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Corrimento vaginal, leucorréia, conteúdo vaginal ou fluxo vaginal é um tipo de secreção que sai pela vagina em quantidade variável e com caracterÃsticas diversas. Pode ser normal, chamado de “corrimento fisiológico”. Neste caso tem aspecto transparente ou branco, sem odor, e aspecto de muco.
É uma queixa bastante comum no cotidiano das mulheres, e as causas podem ser benignas, que não necessitam de tratamento, ou infecções que podem ser tão graves exigindo até mesmo a internação. Em casos extremos, até cirurgia. São os casos de doença inflamatória pélvica, chamada simplesmente pela sigla DIP. O corrimento é proveniente da vagina ou do colo uterino e pode ser classificado de corrimento de causas não-infecciosas e infecciosas.
Entre as causas não-infecciosas estão as alterações do perÃodo menstrual, transpiração vaginal excessiva, perÃodo de excitação sexual, gestação, alergia, ou seja, condições naturais, sem maiores repercussões clÃnicas.
Durante algumas fases do ciclo menstrual, a mulher pode normalmente apresentar padrões diferentes de corrimento. Um exemplo é o que ocorre no perÃodo de ovulação (na metade do ciclo, ou cerca de 14 dias após a última menstruação) quando aparece um muco claro, transparente, viscoso, semelhante à clara de ovo. Outro exemplo é o que ocorre alguns dias antes da menstruação, em que surge um muco mais espesso, por vezes esbranquiçado, semelhante ao que ocorre em gestantes.
A alergia pode se manifestar com um corrimento fluido, associado a sintomas como ardor e vermelhidão na região da vagina e vulva, e pode estar associada ao uso de absorventes Ãntimos e roupas Ãntimas sintéticas (lycra). O corrimento após relação sexual pode ser bastante fluido, em quantidade que varia entre as mulheres, conforme a lubrificação vaginal durante a relação.
Antes de descrever as causas infecciosas, vale a pena ressaltar algumas caracterÃsticas da vagina. Além da ação fisiológica dos hormônios (essencialmente estrógeno e progesterona), existe a ação de bactérias e fungos que vivem normalmente em equilÃbrio no ambiente das células da parede vaginal. Esta flora (como é chamada) confere um grau de acidez adequado à vagina, protegendo contra infecções por agentes patogênicos. São os “soldados” protetores da vagina.
Caso haja algum desequilÃbrio entre os componentes da flora vaginal, os agentes que se encontram em menor quantidade (5%) podem se reproduzir e, de acordo com o mais prevalente, haverá um conjunto de sintomas, entre eles o corrimento. Esse desequilÃbrio pode ser conseqüência de uso prolongado de antibióticos ou corticóides, doenças sistêmicas como o diabetes, baixa imunidade por carência alimentar, entre outros.
Por outro lado, também pode haver infecção por microorganismos que não fazem parte da flora vaginal, através da via sexual, causando corrimento que, dependendo do agente infeccioso, causará alterações não apenas da vagina, mas também do útero, das tubas uterinas e comprometimento da fertilidade feminina.
Assim, as infecções mais comuns são:
Causada pelo fungo Candida albicans, manifesta-se com prurido (coceira) em região genital, aspecto avermelhado de vagina e vulva e corrimento esbranquiçado semelhante a um “leite coalhado”; não há odor caracterÃstico e ocorre piora com o uso de roupas apertadas, umidade e calor. Muito comum em gestantes e diabéticas.
Também conhecida como monilÃase, é uma infecção genital e está entre as causas mais comuns de infecção do trato genital feminino. Embora pertença à flora normal da vagina, certas situações fazem com que esse fungo se multiplique rapidamente tornando-se patogênico, ou seja, causando a candidÃase. Cerca de 90% das mulheres podem ser infectadas pela candidÃase vaginal ao menos uma vez na vida. E é bom saber que essa infecção não é transmitida exclusivamente pelo contato sexual. Mas, então, quando e por que a candidÃase aparece? Ela acontece quando a resistência do organismo sofre algumas alterações, e por esta razão o sistema que cuida das defesas do corpo (o sistema imune) fica vulnerável à s infecções.
Assim, a candidÃase vaginal pode acontecer nos perÃodos de:
Quando ocorre a diminuição da quantidade de hormônios femininos (estrogênio e progesterona), tornando a mucosa vaginal menos resistente aos microorganismos.
Quando o aumento dos nÃveis de estrogênio torna o meio vaginal favorável ao desenvolvimento da cândida:
Durante o ato sexual, a mulher com candidÃase pode transmitir a infecção ao parceiro, que dificilmente desenvolve os sintomas. Embora o homem possa apresentar apenas pequenas manchas vermelhas no pênis, ele acaba se tornando um reservatório da doença, podendo infectar novamente a parceira, mesmo quando esta já estiver curada.
Daà a fundamental importância de o casal seguir, junto, o tratamento médico
prescrito para a candidÃase.
Para manter-se longe da candidÃase, algumas dicas práticas devem ser observadas com atenção no dia-a-dia:
Causada por bactérias que normalmente estão em pequena quantidade na vagina, mas quando provocam a infecção predominam em mais de 90%. Manifesta-se com corrimento branco acinzentado, fluido, de cheiro forte, que piora durante a relação sexual e durante a menstruação, caracterizando-se como “odor de peixe” agressivo. A bactéria mais freqüente é a Gardnerella vaginallis. As outras são: Mycoplasma, Mobiluncus, Peptoestreptocus. Existem outras, mas de menor importância.
Protozoário de transmissão principalmente sexual, que infecta a vagina e o trato urinário baixo (uretra e bexiga) na mulher, e o trato urinário baixo nos homens. Caracteriza-se com coceira, corrimento amarelado, malcheiroso, com pequenas bolhas; há vermelhidão na mucosa da vagina. No homem, é assintomático. O tratamento deve ser imposto para a mulher e seu parceiro.
Esta bactéria é adquirida principalmente por via sexual. A infecção pela vagina pode subir para o útero e tuba uterina. Na maioria das pacientes não existem sintomas. As manifestações clÃnicas, quando existentes, são: a presença de muco com aspecto de pus, amarelado, dor durante a relação sexual, irregularidade menstrual e alterações constatadas no exame ginecológico (vagina com parede avermelhada, edemaciada, friável). Em um quadro mais grave, pode haver dor abdominal e pélvica de forte intensidade. Dentre as repercussões clÃnicas, pode haver desde dor pélvica crônica até maior chance de gravidez tubária, ou até mesmo infertilidade.
Causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, é transmitida por via sexual. O perÃodo de incubação é de três a sete dias. A infecção pode ser sintomática ou não, tanto da vagina quanto da uretra. Como a infecção por Clamydia, é doença ascendente, isto é, inicia-se pela vagina, podendo causar comprometimento do útero e tubas. Pode alcançar a cavidade abdominal, fÃgado e baço, trazendo um quadro de dor abdominal intensa e grave comprometimento clÃnico. A infecção baixa mostra-se com corrimento vaginal amarelo-esverdeado, purulento e abundante; pode haver corrimento uretral, mas é mais comum nos homens.
A infecção por Clamydia e por Neisseria é abordada também no capÃtulo 8, referente à s DST (Doenças Sexualmente TransmissÃveis).
O diagnóstico do agente causador do corrimento é feito pela história clÃnica, aspecto (cor e ardor) e exames laboratoriais. Um médico experiente pode algumas vezes dispensar os exames complementares, pois, na grande maioria das vezes, um exame ginecológico e o aspecto visual do corrimento já são suficientes para a conclusão
diagnóstica. Entretanto, em alguns casos até exames de sangue são necessários.
O tratamento das infecções é feito através de antibióticos especÃficos, por via oral, e/ou por pomadas aplicadas na vagina. Medidas como usar roupas menos apertadas, higiene local (sem excessos, para não alterar a acidez da vagina), higiene após relação sexual e outras podem ajudar na prevenção das infecções. Aquelas sexualmente transmissÃveis devem também ser tratadas com antibióticos especÃficos. Durante o tratamento deve haver abstinência sexual e evitar bebida alcoólica. Na maioria das vezes, o tratamento é concominante ao do parceiro.
Finalizando, o corrimento vaginal pode estar relacionado com muitas patologias não citadas, como partos difÃceis, ou até neoplasias, mas também pode ser manifestação normal na mulher. É necessário prestar atenção ao aspecto do corrimento, se ele sempre ocorreu ou se teve inÃcio recentemente, se há outros sintomas associados, ou alguma sintomatologia no parceiro sexual.