Muitos ginecologistas sempre defenderam que a gravidez pode ser benéfica em reduzir a endometriose. Um novo estudo publicado no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology realmente confirma que a gravidez pode, sim, aliviar os sintomas da endometriose. Entretanto, os autores fazem a ressalva que, apesar de melhora dos sintomas durante a gravidez, a maioria tem retorno dos sintomas após a gravidez.

Esse é um achado importante, porque muitas mulheres com endometriose são aconselhadas pelo médico a engravidar o mais rápido possível. Isso pode ser muito estressante para as pacientes, especialmente se elas não estiverem prontas para começar uma família.

“No geral, a gravidez está associada a uma melhora substancial dos sintomas de dor, mas não pode ser vista como uma cura definitiva da doença”, escreveu a médica Daniela Alberico e os coautores do estudo que analisou 131 mulheres.

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Neste estudo, todas as mulheres tinham diagnóstico de endometriose e sintomas de dor pélvica moderada a grave antes de engravidar. Isso incluía cólicas menstruais, dor durante a relação sexual, dor pélvica fora do período menstrual e/ou defecação dolorosa. Além disso, todas tiveram pelo menos um filho.

Os pesquisadores avaliaram as mulheres antes de engravidarem e dois anos após o parto. Em cada visita, examinaram as mulheres clinicamente e por ultrassonografia transvaginal. Eles também pediram que preenchessem vários questionários para avaliar dor, qualidade de vida, estado psicológico e funcionamento sexual.

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Os pesquisadores descobriram que os sintomas da endometriose ocorreram em cerca de um terço das mulheres (37%) dois anos após o parto, sendo necessário novo tratamento clínico ou cirurgia para tratar sua condição. Destas mulheres, a maioria (84%) apresentou pelo menos um sintoma de dor dois anos após o parto.

Por outro lado, os resultados também mostraram que houve uma melhora estatisticamente significativa no estado psicológico e qualidade de vida das mulheres após o parto, mas sem melhorias no aspecto sexual.

Os autores consideram que os benefícios psicológicos da maternidade podem contribuir para essas melhorias, assim como as alterações hormonais que ocorrem no corpo da mulher como resultado da gravidez.

 

Palavra do especialista

Para o médico ginecologista e especialista em Medicina Reprodutiva Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO, afirmar que a gravidez cura a endometriose é um dos maiores mitos sobre a doença: “Gravidez não cura endometriose. Pode amenizar os sintomas, porém, como mostraram os estudos, após alguns meses as chances dos problemas voltarem são muito expressivas. Muitas vezes, a melhora só é possível com a realização da cirurgia e, mesmo assim, não há garantia de cura da doença. Infelizmente, a doença pode voltar com o tempo.