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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Capítulo 8 – DST: Doenças Sexualmente Transmissíveis

9 de dezembro de 2011
Home » Bem Estar da Mulher » Capítulo 8 – DST: Doenças Sexualmente Transmissíveis

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DST: Doenças Sexualmente Transmissíveis

São doenças transmitidas principalmente através de relação sexual. Constituem um conjunto de doenças infecciosas que podem acometer as áreas: genital, anal, oral e ocular, afetando tanto as mulheres quanto os homens. Geralmente podem ser prevenidas e controladas através de métodos de barreira, como preservativo, camisinha feminina, espermaticidas e modificação de comportamento de risco: muitos parceiros, uso de drogas, ou ter parceiros que usam drogas, ou que têm outras pessoas com quem tenham relações sexuais. Podem ser evitadas pela detecção precoce da infecção.

Tendo em vista que as DSTs são mais freqüentes em mulheres e que nelas ocorrem maiores complicações, é importante que cada mulher procure seu ginecologista sempre que observar alguma alteração suspeita ou algum sintoma que sugira essas doenças. A avaliação e tratamento do parceiro também são recomendáveis em todos os casos. As DSTs devem ser consideradas doenças graves que podem levar a problemas de infertilidade, causar aborto, nascimentos de bebês prematuros, alguns tipos de câncer e até a morte.

Sífilis

Também conhecida como Cancro Duro e Lues, é causada pela bactéria Treponema pallidum. É uma doença que acomete todo organismo, evoluindo para um curso crônico e lento que pode manifestar-se agudamente ou com períodos sem sintomas. É transmitida pela relação sexual, transfusão de sangue contaminado e pela placenta. Pode acometer a pele, ossos, coração, olhos e sistema nervoso. A sífilis pode ser dividida em primária, secundária, latente, terciária, e ainda congênita, quando transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Nesta doença é importante reconhecer a sua lesão primária – o cancro duro – decorrente da inoculação da bactéria na pele ou na mucosa (e geralmente aparece após três semanas desta). Esta lesão é indolor, ulcerada, brilhante e de bordas endurecidas com secreção líquida e transparente. Aparece nos grandes lábios, vagina, clitóris, períneo e colo uterino.

A sífilis pode levar ao aborto espontâneo, natimorto, bebês de baixo peso ao nascer e alterações no feto.

A doença pode ser prevenida com uso de camisinha nas relações sexuais.

O diagnóstico é efetuado pela clínica por técnicas laboratoriais – VDRL. O tratamento é feito com antibiótico: geralmente penicilina benzatina.

Cancro Mole ou Cancróide

É causado pela bactéria Haemophilus ducrey através da relação sexual. Apresenta uma ferida dolorosa no local da inoculação, de base amolecida e fundo purulento. Aparece na genitália e ânus, e menos freqüentemente em lábios e boca. Não é raro ocorrer juntamente com a sífilis.

Pode-se prevenir a doença com camisinha e higienização genital após a relação sexual. O tratamento é feito com antibióticos e antiinflamatórios.

Herpes Genital

É causada pelo vírus herpes, responsável por grande parte das infecções genitais. Este agente provoca lesões dolorosas após dois a sete dias da infecção, que se caracterizam por vesículas-bolhas agrupadas na vulva e no útero. Após dois dias essas vesículas rompem-se e formam úlceras com posterior cicatrização. Caracteriza-se também por ter períodos de remissão e exarcebação (sem e com sintomas).

Nas gestantes a indicação do parto cesariana é fundamental na prevenção da infecção neonatal, principalmente se esta infecção tiver ocorrido seis semanas antes da data do parto.

O tratamento com medicamentos pode ser via oral e local e visa ao alívio dos sintomas. Devem ser utilizados antiinflamatórios e limpeza das lesões com água boricada, com o objetivo de diminuir a transmissão e melhorar o estado psicológico da mulher.

HPV (Human Papiloma VÍRUS)

Também conhecida como “crista de galo”, “verruga genital” e “jacaré”. É causada por um grupo de vírus, HPV-DNA, com mais de 100 subtipos. Nesta doença, os subtipos 6, 11 e 42 determinam lesões papilares que confluem e formam massas de verrugas com o aspecto de couve-flor. Estas lesões ocorrem principalmente na vulva, vagina, períneo e colo do útero, podendo também aparecer no ânus e no reto.

Na maioria das vezes as lesões são inaparentes, sem nenhuma manifestação detectada pelo paciente. Outros subtipos podem ainda acometer as mãos e os pés.

A transmissão quase sempre é por contato sexual íntimo, e mesmo sem a penetração o vírus pode ser transmitido. O parto vaginal também pode ser outra via de transmissão, da mãe para o recém-nascido, e por isto neste caso é indicada a cesariana. É raro, mas pode ocorrer a transmissão pelo uso comum de toalhas e roupas íntimas em banheiros e saunas.

Como existem lesões muitas vezes impossíveis de serem visualizadas, o diagnóstico é feito inicialmente pelo Papanicolaou e pela colposcopia (exame que verifica o colo uterino com uma lente de aumento). Com a confirmação, realiza-se outro exame detalhado que definirá o tipo de HPV. Alguns deles não têm importância para o futuro da saúde do casal, mas outros são oncogênicos, isto é, podem causar câncer a médio prazo caso não sejam tratados.

A principal preocupação com HPV é a sua relação com câncer de colo uterino e de vulva, principalmente os vírus 16, 18, 45 e 56.

Para prevenção da doença é recomendável o uso de camisinha nas relações sexuais, e vacinas vêm sendo desenvolvidas para impedir a doença.

O tratamento tem o objetivo de remover as lesões com quimioterápicos, cauterização, cáusticos locais. Mesmo com o tratamento há chance de recidiva das lesões. Não existe tratamento específico para a erradicação do vírus. Além da avaliação do parceiro, é necessária também a abstinência sexual durante o tratamento.

Gonorréia

Causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. A chance de transmissão na relação sexual é de 90%. Também é conhecida pelos nomes de uretrite gonocócica, blenorragia e torgagem.

A mulher infectada apresenta quantidade grande de corrimento na vagina e na vulva. Precedendo este corrimento pode haver sintomas de prurido e ardência ao urinar. A sintomatologia pode ser branda ou até ausente.

Como conseqüência, pode ocorrer desenvolvimento de doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, aborto espontâneo, natimorto, bebê com baixo peso ao nascer e parto prematuro. Os recém-nascidos de mães portadoras da doença podem apresentar pneumonia e otite média.

Esta doença pode ser evitada com o uso de camisinha nas relações sexuais e higiene local. O tratamento é feito com antibióticos.

Linfogranuloma Venéreo ou Bubão ou Linfogranuloma Inguinal

É uma doença causada pela bactéria Clamydia trachomatis. No local de sua inoculação aparece lesão genital ulcerada e indolor que dura três a cinco dias. Após o aparecimento dessas lesões há acometimento dos gânglios (linfonodos), com inchaço, dor e endurecimento, o que se pode chamar de “bubão inguinal” (íngua).

Se não tratada, a doença evolui com saída de secreção purulenta do linfonodo através de fístulas. Pode ocorrer cicatrização levando à fibrose e retração, chegando a causar “elefantíase genital”, que se caracteriza pelo aumento do volume dos órgãos genitais externos.

A prevenção é com o uso de camisinha e a higienização genital pós-coito. O tratamento é com antibióticos.

Donovanose

Causada pela bactéria Klebsiella. Também conhecida como granuloma venéreo, granuloma tropical, granuloma contagioso e úlcera venérea.

Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões ulcerosas, indolores, facilmente sangrantes e de evolução linear, sem acometimento ganglionar. Também é distinguida por ter lesões de aparência de “bife vermelho”, de aspecto desagradável.

Pode levar à malformação genital e acometer outros órgãos.

A prevenção é feita com o uso de camisinha e higienização. O tratamento é com antibióticos, e eventualmente cirúrgico.

Hepatite B

É causada pelo vírus HBV, transmitido pelo sangue, sêmen e secreção vaginal. Tem um acometimento desde inaparente até muito grave. Há sintomas de náuseas, vômito, falta de apetite e icterícia (cor amarelada da pele e da mucosa, principalmente dos olhos).

Pode levar até a um quadro de cirrose hepática, câncer de fígado e hepatite crônica. Não há tratamento para combater a doença, apenas para o alívio dos sintomas. Entretanto, a prevenção pode ser feita com vacinação (três doses) e uso de camisinha nas relações sexuais, principalmente por profissionais que estão constantemente em contato com os pacientes.

HIV ou SIDA ou AIDS

É a síndrome causada pelo vírus HIV, levando a uma infecção crônica. É transmitida pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e pelo leite materno.

Este vírus compromete o funcionamento do sistema de defesa (imune), impedindo-o de proteger o organismo de bactérias, fungos, vírus, e de outros parasitas. Desta maneira o organismo adquire infecções não-usuais, oportunistas, como tuberculose miliar, e alguns tumores como linfomas e sarcoma de Kaposi, levando à morte.

O tratamento da Aids tem o objetivo de inibir a multiplicação desse vírus usando drogas que não eliminam o HIV e não curam o indivíduo, mas controlam o aparecimento das manifestações graves da Aids e das doenças oportunistas como as citadas acima.

A prevenção é feita tendo relação sexual segura, com uso de camisinha. Cuidado também em transfusões de sangue.

Tricomoníase

Causada pelo protozoário Trichomonas vaginnalis e transmitida na relação sexual, é uma das principais causas de vulvovaginite (inflamação na vagina e vulva) na mulher adulta, podendo ainda não ter manifestação clínica. Acomete também o aparelho urinário. O sintoma mais comum é um corrimento de aspecto amarelado, odor forte e coceira. A prevenção é com o uso de camisinha e o tratamento simultâneo do parceiro com antibióticos. Esta infecção está também descrita no capítulo 2 – Corrimento Vaginal.

Gestação e DSTs

As DSTs podem ser transmitidas durante a gestação, na hora do parto, logo após este (puerpério) e também durante o aleitamento materno, como no caso da Aids. Podem levar a doença ao feto, podendo até causar a morte. Assim, é importante que a gestante faça exames para o diagnóstico precoce desta doença durante o pré-natal.

Sorologia para sífilis: VDRL

Solicitar o teste na primeira consulta pré-natal. Se positivo, toda gestante com sífilis deve ser tratada para diminuir o risco de transmissão da doença da mãe para o feto através da passagem da bactéria pela placenta. O teste deve ser repetido no segundo e no terceiro trimestre.

Hepatite B

Teste solicitado na primeira consulta e repetido no final da gestação, em pacientes com resultado negativo e fatores de risco para a contaminação com a doença.

HIV

Solicitar o teste na primeira consulta.

Deve-se também pesquisar vaginose bacteriana em pacientes devido ao risco de trabalho de parto prematuro.

Doença Inflamatória Pélvica (DIP)

A DIP é um termo usado para representar qualquer processo infeccioso e inflamatório envolvendo o trato genital feminino superior. Estão dentro das DIPS: endometrite (inflamação do endométrio, que é o tecido que reveste o útero internamente); ooforite (infecção ou inflamação dos ovários); abcesso tubo-ovariano (abcesso intimamente ligado às tubas e ovários); e salpingite (inflamação das tubas ou trompas).

Os mesmos fatores de risco associados às DSTs também se relacionam com a DIP: (múltiplos parceiros, infecção por Clamydia, parceiro com DST, início precoce da vida sexual). Os principais microorganismos envolvidos nessas infecções são as N. gonorrhoea e a Clamydia trachomatis, também causadoras de DSTs, como já citado.

Durante a menstruação a mulher tem mais chance de adquirir uma DIP em virtude de menor proteção do aparelho genital nesta fase do ciclo.

O diagnóstico da DIP é feito pelo quadro clínico, que basicamente resume-se em dor forte na região pélvica, hipersensibilidade pélvica e dor ao toque vaginal, podendo ter febre.

Além disso, exames laboratoriais podem ser realizados, como exame de sangue, ultra-sonografia e até laparoscopia.

No tratamento deve-se excluir uma possível gravidez e realizar antibioticoterapia, podendo ainda considerar o caso de uma internação. As pacientes gestantes com DIP devem ser internadas.

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