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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Novo medicamento para o tratamento dos miomas

1 de dezembro de 2017
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Ulipristal é um novo medicamento tomado por via oral, que diminui o tamanho e o sangramento excessivo provocado pelos miomas (nomes comerciais: Esmya e Vilaprisan)

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Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Rogerio B. F. Leão

Os miomas uterinos (também conhecidos como leiomiomas ou fibromas) são os tumores uterinos benignos mais comuns na vida reprodutiva da mulher. Atingem até 50% das mulheres entre 30 e 50 anos. As manifestações clínicas incluem sangramento uterino anormal, massas pélvicas, dor pélvica, infertilidade, além de outras alterações que, somadas, podem levar acomplicações obstétricas e no parto. Um terço das mulheres com miomas necessita de tratamento médico e/ou cirúrgico devido aossintomas. As estratégias atuais de tratamento envolvem principalmente intervenções cirúrgicas, mas a escolha do tratamento é orientada pela idade da paciente e o desejo ou a necessidade de preservar a fertilidade ou mesmo de evitar a cirurgia “radical”, como a histerectomia (retirada do útero). O manejono tratamento dos miomas uterinos depende muito do número, tamanho e localização e da experiência do ginecologista-cirurgião. As estratégias cirúrgicas e não cirúrgicas devem ser individualizadas caso a caso e incluem amiomectomia (retirada do mioma) por histeroscopia, por laparotomia ou vídeolaparoscopia,a embolização da artéria uterina e intervenções realizadas sob orientação radiológica ou ultrassonográfica para induzir a ablação térmica dos miomas uterinos.  O impacto econômico e emocional no tratamento dos miomas uterinos são significativos, pois afetam a vida cotidiana, limitando, muitas vezes seu trabalho, adiando, impedindo ou pondo em risco a fertilidade e a gestação. Por isso, é imperativo que novos tratamentos sejam desenvolvidos para fornecer alternativas à intervenção cirúrgica.

Um novo medicamento – tratamento clínico com Ulipristal

A necessidade de alternativas com tratamentos medicamentosos que possam substituir a intervenção cirúrgica dos miomas uterinos tem sido uma busca permanente, especialmente para as mulheres que procuram preservar sua fertilidade.

Há evidências crescentes do papel do uso de alguns hormônios como o conhecido agonista do GnRh:  acetato de gosserrelina (Zoladex® 3,6 mg e Zoladex LA® 10,8 mg), acetato de triptorrelina (Gonapeptyl® Depot 3,75 mg) e outros. Agem na hipófise bloqueando o seu funcionamento, reduzindo, assim,a produção de FSH/LH, que leva, indiretamente,  a uma redução drástica da produção do estradiol e progesterona mas com efeitos colaterais bastante indesejáveis. Recentemente, surgiu uma nova opção de tratamento medicamentoso para miomas:o Acetato de Ulipristal – UPA  (nome comercial Esmya e Vilaprisan). O Acetato de Ulipristal (UPA) ainda não é vendido no Brasil, mas pode ser adquirido com facilidade em outros países como Portugal.A posologia exige cuidados rigorosos e, por isso, é fundamental o acompanhamento médico. O IPGO tem receitado e acompanhado estas pacientes, tanto nos miomas como nos casos de adenomiose. O UPA é ummodulador seletivo do receptor de progesterona (SPRM), ou seja, une-se a receptores de progesterona, estimulando ou inibindo, dependendo do tecido que atuam.

Sua ação varia de acordo com o tecido:

NA HIPÓFISE: reduz secreção de FSH e LH, induzindo amenorreia (ausência de menstruação) e impedindo a ovulação;

NOS MIOMAS: reduz o volume, pois induz apoptose (morte celular) e inibe proliferação celular;

NO ENDOMÉTRIO: diminui sangramento, mas leva a alterações, o que gera preocupação. Entretanto, essas alterações vêm se mostrando benignas e reversíveis.

Alguns estudos vêm avaliando a eficácia do Acetato de Ulipristal em miomas e, após os bons resultados com o uso por 3 meses, foi investigada a evolução do tratamento intermitente em longo prazo. Os resultados foram excelentes:

• 70-74% dos casos entraram em amenorreia (ausência de menstruação), sendo que em mais de 80% já houve melhora em 5 dias.

• Após 4 ciclos, 67% tiveram redução significativa do tamanho dos miomas. Em média, houve uma redução de mais 25% do volume.

• Somente 3,1% das pacientes necessitaram cirurgia.

• A incidência de alterações endometriais foi semelhante ao uso em ciclo único. Somente 0,89% apresentaram hiperplasia.

Gravidez

Os resultados demonstraram ser excelentes. A grande preocupação era se, após cessar o uso da medicação, os miomas tenderiam a voltar a crescer. Assim,um outro estudo, avaliou pacientes que utilizaram UPA por 3 meses, acompanhando as mesmas por 1 ano após cessar o uso. Todas tinham indicação de cirurgia antes do estudo. Com o uso de UPA, menos de 40% necessitaram cirurgia, mesmo após 1 ano sem medicação.

Dessa forma, o UPA é uma boa opção para se evitar cirurgia em pacientes com risco cirúrgico elevado ou com miomas grandes ou múltiplos que desejam gestação, uma vez que há o risco de perda uterina durante a cirurgia. Também tem bom uso na peri-menopausa, controlando os sintomas até a menopausa, quando, então, os miomas espontaneamente regridem, evitando-se, assim, a necessidade de cirurgia.

Referências Bibliográficas

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