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“Deus escreve certo por linhas tortas” – Beatriz e Arthur

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Em alguns momentos somos forçados a buscar explicações para tentar amenizar nossos sofrimentos e chegamos até a duvidar de que “Deus escreve certo por linhas tortas”.
Eu e meu marido nos unimos bem cedo, eu com 19 e ele com 20 anos. Com um maravilhoso relacionamento, nos apoiávamos enquanto construíamos o nosso futuro que sempre enchia os nossos corações de muitos sonhos e objetivos. Entre eles, existia o desejo de sermos pais, pois tanto eu quanto ele sempre fomos apaixonados por crianças. O amor era tão grande que meu marido decidiu fazer Medicina e se especializar em Pediatria.

Aos 28 anos, quando terminou a faculdade, nossa vida a dois estava mais estabilizada, já estávamos mais maduros para viver o que tanto sonhávamos. Decidimos que havia chegado o melhor momento e que teríamos um filho. Eu procurei o meu ginecologista e realizei todos os exames necessários para que eu tivesse a certeza de que tudo estava bem e que eu poderia ser mãe. Para nossa felicidade, tudo estava dentro da normalidade, e muito felizes acreditávamos que o próximo passo era o pré-natal.

Estávamos dando início a um longo período de lutas para a realização de um sonho, mas ainda não sabíamos disso. Todo mês era uma nova frustração quando eu menstruava e eu sentia muita angústia e decepção. O tempo foi passando e nada acontecia, até que após um ano e meio de espera, meu marido decidiu realizar um espermograma a fim de verificar se tudo estava bem com ele também, pois comigo já sabíamos que estava.

Foi então quando para nossa surpresa, meu marido descobriu que produzia baixa quantidade de espermatozóides. Ficamos espantados com o resultado do exame, e meu marido, não se conformando com a notícia, disse que como havia feito plantão no dia anterior ao exame, o estresse poderia ter-lhe causado essa alteração. Naquele momento procurávamos acreditar em qualquer coisa que nos desviasse de uma traumática descoberta.
Ele refez o exame e ficamos na expectativa de vir um resultado diferente do anterior, mas para o nosso desespero o problema foi confirmado, e naquele momento meu marido sentiu muito medo de nunca ser pai. Logo os questionamentos começaram e os “porquês” não saíam dos pensamentos do meu marido. Ele dizia que era muita ironia ser pediatra, cuidar de crianças e não ter a chance de ter a sua.”
Muito chateado, decidiu procurar um tio que tem uma clínica especializada em reprodução humana. Lá fomos informados de que a nossa única saída seria a Fertilização In Vitro. Não tínhamos muito conhecimento sobre o assunto e ficamos um pouco assustados, principalmente quando nos informaram o valor do tratamento. Porém, aquela era a nossa única chance, e por isso decidimos enfrentar e dar início à nossa primeira tentativa.

Apesar de estarmos entre pessoas conhecidas, não confiávamos na clínica e na equipe que estava acompanhando o nosso tratamento. Desde o início sentimos que não estávamos sendo amparados da forma como necessitávamos, e além disso houve muitas falhas durante o procedimento, que nos deixaram ainda mais inseguros. O que nos deixou mais impressionados e certos de que estávamos na clínica errada foi quando vimos o médico realizar a transferência dos embriões sem utilizar luvas. Ficamos decepcionados com tamanha falta de cuidado com uma coisa tão sensível.
Esses detalhes nos deixaram chateados, mas com o coração cheio de esperança, preferimos manter os pensamentos positivos, acreditando que tudo daria certo. Mas o desespero logo apareceu, me surpreendendo com a chegada da menstruação bem no dia do aniversário de meu marido. Ficamos arrasados, principalmente por termos recebido o fracasso em uma data que deveria ser especial para mim e principalmente para ele, que ficou inconsolável e começou a duvidar da existência de Deus. Pensava apenas em perguntas que não tinham respostas e dizia que estava cansado de sempre ouvir: “Calma, a sua hora vai chegar. Deus escreve certo por linhas tortas!” Apesar de muito chateado, em pouco tempo já queria partir para uma nova tentativa, desta vez em outra clínica, sem vínculo nenhum com a família.
Descobrimos o Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, e já na primeira consulta sentimos muita confiança na equipe, que nos recebeu com muito carinho. Toda a parte humana que nos faltou na tentativa anterior foi oferecida a nós com muito respeito e dedicação. Muito felizes com uma nova possibilidade, decidimos dar início à nossa segunda tentativa, desta vez sem que a família soubesse de nada. A partir daquele momento tínhamos apenas um ao outro para desabafar, se apoiar e encontrar forças para suportar e vencer aquele obstáculo.

Dei início às medicações que eram necessárias durante todo o tratamento, incluindo as injeções. Estávamos esperançosos, porém com os pés no chão. Tentamos ao máximo ter controle da situação para evitar que sentíssemos tudo o que havíamos sentido na tentativa anterior.
Após a transferência, veio a grande espera pela confirmação. Decidi realizar o exame um dia antes, pois a data agendada cairia em um sábado e eu não queria esperar pelo final de semana para saber se estava grávida ou não. Para o meu desespero, o resultado foi negativo. Eu fiquei sem chão e não conseguia pensar e nem fazer outra coisa senão chorar e colocar todo o meu desespero para fora. Durante o procedimento, eu tive algumas complicações decorrentes do hiperestímulo na ovulação. Por este motivo, sabia que a tentativa tinha mais chances de não dar certo, mas em todo o tempo me mantive confiante, sempre pensando positivo.
Meu marido novamente ficou muito chateado, mas o nosso sonho era mais forte do que qualquer dor e sofrimento que pudéssemos sentir. Nada nos fazia desistir da maternidade. Em pouco tempo demos início à nossa terceira tentativa.

Esse foi um momento muito difícil, com uma mistura de sentimentos muito grande, como dor, angústia e principalmente culpa. Meu marido sentia-se extremamente culpado e não achava justo eu ter de passar por tudo aquilo por sua causa. Para ele era muito difícil entender por que eu tinha de me submeter às injeções e inúmeros comprimidos se o problema estava nele. Apesar da dificuldade, esse momento foi marcante em nossa trajetória, pois existiu muita compreensão entre nós dois, como casal. Ficamos muito mais unidos. Eu sempre dizia que o problema era nosso, não dele. Graças a Deus conseguimos vencer essa fase, e até hoje meu marido diz que a minha atitude foi o maior ato de amor que um marido pode receber.

Nessa tentativa na qual seriam utilizados os óvulos congelados excedentes do tratamento anterior, foram introduzidos alguns medicamentos alternativos que poderiam melhorar a qualidade do seu esperma, o que realmente ocorreu. Essa mudança ajudou bastante, deixando-o mais ativo no tratamento e ajudando-o a diminuir o sentimento de culpa que insistia em permanecer em seu coração. No dia da transferência nos enchemos de esperança por saber que os embriões estavam ótimos. Foram dias de grande apreensão na espera pelo dia do exame, mas estávamos confiantes mais do que nunca. A ansiedade foi tão grande, que não me contive e sem ele saber realizei o exame um dia antes do combinado.

Logo depois me dirigi à clínica, e quando me perguntaram sobre o exame que seria feito no dia seguinte, disse que já tinha feito pela manhã. Em seguida, me pediram o protocolo do mesmo, e depois de algum tempo de espera, fui supreendida com a presença do Dr. Arnaldo, dizendo: “Parabéns! Você está gravidíssima!” Senti tanta emoção com aquela notícia, que saí abraçando todos que estavam na clínica, até mesmo os que nunca tinha visto antes.
De noite, quando estava próximo do horário que ele chegaria em casa, fiquei deitada na cama, com o quarto escuro, me esforçando para deixar o meu semblante triste e carregado. Assim que ele chegou, ao me ver naquele estado, logo imaginou que a tentativa não tinha dado certo. Sem dizer nada, dei um embrulho a ele, que continha uma roupa de bebê, juntamente com o resultado positivo. Nos abraçamos fortemente, e sem dúvida aquele foi um momento inesquecível. Eu disse a ele: “Conseguimos! Você vai ser papai!”

Curtimos cada dia da minha gravidez. Depois de tudo o que passamos com a chegada desse presente, meu marido pôde entender que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Fomos contemplados com gêmeos, uma possibilidade que jamais imaginamos que pudesse acontecer.
“É crucial que o relacionamento do casal seja forte e maduro para enfrentar os diversos fracassos que estamos sujeitos a enfrentar durante todo o tratamento. O amor que um sente pelo outro, juntamente com o de Deus, fará com que alcance a realização do seu maior sonho, por mais difícil que isso possa parecer.”

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