Dois Novos Exames Detectam Riscos de Parto Prematuro
Dois novos marcadores morfológicos ultrassonográficos ajudam a prevenir o Parto Prematuro. A definição de parto prematuro é o nascimento do bebê com menos de 37 semanas de gestação (o ideal é 40 semanas). Ele ocorre em aproximadamente 20% das gestantes e quanto mais precoce for o nascimento, mais graves podem ser as conseqüências.
Estes novos exames, que devem ser feitos preferencialmente durante o ultra-som morfológico de segundo trimestre (20 a 22 semanas de gestação), são representados por imagens ultrassonográficas. São eles:
EGE (Eco Glandular Endocervical) e
SLUDGE (Pontos Hiperecogênicos ou “Reluzentes” na cavidade uterina semelhante a um “barro” do liquido amniótico – “Sludge” é uma palavra do idioma inglês que significa em português barro, lama). O primeiro exame consiste na avaliação das glândulas que estão normalmente no colo uterino (ou canal cervical) – região terminal do útero que está em contato com a vagina e que se dilata durante o parto. Quando estas glândulas deixam de ser visibilizadas pelo ultra-som, significa que esta havendo um processo de maturação antecipada do colo uterino e por isto há um maior risco de parto prematuro. O segundo – SLUDGE – mostra um depósito de pontos em massa próximos ao canal cervical e está também relacionada a uma maior chance de parto prematuro, além de, muitas vezes, sugerir processos infecciosos dentro do útero, próximo ao bebê (corioamnioite). Estes marcadores devem ser avaliados juntamente com o comprimento do colo uterino, que já vem sendo realizado há algum tempo pela maioria das clínicas de ultra-som.
O Parto Prematuro é responsável por 28% das causas de morte neonatal (Revista Brasileira de Ginecologia E Obstetrícia, Vol, 27 n° 6). Bebês que nascem com menos de 24 semanas de gestação têm índice de sobrevivência de 5% e, mesmo assim, podem levar, para toda a vida, seqüelas irreparáveis como a cegueira, surdez e outras complicações neurológicas causando um alto índice de invalidez, além de aumentar muito o custo econômico das internações, enquanto estiverem sob os cuidados intensivos até atingirem o peso e a saúde desejada.
O diagnóstico precoce do risco de parto prematuro é fundamental, pois, medidas preventivas como repouso, medicamentos e até pequenas cirurgias (cerclagem) podem evitar essa complicação. Quanto mais cedo for detectado um fator de risco para parto prematuro, maior será a chance de evitá-lo.
O histórico da paciente tem muita importância para o diagnóstico, visto que uma das principais causas do parto prematuro é a prematuridade prévia. Outros fatores de risco são: Malformação uterina, miomas, cirurgias ginecológicas, tabagismo, alcoolismo, pequena estatura, pouca idade, idade avançada, infecções e outras. Até hoje os únicos exames complementares que existiam para este diagnóstico era o marcador bioquímico chamado fibronectina, realizado no muco cervical – de difícil aquisição (é importado), de pouca fidelidade e por isto pouco utilizado - e o comprimento do colo uterino, já explicado anteriormente.
O
EGE e o
SLUDGE, mais os exames que até hoje são realizados, podem alcançar até 80% do diagnóstico precoce de risco de parto prematuro e, com isto, medidas preventivas poderão ser tomadas e as complicações evitadas.
Acreditamos que estes novos marcadores devem ser incorporados à rotina de pré-natal de todas as pacientes principalmente as consideradas com alto risco.
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