Encontre-nos nas redes sociais:

Instagram da IPGO

Use o sistema de busca.

“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

“Felicidade em dose dupla”

Home » “Felicidade em dose dupla”

Fábia e Francisco

Durante minha juventude, sempre pensava na maternidade quando eu estivesse casada, estabilizada e com uns 30 anos, mas nunca consegui me ver no estado grávida, barriguda. Assim que me casei, eu e meu marido pensávamos em ter filhos depois de uns seis anos. Não planejávamos esse momento, como muitos casais. Sabíamos que fazia parte do contexto da vida e que no momento certo aconteceria. Por muitos anos ocupamos o nosso casamento com muitas viagens e passatempos a dois.

Quando me casei, aderi ao uso do DIU como contraceptivo, mas após três anos, depois de muitas cólicas e alguns efeitos colaterais, não usei mais e nem o substituí. Mesmo não tomando nenhum tipo de cuidado, não nos preocupávamos com uma possível gravidez. Se viesse seria ótimo, e se não viesse, ótimo também. Até aquele momento, ter ou não ter filhos não nos fazia muita diferença. Foi então quando, após dois dias de sangramento, fui ao banheiro e tive um aborto espontâneo. Não sabia que estava grávida e tive que ficar internada em plena noite de Natal. O meu clínico chegou a comentar com a gente que eu poderia ter endometriose, mas nos garantiu que eu conseguiria engravidar novamente, pois a curetagem havia sido bem positiva. Não levamos a hipótese adiante e não demos importância ao que ele falou. Deixamos de lado, até mesmo pelo trauma que estávamos vivendo, pois não esperávamos por uma gravidez. Aquela situação nos deixou muito chateados, principalmente porque uma semana após o ocorrido, o pai do meu marido faleceu e isso só aumentou a dor que já estávamos sentindo.

Após um ano, ainda com a ausência de qualquer método contraceptivo, eu não engravidei. Ainda assim eu não me preocupava e nem ficava curiosa em saber o porquê de a gravidez nunca chegar. Na mesma época, passei a sentir fortes cólicas antes de menstruar e decidi procurar um médico. Fui em vários ginecologistas e nada foi constatado. Fomos o primeiro casal entre os nossos amigos a se casar, e com o tempo a falta dos filhos começou a ser sentida por eles e pela família. O tempo foi passando, todos se casando e tendo filhos, e nós na mesma situação. Somente neste momento, após seis anos de casados, é que o desejo de ter filhos foi despertado em nossos corações.

Um casal de amigos bem próximos a nós teve seu primeiro filho, e em uma conversa particular esta amiga me confidenciou que teve problemas e enfrentou um longo percurso até conseguir o lindo menino que amamentava no momento em que se abria comigo. Sugeriu que eu procurasse ajuda de um especialista, e que através de um tratamento eu conseguiria engravidar. Ela me passou o telefone da clínica em que foi atendida e logo eu marquei a nossa primeira consulta.
Após uma conversa com o médico, o mesmo solicitou alguns exames e decidimos partir para a alternativa mais simples, que seria a Inseminação Artificial. Diante daquela decisão, acreditava que finalmente engravidaria e jamais passou pela minha cabeça a hipótese de um resultado negativo.
A espera entre a realização de todo o processo e o resultado é a mais dolorosa. Todos os sentimentos se misturam fazendo com que o tempo pare. Eu fazia um teste de farmácia atrás do outro e nunca dava nada. Mesmo confiantes, estávamos muito preocupados e apreensivos quanto ao que o destino nos aguardava. Foi então que recebemos o primeiro resultado negativo. Após muito choro e consolo por parte do meu marido, voltamos ao médico e perguntamos o porquê. Os porquês eram muitos, porém ainda era muito cedo para ter um resultado positivo e fomos incentivados a continuar tentando.

Partimos então para a segunda tentativa, sempre esperançosos e muito confiantes. Mesmo procedimento, mesma espera, mesmos sentimentos, mesma angústia e mais um resultado negativo. Voltamos ao médico e perguntamos o porquê, e ouvimos mais uma série de explicações, falando que nosso caso não era grave e que iríamos conseguir. Estava difícil superar todo o processo, pois o abalo psicológico e emocional é muito grande. Sentimentos naturais se tratando de algo que acreditamos muito e que acaba dando errado.

Após muita conversa, decididos a não passar mais por momentos difíceis como os que havíamos passado, optamos por uma Fertilização In Vitro. Os medicamentos diários, ultrassonografias freqüentes e as injeções mexiam muito com o meu emocional, e juntos tornavam o processo bem doloroso, mas nada era mais forte do que o meu desejo de ser mãe. Todo aquele novo procedimento fez nascer uma nova esperança que brotou em nossos corações, que acreditaram que daquela vez daria certo. Os 12 dias, nada além das sensações naturais provenientes da circunstância: mais expectativas, muita ansiedade, e finalmente mais um resultado… Negativo!

Neste momento percebi que dificilmente conseguiria realizar meu sonho. Cheguei a pensar que seria melhor desistir e buscar uma solução alternativa, como a adoção. Quando retornamos ao médico, novamente foi dito que não era fácil e que deveríamos continuar tentando, pois os exames mostravam um quadro positivo. Então partimos para mais uma tentativa, a nossa terceira Fertilização In Vitro. Todo o processo novamente se repetiu. Mais uma espera, mais ansiedade, mais esperança de que daria certo e mais um resultado… Negativo. Nada substituía o choro, a angústia e o sofrimento que predominavam no meu coração.

Resolvemos parar, porém não desistir. Voltei ao médico e solicitei as datas das medicações no caso de resolvermos tentar novamente. O que mais nos deixava incomodados é porque o médico não apontava um motivo ou causa para que os resultados dessem negativos. Tudo parecia normal, os exames sempre eram positivos, mas quando vinha o resultado negativo não recebíamos respostas para as nossas perguntas. Antes de dar um novo rumo à minha jornada, confirmei se realmente não existia algo mais que pudéssemos fazer, mas novamente nenhuma explicação plausível fora passada a nós. Comecei a tomar os medicamentos sem saber se realmente iria fazer o tratamento, e após muitas conversas decidimos procurar outras opiniões.

Em consulta com outro médico, após realizar uma grande quantidade de exames, fui informada que deveria sair da clínica direto para o hospital. Ele me explicou que eu tinha que operar a minha endometriose, pois caso isso não fosse feito eu jamais engravidaria. Fiquei arrasada, principalmente por concluir que tudo o que eu tinha passado, toda as tentativas e toda a esperança foram em vão. Mesmo chocada, não me deixei abater e resolvi procurar um outro profissional, a fim de avaliar melhor o meu atual diagnóstico.

Com a indicação de uma amiga, procurei a clínica IPGO e realizei uma consulta com o Dr. Arnaldo. Levei a ele todos os exames que eu já tinha realizado e na tentativa de lhe contar minha história, me emocionei e não consegui conter as lágrimas que dominaram a situação. Eu estava fisicamente acabada e o meu psicológico naquela altura se encontrava extremamente abalado. Eu estava muito cansada daquele problema que se tornou um grande pesadelo. Depois de muito esforço, me acalmei e relatei tudo o que já havia passado. Contei que ainda estava tomando as medicações e que desejava realizar mais uma tentativa. Após solicitar outros exames que ainda não haviam sido realizados, o Dr. Arnaldo aprovou a minha decisão e demos início a mais uma tentativa de Fertilização In Vitro. Apesar de estar muito decidida, ficava insegura com a hipótese de mais um resultado negativo. Não sabia como eu e meu marido reagiríamos e como venceríamos mais uma daquelas fases que muito nos perturbaram anteriormente.

Partimos então para os exames. Iniciamos o tratamento. Meu marido sempre me apoiando e sendo solidário onde e como podia. Tantos remédios e injeções, que a esta altura já não sentia mais dor. Como não queríamos criar mais expectativas, decidimos não contar a ninguém que estávamos fazendo tratamento. Estava ficando difícil segurar a barra e não poder contar a mais ninguém o que estava se passando.

Chegada a data para a transferência dos embriões, comecei a sentir tudo muito diferente. Meu marido pôde participar e entrou junto comigo na sala. Foi tudo muito emocionante e eu fiquei mais segura, principalmente por notar que nada estava sendo igual às tentativas anteriores. Obedeci a todas as recomendações que me foram dadas e uma nova esperança brotou em meu coração.

Após uma longa espera, o dia chegou! Eu estava desesperada, com o coração literalmente explodindo de tanta expectativa. Foi então quando o telefone tocou. Era o Dr. Arnaldo, e quando eu ouvi sua voz, fiquei desesperada, pois sabia que aquele instante poderia mudar a minha vida ou causar uma grande decepção. Aquele instante poderia me tornar a mulher mais feliz do mundo, ou a mulher mais frustrada da face da Terra. Ao ouvir: “Você está grávida”, não pude conter as lágrimas que encheram meus olhos de tanta alegria por uma vitória que eu ainda não conseguia assimilar. Finalmente eu e meu marido teríamos um filho! Era como um sonho.

Antes de dar a notícia para a família, mesmo ansiosos, decidimos conversar com o Dr. Arnaldo, a fim de ter certeza de que tudo estava bem. Durante a primeira consulta após a notícia do resultado, ele nos disse que havíamos vencido apenas uma das diversas batalhas que enfrentaríamos. No primeiro ultrassom, pudemos ver apenas um pequeno pontinho que iria se desenvolver. Era mais uma etapa vencida, já que tudo estava ocorrendo bem. Após 30 dias realizamos um novo ultra-som e tivemos uma grande surpresa. Durante o procedimento encontramos mais um pontinho, e o Dr. Arnaldo nos deu a notícia de que eram dois. Quanta felicidade! Era uma sensação muito boa, pois percebemos que toda a nossa luta tinha valido a pena. Fomos muito bem recompensados por Deus.

Apesar de muito felizes, continuávamos preocupados e tomei muito cuidado com a minha gravidez. Não queria que nada acontecesse a ela. Após alguns dias, tive um sangramento e entrei em desespero. Naquele momento já pensei na possibilidade de estar perdendo os meus bebês que eu tanto lutei para ter. Eu e meu marido corremos até o consultório e o Dr. Arnaldo nos disse que estava tudo sob controle. O sangramento foi ocasionado pela perda de um terceiro embrião que não havia sido detectado por nós. Fiquei de repouso absoluto e o sangramento passou. Porém a preocupação continuava, e para nós, todo cuidado ainda era pouco.

Ao passar do tempo, alegremente eu e meu marido pudemos acompanhar o crescimento da minha barriga. Uma fase muito gostosa que nos proporcionou muita felicidade. Foi tudo muito tranqüilo e não tive enjôos, tonturas e nem nada do tipo. Contemplados com tantas coisas boas, ficávamos inexplicavelmente felizes ao ver os nossos filhos se desenvolvendo. Quando soubemos que seriam duas meninas, chegamos à conclusão de que nada mais precisávamos, pois o sonho já estava muito mais que realizado.

Hoje, já com as nossas filhinhas aqui, nada do que dissermos irá expressar realmente o que estamos vivendo. Meu marido, com um sorriso na orelha, rodeado por três mulheres. Cada dia, cada momento e cada minuto que estamos ao lado delas, percebemos que o trabalho é dobrado, assim como a felicidade, a emoção e o amor que foi despertado em nossos corações.

Comments

comments