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O espermatozóide e o óvulo são células muito particulares. São as únicas com metade do número de cromossomos (23, X ou 23, Y). A união dos gametas recomporá o número cromossômico, formando um novo ser com caracterÃsticas genéticas resultantes desta mistura (46, XX – mulher ou 46, XY – homem). É este o grande fenômeno biológico que permite que as pessoas sejam diferentes.
Para que o espermatozóide fertilize um óvulo, precisa de uma série de propriedades: formato adequado (oval), movimentos direcionados, reconhecer e aderir ao óvulo e, posteriormente, penetrar no seu interior para fertilizá-lo.
É fácil entender que o potencial de fertilização depende da integração de todas estas propriedades, que contribuem para sua competência. Portanto, o espermograma, embora seja um exame fundamental, deixa de ser único e definitivo como parâmetro na avaliação da fertilidade do homem.
Quando avaliamos o espermatozóide no lÃqüido seminal, observamos sua forma e sua motilidade. Sabemos ainda que ao entrar pelo útero e tubas, ele sofre uma série de modificações capazes de torná-lo apto para fertilizar o óvulo, sem as quais a fecundação não é possÃvel. Estas modificações recebidas durante este trajeto recebem o nome de capacitação espermática.
As causas de infertilidade do homem podem ser classificadas como pré-testiculares (alterações que ocorrem no sistema hormonal levando o homem a não produzir espermatozóides adequados), testiculares (doença do testÃculo propriamente dito) e pós-testiculares (doenças do sistema de ductos que transportam o espermatozóide) para o exterior.
A ausência de espermatozóides no ejaculado, quando o testÃculo é capaz de produzir-los, denomina-se azoospermia excretora. Neste grupo de pacientes, as enfermidades mais comuns são as malformações congênitas, infecções, traumatismos e a vasectomia. A vasectomia, como veremos à frente, interrompe o trajeto dos espermatozóides, mas não impede a produção e muito menos afeta a sexualidade do homem.
Chamamos de azoospermia secretora quando os testÃculos não produzem espermatozóides. São as doenças congênitas, infecção dos testÃculos, caxumba, irradiação, uso de medicamentos para o tratamento de câncer, entre outros.
A diminuição do número de motilidade (oligoastenospermia) pode ser causada por distúrbios hormonais, alterações testiculares como a varicocele, alterações inflamatórias e alterações gerais: profissionais, psÃquicas, infecções gerais, medicamentos, endocrinopatias, tabagismo, alcoolismo, stress, etc.
Alterações morfológicas dos espermatozóides: são alterações do formato do espermatozóide e recebem o nome de teratoazoospermia. Os principais responsáveis por estas alterações são: as inflamações, algumas drogas, origem congênita e varicocele. Os espermatozóides capazes de fertilização devem ter formato perfeito.
A associação entre varicocele e anormalidade no tamanho do testÃculo é conhecida há séculos. É muito comum e pode ser considerada uma causa de infertilidade masculina corrigÃvel.
A varicocele é uma dilatação anormal das veias, semelhante a varizes, que drenam o sangue do testÃculo. Essa dilatação é classificada em quatro graus, que vão da forma mais simples a mais avançada.
Estudos pós cirurgia da varicocele em um grupo de pacientes, concluÃram que se pode melhorar a qualidade seminal (concentração espermática, morfologia e motilidade) em alguns pacientes, podendo algumas vezes melhorar a taxa de gravidez após a intervenção cirúrgica. As indicações cirúrgicas, entretanto, para melhora de função reprodutiva devem ser criteriosamente analisadas e o paciente deve estar ciente dos possÃveis resultados insatisfatórios após a intervenção.
A infecção genital pode ser um fator importante de infertilidade masculina. As bactérias mais freqüentes, que podem comprometer a fertilidade do homem, são Escherichia coli, os mycoplasmas, em especial o Ureaplasma urealyficum e a Chlamydia trachomatis. O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais. A ultra-sonografia da próstata transretal ou pélvica pode auxiliar no diagnóstico de inflamação crônica da próstata e vesÃculas seminais.
É um dos mais modernos exames para avaliar a fertilidade masculina. Muitos homens que têm um espermograma normal podem apresentar esta alteração, que até há pouco tempo não era conhecida e pode dificultar a gravidez. Esta anormalidade pode explicar os casos de infertilidade sem diagnóstico, chamados Esterilidade Sem Causa Aparente (ESCA) ou infertilidade inexplicável; e os repetidos insucessos dos tratamentos de fertilização in vitro e abortamentos de repetição. O DNA defeituoso ou fragmentado é mais freqüente em homens com hábitos de vida inadequados, como por exemplo os fumantes e obesos.
Todas as técnicas para esta avaliação baseiam-se na análise direta do sêmen após dois dias de abstinência sexual. Este exame pode ser feito como complemento ao espermograma comum, ou isoladamente. A amostra passa por um exame de fluorescência, misturada com um corante laranja capaz de se ligar ao DNA. Posteriormente passa por um aparelho chamado citômetro de fluxo que quantifica a proporção de espermatozóides defeituosos.
Se a porcentagem de espermatozóides alterados for acima de 30%, a capacidade fértil do homem estará severamente prejudicada.
O tratamento para esta anomalia é o reposicionamento deste homem aos bons hábitos de vida, além de tomar vitamina C e vitamina E em doses adequadas. Uma nova avaliação deve ser feita após dois ou três meses de tratamento.
Relembramos aqui que, normalmente para a conclusão do diagnóstico através do espermograma, é necessário que este exame seja repetido por 3 vezes. O homem deve ser tratado sempre que for possÃvel e necessário para que alcancemos a taxa máxima de sucesso na obtenção da gravidez.
Para conhecer mais sobre a fertilidade do homem entre no site do IPGO www.fertilidadedohomem.com.br