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Estudos recentes confirmam a importância do teste de fragmentação do DNA na avaliação do casal infértil

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Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi
Dr. Rogério Leão

Embora um espermograma completo possa demonstrar normalidade na concentração, mobilidade e na morfologia de Kruger dos espermatozoides, e este seja um exame fundamental que pode nortear os tratamentos de infertilidade, em muitos casos, os resultados obtidos, mesmo que normais, podem ser insuficientes para concluir a saúde reprodutiva total do homem.

A pesquisa da fragmentação do DNA do espermatozoide complementa os exames avançados, e quando seu resultado estiver alterado, poderá ser responsável pela dificuldade de engravidar, pelos insucessos dos tratamentos de fertilização in vitro e causa de abortos.

Quando as taxas de fragmentação forem superiores a 30% , a chance de sucesso de gestação natural e dos tratamentos de Fertilização Assistida, será menor. Em 2006, já havia sido publicada uma revisão de literatura que concluía que a fragmentação de DNA aumentada no sêmen está relacionada a uma menor taxa de gravidez espontânea, por inseminação ou fertilização in vitro (EVENSON & WIXON, 2006).

Em fevereiro de 2011, uma nova revisão foi publicada mostrando as mesmas conclusões, além da associação da fragmentação alterada a abortos de repetição (ZINI, 2011). Mais recente, em março de 2011, foi publicado um novo estudo realizado nos EUA, que analisou 233 casais submetidos à fertilização ou inseminação, avaliando a fragmentação do DNA das amostras de sêmen. Concluíram que pacientes com fragmentação aumentada tiveram mais abortos (KENNEDY et al, 2011).

As causas mais comuns desta alteração são o estresse oxidativo, dieta inadequada, poluição, fumo, idade avançada, drogas e outras ainda em estudo. A erradicação destas causas pode melhorar este problema, mas, se isto não for suficiente, o tratamento com medicamentos antioxidantes pode ajudar a reverter o processo. Em alguns casos podem ser prescritos antibióticos e, em situações extremas, poderá ser necessária a punção dos espermatozoides, diretamente do testículo.

O IPGO já vem adotando a pesquisa de fragmentação de DNA como rotina na investigação do casal infértil ou com abortos de repetição.

REFERÊNCIAS:

1. Evenson D, Wixon R. 2006. Meta-analysis of sperm DNA fragmentation using the sperm chromatin structure assay. Reprod Biomed Online. Apr;12(4):466-72.

2. Kennedy C, Ahlering P, Rodriguez H, Levy S, Sutovsky P. 2011. Sperm chromatin structure correlates with spontaneous abortion and multiple pregnancy rates in assisted reproduction. Reprod Biomed Online. Mar;22(3):272-6.

3. Zini A. 2011. Are sperm chromatin and DNA defects relevant in the clinic? Syst Biol Reprod Med. Feb;57(1-2):78-85.

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