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Cuidados antes de encomendar o bebê

6 de abril de 2016
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Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

 

Contato: saude@ipgo.com.br
Tel. (11) 3885-4333
Gravidez_1

 

Final de um ano, começo de outro. O que não faltam são planos, listas e desejos para os próximos 365 novos dias que virão. E muitas mulheres já estão pensando que chegou a hora de, finalmente, engravidar. Mas como tudo na vida, é preciso certo planejamento. Engravidar, ser gestante e dar à luz a um bebê saudável necessita de um preparo físico e psicológico semelhante àquele exigido para uma longa e emocionante viagem de aventuras. Ninguém sonha em realizar uma viagem dessas sem um planejamento mínimo e sem pensar naquilo que pode acontecer de inesperado (chuvas, tempestades e etc.) Embora esta idealização prévia seja obrigatória antes de se providenciar um bebê, principalmente nos tratamentos de infertilidade, existe alguns fatores que dificilmente podem ser modificados, como a idade dos óvulos e dos espermatozoides e fatores genéticos.
Outros podem ser investigados, analisados, evitados e tratados para garantir uma gravidez mais rápida, uma gestação confortável e um bebê saudável.

É recomendável que o casal esteja com saúde plena, física e mental, tenha uma dieta saudável, faça atividades físicas ponderadas e de preferência esteja sem sobrecargas emocionais – esta última um tanto difícil nos dias de hoje.

Resumindo os cuidados principais:

1- Dieta adequada e Índice de Massa Corpórea (IMC) normal;
2- Suplementos nutricionais;
3- Hábitos de vida;
4- Redução da carga de estresse;
5- Consulta prévia com ginecologista (exames de rotina).

1) Dieta adequada e Índice de Massa Corpórea (IMC) normal

A obesidade e a magreza podem ser prejudiciais tanto à fertilidade como à gestação. O excesso de peso pode dificultar a concepção e traz também complicações para a gestação, como favorecer a hipertensão arterial e o diabetes gestacional. Os dois extremos, o peso muito acima e o peso muito abaixo do ideal, podem ser prejudiciais. O melhor, como quase tudo na vida, é o equilíbrio. Cada indivíduo tem um peso médio indicado para sua estatura e constituição física que deverá proporcionar tanto um maior potencial reprodutivo como uma gestação saudável.
Na maioria das vezes, para avaliar o peso ideal de uma pessoa, usa-se o Índice de Massa Corpórea, representado pela sigla IMC. Esse índice é obtido pelo resultado da divisão matemática do peso, em quilos, pela estatura, em metros, elevada ao quadrado. A fórmula é: IMC= P(peso em kg)/A2 (Altura em metros elevada ao quadrado). O ideal é o IMC entre 20 e 25.

2) Suplementos Nutricionais

Todas as mulheres que desejam engravidar devem tomar ácido fólico diariamente, pois age evitando alterações do sistema neural do bebê. Outras substâncias antioxidantes, como as vitaminas C e E, podem melhorar a qualidade dos espermatozoides e prevenir alterações cromossômicas, além de serem antioxidantes e grandes destruidores de radicais livres, prejudiciais à saúde das pessoas em vários aspectos. DHEA e Coenzima Q10 são indicados para mulheres mais velhas (veja mais aqui). Outros suplementos, como L-Carnitina, L-Arginina, Don Quai, Green Tea e Vitex Agnus Castus têm indicações controversas e devem ser receitados obedecendo critérios específicos do profissional que acompanha o caso.

3) Hábitos de vida

Algumas atitudes podem prejudicar o processo de fertilização. Hábitos inadequados, se ainda não tiverem sido corrigidos, deverão ser evitados ao máximo, tanto pela mulher quanto pelo homem.

Exercícios (veja mais aqui): quem não estiver habituado a fazer exercícios só deve iniciar com os mais leves, como a caminhada, ioga, alongamento ou natação, por 30 minutos de 3 a 4 vezes por semana. Os mais pesados devem ser adiados, pois este não é o momento de começar atividades de forte intensidade. Se já for um hábito, alguns cuidados devem ser tomados, mas evite exageros. Corrida, só quando já for uma rotina, mas exclua as maratonas. Musculação pesada está proibida, pois durante os exercícios o sangue do organismo é direcionado para os músculos, diminuindo a circulação sanguínea para órgãos reprodutores.

Bebidas alcoólicas (Veja mais aqui): tanto o homem como a mulher, não devem consumir. Se isso não for possível, o limite é: uma taça de vinho ou uma caipirinha, ou uma dose de whisky ou uma lata de cerveja 2 vezes por semana. Tanto na mulher quanto no homem a bebida alcoólica interfere negativamente na fertilidade. Na mulher, nos hormônios femininos, causando problemas de ovulação, aumentando o risco de aborto e complicações na gestação e na saúde do bebê.
Café: tem efeito negativo sobre a fertilidade pelo aumento de radicais livres. É recomendado uma ou no máximo duas xícaras por dia. O café descafeinado está liberado.

Fumo – cigarro (Veja mais aqui): vários estudos científicos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva. A fumaça do cigarro contém centenas de substâncias tóxicas, as quais afetam a função reprodutiva em vários níveis, como a produção dos espermatozoides, motilidade tubária (importante para a captação do óvulo que sai do ovário no momento da ovulação), a divisão das células do embrião, formação do blastocisto (embrião com mais de 64 células) e implantação. Mulheres fumantes também podem apresentar maior incidência de irregularidade menstrual e amenorreia (falta de menstruação). A fertilidade é reduzida em 25% nas mulheres que fumam até 20 cigarros ao dia, e 43% naquelas que fumam mais de 20 cigarros; ou seja, o declínio da fertilidade tem relação direta com a dose de nicotina. Durante a gestação, o fumo pode aumentar a incidência de placenta prévia (placenta baixa), descolamento prematuro da placenta e parto prematuro. Leia, abaixo, um artigo especial sobre esse assunto.

Efeitos do cigarro sobre a fertilidade (publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva – ASRM)

• Homens e mulheres fumantes têm chance três vezes maior de sofrer de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam;
• Tentando estabelecer uma relação causal, os estudos atuais mostram que 13% da infertilidade feminina pode ser atribuída ao cigarro – lembrando que fumar dez cigarros por dia já é o suficiente para prejudicar a fertilidade;
• Mulheres tabagistas crônicas entrarão mais cedo na menopausa (um a quatro anos antes), o que pode ser atribuído à aceleração da diminuição do estoque de óvulos;
• O hábito de fumar está associado a um aumento no risco de abortamento (aumenta em até 27%) e de gravidez ectópica (gravidez nas tubas);
• Fumar na gravidez prejudica a fertilidade do bebê, caso seja homem;
• Filhos de mães fumantes têm dificuldade no aprendizado escolar;
• Filhos de pais fumantes têm maior chance de desenvolver câncer;
• Mutação genética é um possível mecanismo pelo qual o cigarro pode afetar a fecundidade e a função reprodutiva;
• Estudos científicos demonstraram que mulheres fumantes necessitam de duas vezes mais tentativas de fertilização in vitro que as não fumantes, além de necessitarem, nos tratamentos, de uma quantidade maior de medicamentos;
• Homens que fumam tem muito mais espermatozoides anormais que os não fumantes, e a porcentagem de espermatozoides anormais está diretamente ligada ao número de cigarros fumados por dia.

Fumantes passivos (tanto homens como mulheres) com exposição excessiva ao cigarro também têm maior incidência de todas as alterações descritas acima.

Drogas recreativas (veja mais aqui): Entre os mais detestáveis produtos que afetam a fertilidade do homem e da mulher, estão as drogas ilícitas – também chamadas, por alguns, de uma maneira mais amena, “drogas recreativas”. São todas estas: maconha, cocaína, heroína, ecstasy, LSD, crack, narguile, santo daime, merla (obtido da pasta da coca), GHB (gamahidroxibutirato), special K e cogumelos. Todas agem na atividade do cérebro que está intimamente ligada às funções reprodutivas e, por isso, podem causar infertilidade e problemas graves na gestação e ao bebê.

4) Redução da carga de estresse

Não é uma tarefa fácil, pois nós vivemos quase obrigatoriamente os estresses causados pelo cotidiano, como o trânsito da cidade, notícias ruins pelos jornais, rádio e televisão, problemas comuns no trabalho e muitas vezes de pessoas da família ou próximas a nós. Entretanto, quando os pacientes sentirem que o seu nível de tolerância às frustrações da vida é pequeno, ou mesmo que o desejo de gravidez é grande demais e o bebê que ainda não veio está causando sofrimento exagerado ou fora do controle, devem procurar técnicas de relaxamento que se adaptem ao seu perfil: ioga, acupuntura, medicina chinesa, distração, lazer, esporte ou apoio psicológico. Seja qual for a escolha, o importante é tentar diminuir essa sobrecarga emocional. Isso facilitará a gestação.

5) Consulta prévia com ginecologista (exames)

O ponto de partida é a consulta de rotina com o ginecologista. Será ele que fará a análise da saúde clínica e ginecológica da paciente e também de seu parceiro. É nessa avaliação que serão solicitados os exames rotineiros que investigam doenças infecciosas que possam interferir na gravidez, como toxoplasmose, citomegalovírus e outras. Quando necessário, será indicada a imunização prévia (vacina) para doenças que ponham em risco a gestação, como rubéola, hepatite e outras. É o ginecologista que indicará o uso de suplementos nutricionais como o ácido fólico e poderá diagnosticar doenças como endometriose ou problemas mais graves que podem influenciar ou ser influenciados pela gestação. Alterações como diabetes, problemas de tireoide e anemia, entre outros, devem ser tratados antes da concepção. Histórico de DST´s – Doenças Sexualmente Transmissíveis – também podem afetar, e são responsáveis por 25% das causas de infertilidade – 15% para as mulheres e 10% para os homens. Podem ser causadoras de gravidez tubária (gravidez fora do útero) e infertilidade por causarem alterações anatômicas que distorcem a anatomia dos órgãos reprodutores.

No grupo das DST´s que comprometem mais diretamente o sistema reprodutivo estão a clamídia e a gonorreia que, principalmente nas mulheres, podem passar despercebidas. É importante que os homens também tenham consciência disso, pois os seus sintomas podem ser ainda mais “silenciosos” e acontecer de passar anos sem que tais doenças sejam diagnosticadas. Quando os sintomas aparecem, frequentemente são: uretrite (ardor ao urinar), prostatite (infecção da próstata) e epididimite (infecção no epidídimo – local onde ocorre a maturação dos espermatozoides e que está situado entre os testículos e a uretra). Essas alterações podem prejudicar a qualidade do sêmen.

Imunologia e Trombofilias

Algumas pacientes podem ter problemas imunológicos ou fatores hereditários não diagnosticados nos exames de rotina, nas consultas ginecológicas, a não ser que já demonstre essa tendência no histórico familiar. Doenças autoimunes, como tireoidites ou outras semelhantes, associadas com a presença de anticorpos, podem impedir a implantação ou o desenvolvimento endócrino, causando abortos.
As trombofilias causam formações de microcoágulos ou pequenos vasos e também podem impedir a implantação dos embriões ou causar abortos repetidos. Pacientes com histórico ginecológico ou familiar de embolia ou trombose têm uma grande possibilidade de ter esse tipo de problema, cujo tratamento é feito com anticoagulantes. As trombofilias mais comuns são etilenotetrahidrofolato Redutase (MTHFR), fator V de Leiden, Proteína S e Proteína C.

Portanto, considerando a longa espera por uma gestação, que vem causando agressões físicas, psicológicas e financeiras ao casal, concluímos que é fundamental a conscientização dos fatores que podem impedir a gravidez, assim como o esforço conjunto para evitá-los.

“A gestação é um período mágico. O nascimento de um bebê é um momento sagrado. Nada é tão importante para os pais como ter filhos saudáveis e felizes. A partir daí, o detalhe da concepção passa a ter um valor ínfimo, de importância menor, só uma história, pois o que importa é a família”, afirma o Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi.

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