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Doação de Óvulos

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A Medicina Reprodutiva tem feito avanços tecnológicos incríveis, ajudando muitos casais que até há pouco tempo não conseguiriam concretizar o sonho de ter filhos. Há 27 anos nasceu na Inglaterra Louise Brown, a primeira criança proveniente de uma Fertilização In Vitro – Bebê de Proveta – sob os cuidados dos estudiosos

Patrick Stroptoe e Robert Edwards. Desde então as técnicas de fertilização assistida têm avançado com rapidez, beneficiando cada vez mais homens e mulheres com dificuldade para engravidar.

Entretanto, até hoje existem alguns preconceitos em relação a estes tratamentos, que freqüentemente passam por discussões de cunho filosófico, ético e religioso, que muitas vezes procuram travar a evolução científica natural da medicina.

O primeiro caso de gravidez com óvulo congelado ocorreu em 1986. Durante todos esses anos passados e até há pouco tempo os resultados eram muito precários, com uma taxa de gravidez baixa, ao redor de 1%. A justificativa para estes resultados desanimadores estava na técnica de congelamento inadequada para os óvulos.

O óvulo é uma célula mais sensível que as demais, e carrega dentro de si uma quantidade maior de água quando comparada às outras.

Quando se usava a técnica de congelamento habitual, a mesma que era utilizada para o congelamento de embriões, formava-se no interior do óvulo uma grande quantidade de cristais de gelo, os quais danificavam a estrutura da célula e causavam alterações cromossômicas que impediam ou dificultavam a fertilização da maioria dos óvulos, a divisão celular e a implantação dos embriões.

Essa rotina de insucessos foi quebrada há pouco tempo após as pesquisas da ginecologista italiana Eleonora Porcu, da Policlínica da Santa Ursula de Bolonha, na Itália.
Há três anos, quando o congelamento de embriões foi proibido na Itália, a Medicina Reprodutiva foi obrigada a procurar soluções para aproveitar os óvulos excedentes provenientes dos ciclos de fertilização in vitro. A saída foi aprimorar a técnica de congelamento de óvulos.

Após várias pesquisas, a Dra. Porcu e seus assistentes aperfeiçoaram a técnica melhorando os resultados até então obtidos.

Outras técnicas surgiram, como a vitrificação, defendida pelo professor Gary Smith, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que da mesma forma que a anterior vem demonstrando índices de gravidez satisfatórios.

Embora ainda exista um longo caminho para se alcançar a taxa ideal de sucesso, os resultados positivos, atualmente apresentados, já são suficientes para continuarmos indicando este tratamento em casos especiais.

Arthur e Beatriz formam um casal incrível, literalmente feitos um para o outro. Ele, um médico pediatra preocupado com as implicações do tratamento, e culpando-se repetidamente por ser ele o motivo do tratamento de Fertilização, pois tinha poucos espermatozóides.

Ela, uma carioca sem sotaque, simpática e sorridente, de bem com a vida. Quando vieram à primeira consulta já tinham passado por uma tentativa frustrada de Fertilização In Vitro.
Arthur com freqüência penitenciava-se por sentir-se o responsável pelo “sofrimento que causava” à esposa. Beatriz, que já havia tomado medicações na primeira tentativa, em nenhum momento se queixava do processo a que estava se submetendo, e deixava claro que as injeções não a incomodavam.

Tamanha era a insistência de Arthur em se passar por vítima da situação, que em determinado momento fui obrigado a intervir e falar umas palavras que repito com freqüência e que traduzem a realidade do cotidiano, causando efeitos positivos no relacionamento do casal:

– Em infertilidade não existe o problema de um ou de outro. Independentemente da causa que impede a gravidez, o problema é do casal.

No casamento, em todas as situações os verbos devem ser conjugados na primeira pessoa do plural: nós precisamos, nós queremos, nós temos, e não no singular: eu preciso, eu quero, eu tenho. A união do casamento torna o homem e a mulher uma peça única.

Os momentos prazerosos e os momenos difíceis devem ser vividos pelos dois. Hoje é um que tem problema, amanhã poderá ser o outro. A união deverá ser permanente e o apoio deverá ser sempre mútuo. A cumplicidade é fundamental.

Depois desse pequeno discurso, com o qual Beatriz concordou plenamente, ela disse que já estava cansada dessas lamúrias de Arthur e não do tratamento. Depois disso seu marido nunca mais demonstrou esse sentimento.

O que chamou a atenção nesse processo foi que na primeira tentativa de Fertilização realizada (a segunda do casal), os ovários de Beatriz tiveram uma resposta exarcebada ao estímulo ovariano e produziram muitos óvulos.

Com os espermatozóides de Arthur, que eram de má qualidade, foi fertilizada somente parte dos óvulos. A outra parte foi congelada, pois poderia ser útil numa próxima tentativa.

Caso Beatriz engravidasse nesse tratamento, esses óvulos poderiam ser descartados, pois são células e não são considerados seres vivos como os embriões, que devem ser preservados (congelados). Os embriões formados foram de má qualidade e Beatriz não engravidou.

Para a próxima tentativa (a terceira deles), na qual seriam utilizados os óvulos congelados, optou-se por um tratamento alternativo que poderia melhorar a qualidade dos espermatozóides. Tal tratamento é controverso e por isto não foi usado antes, mas desta vez valeria a pena e favoreceria o resultado. E foi o que aconteceu.

Os óvulos foram descongelados, fertilizados e produziram a primeira gestação de gêmeos do Brasil proveniente de óvulos congelados.

Esta história demonstrou a importância da técnica de congelamento de óvulos uma vez que, se todos os óvulos fossem fertilizados ao mesmo tempo na tentativa anterior, os embriões seriam igualmente de má qualidade e não produziriam gravidez.

Com o tratamento alternativo que Arthur recebeu houve melhora da qualidade do sêmen, que produziu embriões melhores. Atualmente, outros casais já engravidaram com óvulos congelados. As indicações para o congelamento de óvulos estão no final deste capítulo.

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