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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Deus me devolveu o que um dia tiraram de mim

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Márcia, dona Ângela (mãe) e Caio

Minha mãe diz que desde pequena sempre fui muito contente, conquistando a todos que me rodeavam com a minha meiguice e simpatia. Ela diz que eu já acordava sorrindo, com uma alegria contagiante. Acredito que Deus dá à nossa personalidade características que se baseiam no destino que nossas vidas terão. Talvez o excesso de alegria me foi concedido para que eu conseguisse vencer tudo o que haveria de passar. Cresci cuidando de crianças, que me encantavam e me apaixonavam mais e mais a cada dia que eu convivia com elas. Ficava encantada com a linda inocência desses seres que sempre nos impressionam.

Aos 15 anos conheci um rapaz que morava próximo da minha casa, com quem muito me identifiquei. Gostávamos das mesmas coisas, tínhamos os mesmos pensamentos e nos dávamos muito bem. O amor foi crescendo juntamente com o carinho, amizade e companheirismo. Casamos em poucos meses por conta de uma gravidez, mas esta mudança de planos não nos perturbou, pois mesmo com nada planejado, a nossa união era como um sonho a se realizar.

Certo dia, já com quase oito meses de gravidez, eu e meu marido fomos visitar minha irmã, e no retorno para casa aconteceu um fato que marcou e mudou a minha vida para sempre. Paramos o carro na porta do meu prédio e logo eu vi um grupo de quatro rapazes caminhando pela rua, parecendo não ter rumo. Nada me chamou a atenção, mas quando eu abaixei para tirar o som do carro, antes mesmo de me levantar, ouvi o barulho ensurdecedor de tiros e mais tiros, que eram disparados seqüencialmente contra o meu marido, que estava ao meu lado. Fiquei sem reação e as imagens que eu estava vendo e presenciando pareciam passar em câmera lenta, de tão trágicas e inacreditáveis. Logo percebi que também havia sido atingida, por conta de fortes pressões que comecei a sentir no peito e em meu ventre.

Olhei para o meu marido, que estava imóvel, de olhos abertos e coberto de sangue, e mesmo muito assustada com toda a situação, eu sabia que tinha que sair daquele carro e salvar a minha vida e a vida do meu filho, ainda tão pequeno e indefeso. Sentia muito medo de que os quatro monstros voltassem para terminar o que começaram, mas logo avistei um ônibus que vinha em minha direção e não pensei muito antes de me lançar à frente do veículo, pedindo que me socorressem. Apesar de eu estar na frente do meu prédio, preferi não pedir ajuda à minha mãe, pois sabia que a deixaria muito assustada. Quando fui iluminada pelos faróis, o motorista vendo o meu estado, acelerou, talvez com medo, mas decidiu parar ao ouvir meus gritos de desespero. Minhas mãos, lambuzadas de sangue, escorregavam e mal permitiam que eu me apoiasse no ônibus para subir os degraus.
Em seguida, pedi que o cobrador ligasse para a casa da minha irmã, para avisá-la que estavam me levando para o hospital. Minha barriga doía muito e cada minuto que passava, mais dura ela ficava. Chegando ao Pronto-Socorro, ainda acordada, lutava contra os meus olhos, que insistiam em fechar. Entre muita gritaria, conseguia ouvir e discernir a voz da minha irmã, que pedia desesperadamente para eu agüentar firme e não dormir. Me mantive forte e só apaguei após a anestesia.

Apenas no primeiro dia de internação tive três paradas cardíacas e fui operada duas vezes. Minha irmã procurava acompanhar cada passo dos médicos, que permitiam que ela ficasse por perto, por ser auxiliar de enfermagem. Minha mãe apenas lutava para conseguir dormir e acordar de tudo aquilo que nada mais era do que um real pesadelo em nossas vidas. No dia seguinte após a minha internação, ela se dirigiu ao hospital, e ao pedir informações sobre mim, foi surpreendida com a notícia de que eu havia falecido. Lhe pediram todos os meus documentos, e ainda muito abalada, prometeu para si mesma que daquele dia em diante jamais pronunciaria o nome de Deus. Porém, foi este Deus que agiu minutos depois, quando uma pessoa do hospital a procurou, se desculpando por terem cometido um engano quanto ao meu estado. Na verdade, sua filha, eu, ainda estava viva.
Sofri mais uma cirurgia e fiquei internada na UTI por quase um mês, onde me mantive desacordava a todo momento. Minha mãe, grande amiga, fazia companhia para o meu sono que parecia nunca ter fim. Cuidava de mim e cultivava as esperanças de que eu sairia daquele hospital para dar continuidade à minha vida, que tinha sido interrompida por aquela desgraça.

Após longos dias, eu finalmente acordei. Ao abrir meus olhos, minha mãe foi a primeira pessoa que eu vi e não pensei duas vezes antes de perguntar pelo meu marido e pelo meu filho. Apesar de confusa e com o coração apertado, fiquei tranqüila ao ouvir que ambos estavam internados, mas se recuperando, assim como eu. Depois de alguns dias, eu já estava bem melhor, dando os meus primeiros passos após longos dias deitada em uma cama. Para minha grande felicidade, a médica me disse que em poucos dias eu teria alta e voltaria para casa, mas também, para minha grande infelicidade, fui noticiada sobre as minhas perdas.

Minha mãe tinha mentido para mim, porque eu não podia ter fortes emoções devido ao meu estado. A verdade era que meu marido havia falecido, assim como o meu filho, que no mesmo dia foi tirado de mim, em uma das minhas primeiras cirurgias. Infelizmente, nenhum dos dois resistiu à tragédia, assim como meu útero, que também teve que ser retirado. Fui tomada por grande angústia e frustração. Perdi a vontade de viver e não tinha forças e nem ânimo para me recuperar e reconstruir o que havia sido destruído.

Desde aquele dia, o sorriso, sempre presente em meu rosto, foi substituído pelas lágrimas que incessantemente encharcavam a minha face e meu coração. Os médicos que se revezavam entre os plantões seguravam minhas mãos e cantavam para que eu dormisse, mas nenhum deles poderia trazer de volta a realização que eu quase havia alcançado: ser mãe. Psicólogos e psiquiatras movimentavam a enfermaria e me enchiam de palavras de consolo, de ânimo e de estímulo, mas não recebiam nenhuma reação minha, senão o incessante desejo de ter o meu filho e o meu sonho de volta.

Assim que eu saí do hospital, minha mãe pediu que eu me esforçasse para me recuperar, pois mudaríamos de cidade e reconstruiríamos tudo o que o destino nos tirou. Porém, em pouco tempo eu tive que ser internada novamente com risco de infecção generalizada. Estava muito magra e quase careca por conta de uma forte queda de cabelos. Alguns meses depois, já recuperada, eu e minha mãe nos mudamos para o litoral norte de São Paulo, na esperança de fazer nascer em mim o desejo de viver. Eu sempre perguntava a ela se um dia seria possível eu adotar uma criança, e ela sempre dizia que Deus colocaria alguém em meu caminho, que me ajudaria na hora certa. Voltei a estudar e tentei dar continuidade à minha vida, mas em pouco tempo o marasmo da cidade me fez arrumar as malas e voltar para São Paulo.

Logo arrumei um trabalho, e em pouco tempo um novo amor, com quem acabei me casando. Minha vida parecia caminhar, mas o sonho de um dia ser mãe permanecia em meu coração, me enchendo de angústia por saber que era praticamente impossível se realizar. Foi então quando em uma consulta ginecológica, contei a minha história para meu médico, que comovido pediu que eu procurasse um amigo de profissão, que com certeza me ajudaria a conseguir tudo o que eu mais queria na vida.

Em minha primeira consulta com o Dr. Arnaldo Cambiaghi contei-lhe tudo o que havia me acontecido, e para minha felicidade, descobri que ainda existia um caminho para que eu me tornasse mãe: barriga de aluguel. Minha mãe, sempre ao meu lado, disse imediatamente que estava disposta a me ajudar no que fosse preciso. Era perfeito! Finalmente a vida me traria de volta aquilo que um dia me tomaram. Quando contei ao meu marido, ele apoiou, mas não acreditou que fosse possível realizar esse tipo de procedimento aqui no Brasil. Apesar de feliz, a possibilidade lhe parecia algo distante de se realizar. Voltei a sorrir e os meus olhos voltaram a ter o brilho que um dia perderam. Tudo parecia novo e nada era mais importante do que lutar pelo meu tão desejado filho.

Iniciamos o tratamento, e no dia em que os embriões foram colocados no útero de minha mãe, fomos tomados por uma grande ansiedade que nos deixava sem ar. Tínhamos certeza que tudo daria certo e contávamos cada segundo até a chegada do dia do exame. Minha mãe, muito feliz em poder fazer parte do meu sonho, dizia que protegeria seus netos até o momento em que estivessem prontos para nascer.
Finalmente o grande dia chegou e o resultado foi positivo. A felicidade não cabia dentro dos nossos corações, que explodiam de tanta alegria. Como se ainda não bastasse, no segundo ultrassom descobrimos que em alguns meses seríamos presenteados com lindos gêmeos. O que antes nos parecia impossível, se tonou parte da minha vida – ser mãe.

“Jamais deixe de lutar por esta dádiva que transforma a nossa vida para sempre. Não desista nunca, e mesmo se um dia tirarem ou destruírem aquilo que sempre desejou, persevere e confie em Deus, pois Ele fará a sua justiça!”

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