bebê com malformação é a mesma, tanto após a indução da ovulação como após a concepção natural. Os riscos existentes dependem da idade da mãe e de fatores genéticos. Se a paciente ficar grávida após este tratamento, não serão necessárias quaisquer medidas especiais; a gravidez será tratada exatamente como qualquer outra, o pré-natal é exatamente igual ao de uma gestação espontânea. O trabalho de parto e a amamentação não serão afetados de nenhuma maneira.

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