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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Histórias de Tratamentos com Vacinas

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“Filhos da Coincidência – Vacinas”

 
Os tratamentos alternativos para infertilidade têm merecido atenção especial para casais que não têm um diagnóstico preciso que demonstre o motivo pelo qual não conseguem engravidar, e principalmente para aqueles que não engravidam mesmo quando submetidos a tratamentos complexos como a Fertilização in Vitro. Os mais conhecidos são: acupuntura, yoga, shiatsu e homeopatia, mas entre eles o que tem mais se destacado e causado controvérsias é a aplicação de vacinas, que melhoram o fator imunológico do casal e favorecem a gestação. Este tratamento é indicado também para abortamentos repetidos que não tenham justificativa para terem ocorrido. O exame para esta avaliação é o Cross Match, que quando for negativo indica que a mulher deverá receber algumas doses de uma vacina feita com sangue do seu marido. Após algumas aplicações e o resultado tornar-se positivo, o casal poderá continuar buscando a gestação. A justificativa deste tratamento baseia-se na hipótese de que todo ser humano é preparado para rejeitar corpos estranhos, e o embrião, por trazer consigo a carga genética do pai, funcionaria como um corpo estranho no organismo materno. Em condições normais o organismo, ao receber esse futuro bebê, deve ser estimulado a formar um tipo especial de anticorpo que protegerá esse bebezinho dos ataques contra ele. Se esses anticorpos protetores não forem formados, o embrião será rejeitado e não haverá a implantação, ou posteriormente haverá o abortamento. O cross-match, feito através de um exame de sangue, verifica uma reação química (antígeno-anticorpo) entre o sangue da mulher e o do seu marido e detecta a presença desses anticorpos, que devem aparecer quando já houver ocorrido pelo menos uma gravidez. Quando não forem detectados, a mulher deverá receber algumas doses de vacina para que sejam estimulados. Em casos de não ter ocorrido nenhuma gestação, como na ocorrência de infertilidade que não é resolvida mesmo com tratamentos mais complexos, a vacina poderá, segundo alguns imunologistas, melhorar a resposta imunológica e o casal conseguirá a gravidez.

Os tratamentos com vacinas podem realmente ajudar a gravidez?

Esta é uma questão frequentemente formulada por pacientes e médicos e tem sido objeto de muita polêmica. Existem profissionais de medicina que não acreditam nos benefícios deste método por não haver comprovação científica, e por isto não recomendam a sua utilização na prática clínica. Outros concordam com esta indicação em casos especiais, como abortamentos repetidos e seguidos tratamentos de Fertilização in Vitro fracassados.

Incompatibilidade de antígenos leucocitários entre o casal: a gestação pode ser considerada um aloenxerto, uma vez que o embrião é como um corpo estranho, geneticamente diferente da mãe. Para isso, o sistema imune materno tem que se adaptar para não “rejeitar” o embrião. Paradoxalmente, a disparidade genética entre os antígenos HLA materno e paterno é importante na implantação e no desenvolvimento do embrião, pois induz uma resposta imune ativa, porém protetora. Casais que compartilham antígenos HLA apresentam maior probabilidade de sofrerem abortos. Isso pode ser avaliado pelo exame cross-match, que pesquisa a presença de anticorpos contra linfócitos paternos no sangue da mãe. Para fazer essa pesquisa retiram-se amostras de sangue do homem e da mulher e, em laboratório, realiza-se uma prova cruzada entre os dois, para identificar a presença de anticorpos. Se não estiverem presentes, pode ser indicada a terapia imunizante, ou seja, a transfusão de leucócitos paternos. Essa imunização é realizada com a coleta de sangue paterno, do qual são separados os linfócitos e com eles preparadas as vacinas que depois serão injetadas na mãe pela via intradérmica. São feitas duas ou três aplicações com espaço de tempo de três semanas entre elas. Após o término dessa série, o cross-match é repetido, confirmando se houve a virada do resultado anterior para positivo. Se não tiver acontecido essa virada, uma nova série de duas aplicações será realizada. Quando a paciente engravida, nova dose deve ser aplicada.
O mecanismo de ação dessa terapia não está claro, porém parece relacionado à formação de anticorpos com propriedade imunossupressora, além de outras alterações imunes. Apesar de muitos autores defenderem seu uso, não há evidência científica suficiente que confirme o valor de se pedir cross-match e a utilização dessas vacinas. Seu uso nos Estados Unidos não é liberado pela FDA (Food and Drug Administration), assim como em vários países. No Brasil foram usadas vacinas são liberadas, entretanto é importante deixar claro que essa pesquisa e o tratamento só devem ser realizados após a exclusão de todas as outras possibilidades de diagnóstico, sendo explicado ao casal que isso ainda não está estabelecido na literatura médica.
Outros tratamentos imunológicos: tem sido sugerido também o uso de imunoglobulina e G-CSF (granulocyte colony-stimulating factor) em mulheres com AR, mas ainda não há evidência suficiente para recomendar seu uso. Corticoterapia de rotina para AR também não demonstra benefício.

Essas controvérsias sustentam-se num conceito moderno de medicina fundamentado na afirmativa “A Medicina deve ser baseada em evidências”. Por este conceito, qualquer tratamento médico deverá ter evidências científicas que demonstrem os resultados benéficos à saúde da paciente. Entretanto, é necessário que se explique que esta comprovação pode demorar muitos anos, e é pouquíssimo provável que o relógio biológico da mulher ou a estrutura emocional do casal permitam esta demora. Então, enquanto esta comprovação científica não chega, o que temos a fazer? Cruzar os braços e repetir seguidamente os tratamentos consagrados pela ciência que não estão dando resultados? Aqueles que desconfiam dos efeitos benéficos das vacinas afirmam que, por ser experimental, os bebês nascidos após a paciente receber as doses indicadas são casos isolados, não são a regra, e por isto podem ser considerados coincidências. “Filhos da coincidência”.

A nossa experiência e o número de casos bem-sucedidos têm demonstrado que esses resultados positivos não devem ser uma simples coincidência.

Coincidência ou não, o que importa é fazer tudo o que é possível para que o bebê venha. A arte médica deve equilibrar a ciência e o bom senso. Um profissional da medicina deve ser ético, estudar, ser atualizado, e algumas vezes deixar-se levar pela intuição. Deve usar todas as técnicas cientificamente comprovadas, toda a sua energia, os recursos, a inspiração e a fé. Deve ser incansável. Deve ter em foco o bem-estar de suas pacientes e saber orientá-las da melhor forma possível. Deve saber discernir o que é benéfico e o que é prejudicial, e saber incorporar aos tratamentos convencionais alternativas que “podem ajudar” sem prejudicar a saúde física e mental das pessoas que trata. Deve trabalhar em nome do “bem”. Não importa se for yoga, acupuntura, alimentação, tanto faz, na infertilidade o que importa é não se desviar do foco principal: a gravidez.
Não são poucos os casos que se beneficiam desta vacina. Neste capítulo são três histórias e existem muitas outras com final feliz. Na minha clínica, em outras clínicas, com outros médicos, na internet e por aí são inúmeras. Não importa quantas. Uma história feliz já deve ser o suficiente para refletirmos sobre este assunto e para pensarmos se às vezes vale a pena apostar nessas coincidências.

As histórias de Sofia e Jamil, Soraya e Antônio José, Najla e Matheus têm como ponto em comum as repetidas frustrações pelas quais passaram. São histórias diferentes, mas que convergem para um único ponto: o sucesso da gravidez após o uso de uma vacina indicada depois da realização do exame Cross Match negativo. Sofia e Jamil fizeram várias tentativas de fertilização assistida sem sucesso; Soraya e Antônio José tiveram vários abortos sem explicação, e Najla e Matheus contam a história mais interessante deste capítulo: em seguida a três tentativas fracassadas de Fertilização In Vitro, optou-se pelo tratamento com vacinas. Logo após receber a última aplicação, engravidou naturalmente de gêmeos.

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