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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Sindrome dos ovários policísticos (SOP)

7 de setembro de 2011
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1) O que é a síndrome dos ovários policísticos ou simplesmente ovários policísticos?

R: Com o surgimento, há cerca de 30 anos, do ultrasom, houve um aumento do diagnóstico de ovários policísticos. Entretanto, a verdadeira síndrome dos ovários policísticos é definida quando houver no mínimo dois dos três sintomas seguintes:
a) imagem pelo ultrasom de ovários policísticos. Nesse caso, é fundamental que se saiba que os cistos (pelo menos 12 em cada ovário com menos de 10mm de diâmetro e ovário com volume acima de 10 cm3) estão principalmente na periferia do ovário. É diferente do ovário multifolicular, que tem os cistos em menor quantidade e espalhados de forma homogênea por todo órgão e não deve ser chamados de ovário policístico.
b) ovulação deficiente e, muitas vezes, falta de menstruação.
c) sinais clínicos ou laboratoriais que demonstram o aumento dos hormônios masculinos, como crescimento de pelos em lugares do corpo não comuns nas mulheres (hirsutismo), acne e espinhas.

COMO É VISTO O OVÁRIO PELO ULTRASSOM
ovário normal ovário multifolicular ovário policístico
tamanho normal com alguns folículos primordiais tamanho normal com maior quantidade e tamanho de folículos geralmente de tamanho maior com vários pequenos cistos (mais do que 12), principalmente na periferia do ovário

2) Quais são outras alterações observadas na síndrome dos ovários policísticos?

R: Pelo menos metade delas são obesas e muitas apresentam respostas orgânicas exageradas ao estímulo da insulina. A insulina é um hormônio fabricado pelo pâncreas. A falta dele causa a doença diabetes. Em algumas pacientes com ovários policísticos, o organismo é menos responsivo a esse hormônio, o que determinará alterações da ovulação, formação de pequenos cistos ovarianos e um tratamento específico para esses casos. O exame indicado para esta avaliação é a dosagem de glicose e insulina em jejum.

3) Mulheres que apresentam somente sinais pelo ultrassom de ovário policístico sem desordens de ovulação ou sinais de masculinização devem ser tratadas?

R: Não. Somente devem ser observadas periodicamente e orientadas para observarem os outros sinais já descritos na resposta número 1 deste capítulo.

4) A SOP sempre causa infertilidade?

R: Não. Grande parte dessas mulheres ovulam de maneira desordenada, mas isso não significa que é impossível engravidar naturalmente. Esse conceito é fundamental, pois muitas mulheres engravidam numa época indesejada de suas vidas por acharem que isso jamais aconteceria.

5) Em resumo, quais são os exames importantes para o diagnóstico de SOP?
R: São:
História clínica (perturbações menstruais – menstruações a cada dois ou três meses).
Exame clínico (avaliação do peso e avaliação da quantidade de pelos).
Ultrassom endovaginal ou pélvico (se for virgem).
Dosagens hormonais: FSH, LH, testosterona, testosterona livre, prolactina, androsteredeona, sulfato de dehidroepiandros, glicemia de jejum, insulina e teste de tolerância à glicose.

6) Qual é o tratamento?

R: Basicamente são 3 possibilidades:
a) tratamento geral: se a mulher for obesa é indicada reeducação alimentar, para que o peso atinja níveis satisfatórios compatíveis com sua estatura e constituição física. Muitas pacientes voltam a menstruar normalmente só pelo fato do seu peso estar próximo ao ideal. As medidas estéticas são importantes para que os pelos em excesso deixem de existir. É proibido arrancá-los ou usar lâmina, mas a eletrólise ou medidas corretas para correção do hirsutismo devem ser tomadas. Com essas atitudes, haverá também uma melhora de autoestima e um incentivo à continuidade do tratamento.
b) tratamento hormonal: o tipo de medicação dependerá dos objetivos da paciente. Se a meta for engravidar, deverão ser receitados remédios indutores da ovulação com controle ultrassonográfico (clomifene ou gonadotrofinas). Nesse caso, o ovário policístico pode ter respostas surpreendentes, que vão desde não responder às medicações indutoras até a resposta exagerada, formando vários folículos com óvulos. Isso acarreta em perigo de gestação múltipla ou outras complicações mais graves (hiperestímulo). Se o objetivo não for engravidar, poderão ser dadas drogas que simplesmente regularizem a menstruação, como pílulas anticoncepcionais ou outros tipos de hormônios reguladores, como por exemplo a progesterona.
Em qualquer uma das duas situações, o tratamento poderá ser completado com drogas antihormônios masculinos (antiandrogênicos) ou antidiabetes (metformina), para combater o efeito indesejado da insulina.
c) Tratamento Cirúrgico (Ovary Drilling): é reservado para casos especiais, quando todas as possibilidades de tratamento clínico foram esgotadas. O tratamento cirúrgico atualmente recomendado é a videolaparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva realizada em hospital, sob anestesia geral, com um único dia de internação e o retorno à vida cotidiana rapidamente.

7) Como age a metformina nos tratamentos de SOP?

R: A metformina diminui a insulina e isso ajuda a diminuir os hormônios masculinos produzidos pelo ovário, que ajudam a impedir uma ovulação adequada. Muitas vezes os efeitos positivos são observados após 6 a 8 meses depois do início da ingestão do medicamento. Existem outras drogas como o Sitagliptina (Januvia) e o Mio Inositol.

8) Como age o Mio-inositol nos tratamento de SOP?

R: Recentes estudos têm demonstrado que a qualidade dos óvulos e dos embriões depende não só da formação genética e cromossômica, mas também do ambiente onde os óvulos se desenvolvem (fluido folicular que envolve os oócitos antes da ovulação). Muitas vezes, esse ambiente pode ter variações importantes. O Inositol faz parte desse ambiente. Dados da literatura médica demonstram que a presença de altos níveis de mio-inositol no fluído folicular está relacionada com uma boa qualidade dos óvulos e o sua inclusão nos tratamentos melhoram a divisão celular e os resultados de gravidez. Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) costumam ter deficiência da enzima que produz o inositol no corpo. Assim, nesse grupo, a suplementação de mio-inositol apresenta os melhores resultados, tanto na regulação do ciclo menstrual (normalmente alterado nas mulheres com esta síndrome) como na fertilidade. O mio-inositol provoca a diminuição de hormônios como LH, androgênios, glicemia e HOMA IR, e aumenta a sensibilidade à insulina, melhora a atividade ovariana, diminui a quantidade necessária do FSH (Hormônio Folículo Estimulante) na estimulação ovariana e melhora a qualidade e a quantidade dos óvulos coletados, além de proporcionar maior taxa de gravidez e menor incidência de abortos.

BENEFÍCIOS DO MIO-INOSITOL
• Nos tratamentos de fertilização: Restaura a função ovariana induzindo a ovulação 100% seguro na gravidez. Reduz a chance de hiperestimulação ovariana. Reduz a quantidade de FSH necessária para estimulação ovariana. Reduz o número de dias de estimulação. Melhora a qualidade dos óvulos. Melhora a qualidade dos embriões.
• Na SOP: Reduz a resistência à insulina. Reduz o hiperandrogenismo. Restaura o equilíbrio hormonal. Reduz hirsutismo e acne. Restaura o equilíbrio metabólico.
• Na alimentação: Inositol é normalmente encontrado em vários tipos de alimentos como fígado, lecitina (principalmente de soja), trigo integral, germe de trigo, levedura de cerveja, amendoim, batata doce, repolho, melão e laranja. Entretanto, o inositol é destruído no processo de industrialização dos alimentos.

9) É sempre necessário um tratamento?

R: Se as menstruações não forem regulares e sim esporádicas deverá haver um tratamento. As mulheres que menstruam a cada 2 ou 3 meses, ou mais tempo, têm chance maior de, a longo prazo, desenvolver câncer de endométrio (tecido que reveste o útero internamente). Isso acontece porque nesses casos o hormônio estradiol, que age continuadamente sobre esse tecido sem a ação oposta da progesterona por períodos longos, favorece o surgimento dessa doença. Ao se receitar o hormônio progesterona ou uma pílula anticoncepcional, esse efeito nocivo pode ser resolvido.

10) Por que as mulheres têm ovário policístico?

R: Ainda não se sabe o motivo pelo qual a mulher tem os ovários policísticos. Pode existir uma causa hereditária. Acredita-se que a causa dos ovários policísticos seja a incapacidade de produzirem os hormônios em proporções corretas, de maneira desordenada, impedindo que os folículos se desenvolvam sincronicamente. O motivo pelo qual isso acontece é desconhecido.

11) Existe relação entre SOP e abortamento?

R: Sim, existe essa relação. Por esse motivo, em alguns casos individualizados, a paciente grávida deverá receber uma suplementação de progesterona. Além disso, o desbalanço hormonal mantido por muitos anos pode tornar ovário muito resistente à indução da ovulação e dificultar o tratamento para engravidar.

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