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Perguntas e Respostas

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Perguntas diretas, respostas objetivas

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1. Qual é a chance de uma mulher ou um homem terem filhos após os 46 anos?

R: São poucos os casos de gestação relatados nesta fase da vida. A chance é muito pequena e é considerada excepcional após esta idade.

2) Como deve proceder um casal cuja mulher está acima dos 46 anos?

R: O primeiro passo seria procurar um especialista em Reprodução Humana para se conscientizarem das chances da gestação e dos riscos envolvidos numa gravidez nesta idade.

3) Qual a chance de uma gravidez espontânea ocorrer após essa idade?

R: Mínima. É muito comum pacientes contestarem essa possibilidade, alegando conhecerem pessoas ou terem ouvido notícias de mulheres que engravidaram após essa idade. A chance é pequena, mas não impossível. É fundamental que o casal tenha consciência das restrições nessa fase da vida, evitando, assim, ilusões que, muitas vezes, estão mais próximas de um milagre. Mas, nada é impossível.

4) Quais são os riscos de uma gestação após essa idade?

R: Em primeiro lugar, deve-se considerar a possibilidade de intercorrências clínicas de uma gestação nessa fase da vida, como: diabetes, hipertensão arterial, problemas de coluna etc. Depois, caso se consiga a gestação com seus próprios óvulos (podem ser usados óvulos doados), sempre deverá  avaliar-se a grande probabilidade de abortamento e malformação.

5) Caso uma mulher nessa fase da vida deseje ter filhos com seus próprios óvulos, qual deverá ser o tratamento?

R: Após avaliação clínica e hormonal, o ideal é realizar a Fertilização In Vitro, que proporciona chance maior  de resultados positivos. Nesse tipo de procedimento, os embriões provenientes da Fertilização In Vitro são avaliados e a qualidade dos óvulos também. As taxas de gravidez nesses tratamentos e nessa idade  são muito baixas, mas não impossíveis. O casal deve ter consciência disso.

6) Qual seria a melhor alternativa para um casal cuja mulher tem essa idade?

R: Do ponto de vista de resultados, a melhor alternativa é a doação de óvulos. O casal deverá conhecer bem esse processo. É importante que sejam previamente avaliados psicologicamente para saber se estão preparados para esse procedimento.

 7) Mas, se o óvulo é de uma outra mulher (doadora), isso significa que os genes desta criança não são da mulher vai gerar o bebê (mãe receptora) ?

R: Exatamente. Os cromossomos deste bebê serão metade do marido da mulher receptora (que é a mulher que tem mais de 46 anos) e metade dos cromossomos da mulher doadora.

8)  A receptora pode conhecer a mulher doadora?

R: Não, de forma alguma. No Brasil, a ovodoação é um tratamento considerado ético, mas a doadora não poderá ser conhecida pelo casal. Muitos casais gostariam de ter os óvulos de alguém da sua própria família para manter a herança genética familiar, mas isto não é possível. O anonimato é obrigatório. É importante que o casal que vai receber óvulos doados tenha esse conhecimento e saiba  que quem doou os óvulos jamais terá algum direito sobre seu filho.

9) Até que idade uma mulher pode ter filhos com óvulos doados?

R: Ainda que não exista uma lei, há  um consenso que 55 anos deva ser a idade máxima. É evidente que algumas clínicas aceitam fazer tratamentos deste tipo em mulheres com mais idade, mas são poucas. Algumas vezes, têm-se notícias que mulheres entre 60 e 70 anos deram à luz. Este fato é tão raro que é noticiado pelos meios de comunicação no mundo.

10) Existe algum fundamento neste limite de idade?

R: Acredita-se que, após essa idade, muitas mulheres terão problemas clínicos importantes durante a gestação (diabetes, hipertensão etc) e que podem colocar a vida da própria gestante em risco. Deve-se ponderar também o constrangimento da criança, quando chegar à adolescência e observar que sua mãe assemelha-se às avós de seus colegas. Uma vez que a ovodoação é um tratamento íntimo que normalmente é do conhecimento exclusivo do médico e do casal, acredita-se que esse tipo de mal-estar da criança deverá ser evitado. É importante lembrar que alunos do Ensino Médio (adolescência) já têm conhecimento de biologia da reprodução e sabem que a gestação após os 60 anos é impossível.

11) As mulheres nesta idade têm sempre condições de ter uma gestação?

R: Nem sempre. Por isso, antes que se inicie o processo de Fertilização In Vitro, deverão passar por uma avaliação ginecológica, clínica e cardiológica e fazer os seguintes exames:

Exames complementares para avaliação ginecológica:

  • Ultrassom
  • Histeroscopia
  • Papanicolau
  • Mamografia
  • Exames de sangue – hormonais e de doenças infecciosas (HIV, Hepatite etc)
  • Espermograma etc.

Exames complementares para avaliação clínica

  • RX tórax
  • Eletrocardiograma
  • Exames de sangue em geral (glicemia, colesterol etc)
  • Outros, se necessários
  • Avaliação psicológica e emocional.

12) Como ocorre o processo de fertilização entre uma doadora e uma receptora?

R: O processo é uma Fertilização In Vitro. A doadora deverá passar por um processo de indução da ovulação indicado para o Bebê de Proveta. Paralelamente, a receptora recebe hormônios que preparam o endométrio para receber os embriões. Enquanto os óvulos se desenvolvem na doadora, o endométrio da receptora fica mais espesso a cada dia. Quando os óvulos da doadora forem aspirados, parte deles será encaminhada para a receptora e fertilizados com o sêmen do próprio marido. A seguir, os embriões são transferidos para cada uma das pacientes.

13) Quais são as regras para a ovodoação?

São basicamente 3:

1 . A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial. Não se vendem óvulos (nem espermatozoides).

2. As doadoras não podem conhecer a identidade das receptoras e vice-versa. O sigilo e o anonimato serão obrigatoriamente mantidos. A legislação não permite doação entre familiares;

3. As clínicas especializadas mantêm de forma permanente um registro das doadoras, dados clínicos de caráter geral com as características fenotípicas (semelhança física) e exames laboratoriais que comprovem sua saúde física. A escolha de doadoras baseia-se na semelhança física, imunológica e na máxima compatibilidade entre doadora e receptora (tipo sanguíneo etc).

14) Quem são as mulheres que podem doar óvulos?

R: As doadoras devem ter as seguintes características:

a) Menos do que 35 anos de idade;

b) Bom nível intelectual;

c) Histórico negativo de doenças genéticas transmissíveis;

d) Teste negativo para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis (hepatite, sífilis, Aids etc) e tipagem sanguínea compatível com a receptora.

15) Qualquer mulher pode doar óvulos?

R: O importante é preencher os requisitos das perguntas 13 e 14 (deste capítulo). Qualquer mulher que preencha estes itens e seja desconhecida da receptora poderá doar óvulos. Entretanto, as principais fontes de doadoras são:

a) Mulheres férteis, que desejam submeter-se à ligadura tubária, poderão ser incentivadas a aceitar a estimulação ovariana e a doação dos óvulos.

b) Pacientes do programa de Fertilização In Vitro ou Inseminação Artificial com altas respostas ao estímulo ovariano, às vezes, desejam, de forma voluntária e anônima, doar parte dos óvulos obtidos. São pacientes que não desejam congelar embriões nem óvulos e temem uma gestação múltipla.

c) Óvulos congelados provenientes de mulheres submetidas a tratamentos de Fertilização in vitro que engravidaram e tiveram seu(s) filho(s). O sucesso do tratamento já realizado indica uma boa qualidade destes óvulos. Estas pacientes, quando não desejam ter mais filhos, muitas vezes doam os óvulos excedentes. A chance de gravidez, nestes casos, está entre 50% a 55%. Vale ressaltar que a doação de óvulos é muito mais fácil de ser aceita pela paciente em relação à doação de embriões. Como a chance de gestação com óvulos congelados está cada vez mais próxima à de embriões congelados, vale a pena o incentivo para o congelamento de óvulos para mulheres jovens que os produzem em grande quantidade.

d) Doação compartilhada: nesse caso, a receptora pagaria parte dos custos da paciente que tem indicação para bebê de proveta (doadora), mas não pode fazê-lo por motivos financeiros. Em troca, a receptora recebe metade dos óvulos produzidos pela doadora. Dessa forma, estaremos ajudando duas mulheres e dando a ambas o direito de ser mãe. Essa posição pode ser considerada eticamente controvertida, uma vez que a doadora está sendo beneficiada economicamente, embora não esteja recebendo dinheiro para isto.

e) Irmãs, familiares e outras que queiram ajudar a receptora podem ser doadoras desde que façam uma doação cruzada, isto é, os óvulos do familiar de uma doadora serão doados para uma receptora que também terá uma familiar que doará para a primeira receptora. Suponha que “A” tem uma irmã que se chama “X” e a outra paciente receptora “B” tem uma irmã que se chama “Y”. Neste caso, a paciente “A” poderá receber óvulos da doadora “Y” e a receptora “B” poderá receber óvulos da doadora “X”. Desta maneira, o anonimato será preservado.

f) Doação por generosidade pura: é muito raro. Algumas mulheres, de maneira altruística ou já beneficiadas por tratamentos anteriores de Fertilização in vitro, não desejando mais filhos e movidas por um sentimento de gratidão, se oferecem para doar seus óvulos sem qualquer benefício.

16) Existem outras razões para uma mulher receber óvulos de uma doadora?

  • Ausência congênita ou retirada cirúrgica dos ovários;
  • Doenças genéticas transmissíveis da mulher;
  • Falhas repetidas de tratamentos de Fertilização In Vitro que aconteceram devido à má resposta ovariana ou a embriões de má qualidade;
  • Menopausa precoce.

IMPORTANTE:

Os critérios aceitos para definir quem pode ser doadora de óvulos variam de acordo com a resolução vigente do CFM (Conselho Federal de Medicina) na época do procedimento.

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