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Histórias de Barriga de Aluguel

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Barriga de aluguel – útero de substituição – doação temporária do útero

Ser médico é, na minha opinião, a melhor profissão do mundo. Faz sentir-me realizado, produtivo e recompensado: é um privilégio. Ser especialista em infertilidade e cuidar de casais que não conseguem ter filhos é um privilégio ainda maior. Poucas pessoas têm a sorte que eu tenho, de propiciar aos casais com esta dificuldade a alegria de ter os filhos que não conseguem naturalmente. O momento em que é dada a notícia do sucesso do tratamento é único. Comunicar o resultado positivo do teste de gravidez é emocionante. Sentir a explosão de felicidade, ouvir os gritos do inacreditável, o choro, e até mesmo o silêncio da emoção que há tempos estava guardada é indescritível. Muitas mulheres simplesmente silenciam por não quererem acreditar na veracidade da notícia tão esperada.

Estes meus sentimentos de alegria, que infelizmente se alternam com os de tristeza pelos inevitáveis resultados negativos, não deixam de ser uma rotina na vida de especialistas como eu. Entretanto, existem situações cujas histórias são muito especiais, como as deste capítulo, que me emocionam e que mostram como a reprodução assistida torna realidade os sonhos considerados impossíveis.

É um privilégio fazer parte da história destas mulheres.
O termo barriga de aluguel, que deve ser corretamente trocado por útero de substituição ou doação temporária do útero – pois não se recebe dinheiro por esta generosidade – é uma das alternativas de tratamento mais emocionantes. A abnegação destas mulheres que aceitam gerar um bebê em seu útero, que não é seu filho, é um ato de amor que só cabe a pessoas muito especiais. Permitir o desenvolvimento do início de vida de um filho no útero de uma outra mulher é a prova maior da importância de ser mãe.

Márcia e dona Ângela (a mãe) – a gravidez de uma mulher sem útero

A violência urbana está cada vez mais próxima de nós. Lembro-me de que há muitos anos, eu ainda era uma criança, quando ocorreu na Itália um caso de seqüestro de final trágico e de repercussão internacional, meu pai comentou que este tipo de ato subversivo não existia no Brasil. Hoje estes crimes já fazem parte da rotina do noticiário. Antigamente as mortes e a violência ocorriam em regiões afastadas, eram raras e envolviam pessoas que pertenciam ao submundo. Atualmente e cada vez mais escuto relatos de pessoas próximas que passaram por isso.

Márcia veio à minha clínica pela primeira vez através do encaminhamento de um colega ginecologista que estava sensibilizado com sua história. Márcia era jovem, bonita, simpática, meiga e dócil, enfim, evidenciava todos os adjetivos que definem uma mulher que sensibiliza os olhos de qualquer um. Não tinha útero. Fora retirado numa cirurgia de urgência realizada em conseqüência dos danos provocados por tiros de arma de fogo em um assalto de conseqüências trágicas. Na época estava grávida e perdeu também o bebê e o marido.

Casada novamente, a única chance que tinha para ser mãe era através da barriga de aluguel ou útero de substituição. Tanto Márcia como Ângela, sua mãe, não imaginavam que existia esta possibilidade, e quando expliquei como este procedimento era realizado consideraram inacreditável, tamanha era a felicidade de ver tão próxima a realização do sonho de ser mãe e avó ao mesmo tempo.

Nestes tratamentos os ovários da mulher que será a mãe biológica são estimulados com hormônios (no caso de Márcia, ela possuia um único ovário, o outro foi retirado na mesma cirurgia que foi retirado o útero), os óvulos são aspirados, fertilizados em laboratório, e os embriões são transferidos para o útero de uma outra mulher que futuramente dará à luz. Esta mulher deverá ter parentesco de primeiro grau como, por exemplo, ser mãe ou irmã. Dona Ângela, a mãe, num gesto de felicidade prontificou-se em receber os bebês no seu útero. Deste momento em diante, os passos seriam somente os habituais dos tratamentos de fertilização in vitro. Dona Ângela engravidou de gêmeos e recuperou a felicidade própria e de sua filha.
É imensurável o grau de satisfação que senti ao poder usar a ciência da Reprodução Assistida em benefício de pessoas desamparadas pelo destino amargo que a vida reservou. É para isto que os médicos existem.

Valéria e Rosana (a irmã) – o bebê que fez esquecer o passado

Valéria, como todas as minhas pacientes, é uma mulher incrível. Mas ela conseguiu ter algo mais: mais coragem, mais persistência, mais obstinação, e outras coisas mais. Submeteu-se a vários tratamentos de fertilização que até já esqueceu após o nascimento de sua filha – é deste jeito que ela relata em seu depoimento. Isto é muito interessante. O impacto do nascimento da sua criança tão esperada fez com que ela esquecesse todos os momentos difíceis que experimentou. Este fato evidente, demonstrado neste depoimento, é o retrato daquilo que acontece com todas as mulheres que passam por esta experiência. Depois da conquista da gravidez, os infortúnios do “antes” passam a pertencer ao passado e já não mais interessam. São rechaçados para o fundo do coração e deixam de fazer parte do presente, só interessando, daí em diante, o seu futuro. Valéria fez oito tentativas frustradas sem nunca ter engravidado. A cada fracasso, ao contrário da grande maioria das mulheres que vivem esta situação, retornava à clínica cheia de esperanças buscando uma nova tentativa.

Ela nunca desanimou nem mostrou ares de derrota. Todas as alternativas de novos tratamentos que prometeram melhorar seu endométrio problemático (endométrio é o tecido interior do útero onde o bebê se implanta e se desenvolve), ela aceitava utilizar. Não importavam as garantias dos benefícios. No caso de Valéria, o endométrio não se desenvolvia mesmo com os tratamentos hormonais, era muito fino, inapropriado para a implantação dos embriões. A única saída era a barriga de aluguel, e a escolhida foi sua irmã Rosana, que durante todo o pré-natal demonstrou estar feliz por poder ajudar Valéria. As duas vinham às consultas do pré-natal demonstrando total cumplicidade. Tudo ocorreu da melhor forma possível, e nada foi tão compensador como o fato de eu ter o privilégio de participar desta história. Ver a expressão de Valéria contemplando o seu bebê e mostrar-me, com muito orgulho e emoção, a certidão de nascimento de sua filha onde constava o nome da mãe: Valéria!! – é algo inesquecível que me faz sentir tocado por DEUS!

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