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O fruto de três corações

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Valéria, Rosana (irmã) e Tadeu

Sempre cultivei o desejo de um dia ser mãe, mas por longos anos dediquei a minha vida aos estudos, pois acreditava que era preciso me preparar para que no futuro fosse possível realizar o sonho da maternidade. Minha mãe teve 11 filhos, e acredito que o meu instinto maternal é herança da minha família que sempre foi muito grande.

Aos 35 anos conheci o meu atual marido, com quem pude compartilhar os momentos mais difíceis da minha vida. Amigo e companheiro, sempre esteve ao meu lado, sofrendo e desviando de todas as pedras que foram colocadas em nosso caminho para a realização do nosso sonho. No momento em que nos encontramos, tive a certeza de que ele era a pessoa certa para dividir comigo a grande responsabilidade que é ter um filho. Decididos, iniciamos as tentativas, sem saber que estávamos dando início a uma grande batalha.

Eu acredito que o meu depoimento seja diferente de todos os outros, devido à ausência dos fatos e de detalhes da minha luta. Não me lembro praticamente de nada, e a única coisa que tenho absoluta certeza é a de que sou uma mulher que lutou muito até realizar o sonho da minha vida. Foram inúmeros exames, sempre com diagnósticos tristes e desanimadores. Descobri que tinha problemas em meu endométrio, motivo pelo qual quase todas as chances que eu tinha de ser mãe foram anuladas. Realizei muitas tentativas de Fertilização In Vitro e Inseminação Artificial. Apesar de ter sofrido muito com cada uma delas, nem me lembro ao certo quantas foram.
A primeira vez que tentamos uma FIV, achávamos que não tinha a menor chance de dar errado. Estávamos confiantes e nem pensávamos em resultados negativos, talvez por falta de informação e convívio com pessoas que realizaram várias tentativas antes de alcançarem o sucesso. Meu marido ia para a clínica para coletar o esperma, e voltava sonhando com gêmeos, certo de que já tinha dado certo. Naturalmente, quando recebíamos a resposta, a decepção era grande e muito dolorosa. Nossos ânimos ficavam exaltados e depois de algum tempo, devido à pressão psicológica, não tínhamos paciência nem mais para nos relacionar um com o outro. Foram momentos difíceis e marcantes.

Depois de tantos tombos tão desanimadores, o Dr. Arnaldo me alertou quanto à possibilidade de realização da barriga de aluguel. Apesar de saber que aquele poderia ser o caminho para a realização do meu sonho, devido ao que chamamos de preconceito, a idéia não era bem resolvida na minha cabeça, nos meus conceitos e valores. Sempre achei que ser mãe incluía a gestação, a idéia de gerar uma criança. Eu queria senti-la em meu ventre, ver minha barriga crescer, sentir enjôos, tudo o que é natural de uma grávida. Eu sonhava em ser mãe por completo, vivendo todas as fases da maternidade. Por este motivo, a idéia da barriga de aluguel não me parecia tão atraente, mesmo entre tantos tombos que já tinha levado.

Após longos meses de angústia, cansada de tantas derrotas, eu comecei a encarar a barriga de aluguel como uma possibilidade. Os preconceitos foram se desfazendo e milagrosamente Deus mudou meu coração, me permitindo dar um novo rumo à minha trajetória. Eu e minha irmã sempre fomos muito unidas, e enquanto eu enfrentava as minhas angústias por conta da impossibilidade de ser mãe, ela vivia momentos difíceis com uma gravidez sem o apoio do pai da criança. Ajudei muito a minha irmã, fazendo tudo o que estava ao meu alcance, e foi então quando, de uma forma muito natural, ela se propôs a fazer a barriga de aluguel para mim, na tentativa de retribuir tudo o que eu tinha feito a ela.

Eu jamais havia mencionado esta hipótese a ela, e para mim foi uma grande surpresa. Aquela possibilidade foi uma luz no fim do túnel para a realização de algo que tinha se tornado a razão do meu viver. Meu marido recebeu muito bem a idéia e foi então quando nós três, juntos, demos início a uma nova etapa de uma busca que para mim já era antiga. Aguardamos 6 meses, pois minha irmã ainda estava amamentando, e em seguida realizamos a nossa primeira tentativa. Estávamos muito confiantes, certos de que nada mais daria errado, mas fomos surpreendidos com um resultado negativo.

Eu fiquei chocada, meu marido já estava superdesanimado, cansado, mas eu não conseguia simplesmente desistir do meu grande sonho. Eu queria ser mãe mais do que tudo, e para mim era praticamente impossível apagar a chama que consumia meu coração. Realizamos a segunda tentativa e o resultado foi… positivo! A emoção era tão grande, que chegávamos a não acreditar que era verdade. Juntos, unidos e ligados eternamente pelo que a vida nos proporcionou, vivemos momentos mágicos e maravilhosos. Para mim era sempre um sonho poder acordar e ver que eu estava vivendo a realização da minha razão de viver.

Nossas vidas foram transformadas com a chegada de uma criança que veio ao mundo de uma forma maravilhosa e sem dúvidas, divina. Foram 10 anos de muitas tentativas e fracassos, mas tudo ficou para trás. Chega a ser curioso o fato de eu não me lembrar praticamente de nada do que eu vivi em todos esses dias, mas foi exatamente o que aconteceu. A nossa menina apagou todas as minhas lembranças ruins, e faz valer cada sacrifício, cada esforço, cada lágrima…
Tudo valeu a pena, pois depois de tantos tropeços e de tantos dias escuros e sombrios, veio uma linda manhã, cheia de luz e de refrigério para a minha alma. Hoje sou uma mulher feliz, completa e realizada. Nada, jamais, será maior do que o amor que invadiu o meu coração e da alegria da minha filha, que contempla todos os dias da minha vida.

“Sei que você que está passando por isso, já deve estar cansada de ouvir que não deve nunca desistir. Mas eu não poderia lhe dizer outra coisa senão esta, pois lutei por 10 anos até realizar o meu sonho. Lute sempre, com todas as suas forças, e indiferente da sua cor, raça, religião, classe social, jamais deixe com que o preconceito te prive das possibilidades de se tornar mãe.”

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