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Tratamento da “Infertilidade” na menopausa
Medidas extremas por meio da doação de óvulos
A mulher, no esplendor dos seus cinqüenta anos, quando acompanhada
por profissionais especializados, mantém o privilégio de sua
feminilidade, orgulha-se de sua idade, sabedoria e forma física.
Entretanto, nesse momento, muitas delas nunca experimentaram
a emoção da maternidade ou, se já experimentaram, podem ter
desejos e motivos para mais uma experiência.
Há
muitos fatores que motivam uma mulher a buscar um filho nesta
idade. Algumas, obrigadas pelo destino, outras pela vontade
de atingir um status profissional, retardaram o casamento
ou a gravidez e, ainda outras, mesmo já tendo filhos, mas
com um novo relacionamento após um casamento desfeito, desejam
dessa união a chance de gerar.
Uma
menina, quando chega à puberdade e inicia suas menstruações
(12-13 anos), tem 300 mil óvulos “disponíveis” que, submetidos
ao estímulo hormonal, podem chegar à ovulação, fecundação
e gravidez. O conjunto desses óvulos, capazes de responder
a um estímulo hormonal, ser fertilizados e formar embriões
que tenham chances de se implantar no útero, chama-se “reserva
ovariana”, que corresponde ao “estoque” de óvulos
viáveis. Durante a vida reprodutiva, em cada ciclo menstrual
para cada óvulo que atinge a maturidade, mil são “desperdiçados”,
fazendo com que, ao redor dos 50 anos, não exista praticamente
mais nenhum disponível capaz de ser fecundado. É o fim da
reserva ovariana,
o fim do “estoque”:
a menopausa. A única maneira de se obter gravidez nesta
fase da vida é por meio de doação de óvulos, considerada
uma medida extrema
e altamente sofisticada no tratamento da Infertilidade.
Uma
vez que a Ciência permite, e estejamos alinhados com os princípios
éticos, legais e morais, uma mulher que preencha os requisitos
básicos de boas condições físicas, e tenha uma união sólida,
que seja emocionalmente equilibrada e tenha até 55 anos,
merece essa rara oportunidade de conceber.
Por
que até os 55 anos?
O direito da mulher e o bom senso
O sentimento
de procriação é milenar. A humanidade quer se perpetuar e
o instinto de reprodução é inato. Esta verdade vale tanto
para os homens como para os animais. Os seres humanos, não
conseguem gerar filhos, acabam, muitas vezes, tornando-se
infelizes, inconformados e frustrados.
A
procriação deve ser um direito de todos e é reconhecida na
Declaração Universal dos Direitos do Homem (Resolução da III
Sessão Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas, aprovada
em Paris em 10 de dezembro de 1978). Nesta Declaração, destaca-se
que, além da igualdade e da dignidade, o ser humano tem direito
de fundar uma família (Declaração Universal dos Direitos do
Homem, artigos III, VII e XVI, 1) – Fonte: Reprodução Assistida:
até onde podemos chegar? – Alvarez de Oliveira e Borges Jr.
Mas,
por que 55 anos? Qual a idade máxima para uma mulher ser mãe
com a ajuda das técnicas de Reprodução Assistida?
Esta
é uma pergunta que intriga a todos. Na verdade, do ponto de
vista ético e legal, ainda não está estabelecida a idade máxima
em que uma mulher pode receber embriões provenientes de óvulos de doadoras. Ao se avaliar incontáveis publicações,
observa-se que, embora este limite máximo de idade não esteja
definido, ele pode existir, mas é variável de clínica para
clínica. J. G. Franco em seu livro “Reprodução Assistida”
cita que a idade limite seria entre 50 e 60 anos. Em todos
os países, esta é a média. John Leeton no livro Subfertility
Handbook
(Cambridge University Press), de autoria de Gab Kovaes, relata
que não está estabelecida esta idade máxima, mas que a maioria
dos autores que consultou define como “mid fifties”, isto
é, ao redor dos 55 anos. O livro “Reprodução Assistida: Até
onde podemos chegar?” compreendendo a ética e a lei de autoria
do Dr. Edson Borges e da Juíza de Direito Débora Ciocci Alvarez
de Oliveira (Editora Gaia), não descreve as limitações para
idade da receptora e cita no capítulo “Doação de óvulos” o
artigo 5º, II e XXXIX da Constituição Federal: “ Em nosso País , tudo o que
não é proibido é permitido, pois ninguém é obrigado a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. E
mais, não há crime sem lei anterior que o defina”. Portanto,
mais uma vez, neste campo, até hoje, podemos observar que
nada é proibido em termos de limite de idade. Em conversa
com vários e respeitados profissionais especialistas, a totalidade
dos entrevistados deu como limite sensato os 55 anos,
pois acreditam também que, até esta idade, de um modo geral,
o organismo da mulher tem condições de suportar uma gravidez.
Mas, isto não é uma regra geral, pois uma jovem nem sempre
tem condições de saúde melhor que a mais idosa. Desta forma,
o bom senso deve prevalecer.
E
a futura criança?
Não devemos esquecer também que, além do casal, estamos lidando
com uma nova vida. Não podemos deixar de pensar que esta nova
criatura poderá ter um impacto psicológico negativo em sua
infância, ao fazer comparações da fisionomia de sua mãe com
a de outros e perceber que é semelhante à dos avós de seus
colegas de escola. Qual não será a angústia desta criança
ou adolescente ao não compreender que, quem lhe deu à luz,
engravidou numa idade que é considerada impossível? Como enfrentar
os colegas e explicar que sua mãe ficou grávida aos sessenta
anos ou mais? Muitos poderão responder que dificuldades semelhantes
já foram testadas quando se iniciaram os bebês de proveta,
quando se perguntava: “ O que estas crianças vão pensar ao
saber que foram concebidas em laboratório?”. Não acreditamos
que esta comparação de dificuldades psicológicas entre estas
duas situações poderá ser feita, uma vez que, a fertilização
proveniente de células de pai e mãe conhecidos carrega questionamentos
muito menores, já que esta criança sabe os pais que lhe deram
origem.
Assim,
fixar o limite máximo em 55 anos pode ser considerado um bom
limite, que pode ser controverso e polêmico, uma vez que,
nesta idade, algumas mulheres ainda menstruam e apesar de
nesta fase da vida ser raríssima e excepcional a ocorrência
de uma gestação, isto não é totalmente impossível.
Portanto,
devemos ser muito criteriosos ao aceitar uma determinada paciente
para este tipo de tratamento. É necessária uma avaliação equilibrada
do UNIVERSO desta futura família e uma análise rigorosa do
casal, do ponto de vista psicológico e médico para saber se
o organismo desta mulher suportará uma gestação. Cada caso
deve ser avaliado isoladamente.
Avaliação
das Condições
Clínicas da Receptora
Avaliação
detalhada da saúde física da mulher para saber se, na idade
em que se encontra, seu organismo será capaz de suportar uma
gravidez com uma taxa de risco razoável. Os riscos de complicações
clínicas aumentam conforme a idade avança, principalmente,
a hipertensão arterial e a diabetes, ainda mais se considerarmos
a chance aumentada de gestação múltipla neste tipo de tratamento.
Todos estes detalhes devem ser muito bem analisados pelo médico
responsável e ponderados junto ao casal. Além dos exames clínicos
e cardiológicos, a receptora em idade avançada deverá ser
submetida aos seguintes exames:
Exames
complementares
para avaliação ginecológica
·
Ultra-som.
·
Histerossalpingografia.
·
Histeroscopia.
·
Papanicolaou.
·
Mamografia
(mais do que 40 anos).
·
Exames
de sangue – hormonais e de doenças infecciosas (HIV, Hepatite,
etc.)
Exames
Complementares para Avaliação Clínica
·
RX
tórax.
·
Eletrocardiograma.
·
Exames
de sangue em geral (glicemia, colesterol, etc.)
·
Outros,
se necessário.
·
Avaliação
psicológica e emocional.
Outras
indicações para doação de óvulos
·
Ausência
congênita ou retirada cirúrgica dos ovários.
·
Doenças
genéticas transmissíveis da mulher.
·
Falhas
repetidas de tratamentos de fertilização in vitro
que aconteceram devido à má resposta ovariana ou a embriões
de má qualidade.
Doação
de Óvulos
A doação
de óvulos é uma técnica na qual os gametas femininos (óvulos)
de uma mulher (doadora) são doados a outra (receptora) para
que sejam fertilizados. A fertilização é realizada no laboratório
pelos espermatozóides do marido da receptora. Em paralelo,
a outra metade dos óvulos é fertilizada com os espermatozóides
do marido da doadora. Desta forma, o embrião é transferido
(colocado) para o útero da receptora, a qual irá gerar um
filho formado pelo espermatozóide do próprio marido e o óvulo
de uma doadora. Este procedimento é realizado da mesma forma
que a fertilização in
vitro
já descrita (capítulo 11 – item B). O que difere é a preparação
do útero da receptora, que é feita de uma maneira muito mais
simples e econômica do que com a doadora. A receptora recebe
dois únicos hormônios (estradiol e progesterona)
para o preparo do endométrio a fim de receber os embriões,
pois não existe indução de ovulação. A taxa de sucesso de
gravidez é a mesma da paciente doadora (
40 a 55%). No dia da coleta, os óvulos aspirados são divididos
entre as duas. Parte deles é fertilizada com os espermatozóides
do marido da doadora, formando embriões que serão transferidos
para o útero desta. A outra parte será fertilizada com os
espermatozóides do marido da receptora e transferidos para
a mesma.
Regras
Gerais para Doação de Óvulos
1) A doação nunca
terá caráter lucrativo ou comercial. Não se vende óvulos (nem
espermatozóides);
2) Os
doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e
vice-versa. Obrigatoriamente será mantido o sigilo e o anonimato.
A legislação não permite doação entre familiares;
3) As clínicas especializadas mantêm, de forma permanente,
um registro dos doadores, dados clínicos de caráter geral
com as características fenotípicas (semelhança física), exames
laboratoriais que comprovem sua saúde física e uma amostra
celular. A escolha de doadores baseia-se na semelhança física,
imunológica e à máxima compatibilidade entre doador e receptor
(tipo sangüíneo, etc.).
Quem
pode doar óvulos (doadora)
As doadoras
devem ter as seguintes características:
·
Menos
do que 35 anos de idade;
·
Bom
nível intelectual;
·
Histórico
negativo de doenças genéticas transmissíveis;
·
Teste
negativo para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis
(hepatite, sífilis, Aids, etc) e tipagem sangüínea compatível
com a receptora.
As
pacientes fontes doadoras são:
·
Mulheres
férteis, que desejam submeter-se à ligadura tubária, poderão
ser incentivadas a aceitar a estimulação ovariana e a doação
dos óvulos;
·
Pacientes
do programa de fertilização in
vitro ou inseminação
artificial com altas respostas ao estímulo ovariano, às vezes,
desejam de forma voluntária e anônima doar parte dos óvulos
obtidos. São pacientes que não desejam congelar embriões e
temem demais uma gestação múltipla;
·
Doação
compartilhada: Neste caso, a receptora pagaria parte dos custos
da paciente, que tem indicação para bebê de proveta (doadora),
mas não pode fazê-lo por motivos financeiros. Em troca, a
receptora recebe metade dos óvulos produzidos pela doadora.
Desta forma, estaremos ajudando duas mulheres e dando a elas
o direito de ser mãe. Esta posição pode ser considerada eticamente
controvertida, uma vez que a doadora está sendo beneficiada
economicamente, embora não esteja recebendo dinheiro para
isto.
·
Irmãs
e familiares de receptoras podem ser doadoras desde que, façam
uma doação cruzada, isto é, os óvulos do familiar de uma doadora
serão doados para uma outra receptora que também terá uma
familiar que
doará para a primeira receptora. Exemplo fictício: A paciente
receptora “A” tem uma irmã que se chama “X” e a outra paciente
receptora “B” tem uma irmã que se chama “Y”. Neste caso, a
paciente “A” poderá receber óvulos da doadora “Y” e a receptora
“B” poderá receber óvulos da doadora “X”. Desta maneira, será
preservado o anonimato.
·
Mulheres
que, voluntariamente e altruisticamente, concordam em doar
óvulos.
Doação de Óvulos - Resumo
Explicativo
Doadora
•
Tratamento medicamentoso para estimular o amadurecimento de
vários óvulos
–
Agonistas GnRH para suprimir qualquer outra atividade hormonal
(injeções/spray nasal durante (geralmente) duas semanas antes
das gonadotrofinas e, então, dependendo da resposta, mais
10-14 dias); gonodatrofinas para estimular o crescimento dos
folículos e provocar a ovulação.
•
Monitorização do tratamento para medir o crescimento dos folículos,
individualizar as doses do medicamento
e prevenir efeitos colaterais sérios–
Através de ultra-som transvaginal (duas ou três vezes durante
um ciclo de tratamento); algumas vezes pela dosagem de hormônios
em uma amostra de sangue.
•
Coleta dos óvulos sob anestesia local ou sedação levando de
10 e 20 minutos
–
Orientada por ultra-som transvaginal; coleta através da vagina
(32-36 horas depois da última injeção de hormônio).
•
Amostra de esperma colhida no mesmo dia que dos óvulos
–
A amostra pode ser obtida de maneira natural, ou após aspiração
do epidídimo (PESA), ou biópsia do testículo (TESA).
• Fertilização in vitro da metade dos óvulos com esperma do parceiro
masculino da receptora
• Fertilização in vitro da outra metade dos óvulos com esperma do
parceiro masculino da doadora. (no caso de doação compartilhada).
Receptora
• Pesquisas prévias: ausência de ovulação
• Terapia de reposição hormonal, 14 a 20 dias antes da transferência, para preparo do endométrio.
• Transferência dos embriões (geralmente 2 a 5 dias depois da fertilização)- transferência via
vaginal para o útero; embriões excedentes geralmente congelados
• Teste/monitoração da gravidez ( 10 a 12 dias após a transferência).
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