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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

“O tempo de Deus é diferente do nosso” Sandra Regina e Alex

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Eu e meu marido nos casamos já bem amadurecidos, eu com 32 e ele com quase 38 anos. Pensamos inicialmente em curtir aquela fase e por quase cinco anos a idéia de ter filhos ficou apenas em nossos planos. Depois desse período repleto de bons momentos de um casamento feliz, veio o desejo de aumentar a família trazendo o fruto do nosso amor. Foi então que em busca de um sonho de ambos, demos início a uma fase das nossas vidas muito difícil, com muito sofrimento, mágoa e angústia. Não tínhamos idéia do que estava por vir.

Tentei engravidar espontaneamente, pois até então nem passava pela nossa cabeça um possível empecilho que nos impedisse de alcançar essa dádiva. Mesmo com muitas tentativas a gravidez nunca chegava, e cada mês que a menstruação descia era uma decepção. Passados 12 meses sem sucesso, resolvemos procurar um especialista em reprodução humana, que logo sugeriu a realização de vários exames para um diagnóstico mais confiável.

Já de posse de todos os exames, nos explicou que meu marido sofria de varicocele (baixa contagem de espermatozóides) e eu estava apresentando hipotireoidismo. Diante daquela situação, para piorar ainda mais o meu estado emocional, o médico me disse com todas as letras: “VOCÊ NÃO VAI SER MÃE!” Aquele momento foi um dos piores de toda a minha vida, pois era difícil compreender e assimilar o fato de eu ter ouvido essa afirmação, pois acredito que por mais sincero que um médico deva ser, jamais deve esquecer que está lidando com seres humanos, que sofrem e que se magoam. Ao presenciar aquela situação, meu marido logo pôs um fim na consulta, afirmando que já tínhamos ouvido tudo o que precisávamos ouvir. Já estávamos certos de que ele não era o médico que cuidaria de mim. Apesar da grande dor e tristeza, aquelas palavras não tiraram do meu coração o desejo e a certeza de que um dia eu seria mãe.
As tentativas continuaram, mas nada acontecia. Dei início ao tratamento com hormônios para balancear a tireóide e meu marido se dispôs a fazer a cirurgia da varicocele para tentar reverter o quadro de infertilização. Continuei fazendo exames na tentativa de identificar algum outro problema em mim. Foi então que para minha surpresa, aos 37 anos, eu estava entrando na menopausa precocemente. Foram momentos horríveis e o sonho da maternidade ficava cada vez mais distante das nossas vidas. Todas as noites, ao me deitar, colocava a mão em meu ventre e dizia ao meu marido que eu queria muito ser mãe. Muitas vezes eu caía em lágrimas e para me confortar ele sempre me fazia acreditar que eu seria.

Após algum tempo, resolvemos visitar um outro especialista na área de reprodução humana. Foi então que nos direcionamos à clínica IPGO, onde pela primeira vez nos consultamos com o Dr. Arnaldo. Após avaliar nosso caso, diferente do outro médico, ele em momento algum me disse que eu não seria mãe. Nos explicou que só conseguiríamos a gravidez através da Fertilização In Vitro com ovodoação, ou seja, seriam utilizados espermatozóides do meu marido e óvulos de uma doadora compatível comigo, pois infelizmente meus ovários já não dispunham de óvulos férteis. Ouvimos com muita atenção tudo o que ele nos falou e fomos amadurecer a idéia. Meu marido estava decidido a aceitar, mas eu não.

No primeiro momento essa alternativa me pareceu muito ruim, pois eu queria ter um filho com a minha carga genética e características minhas e do meu marido, e não com gens de uma pessoa que eu não conhecia. Fiquei chocada com a notícia de saber que esta seria a única possibilidade existente que me levaria à maternidade. Na minha cabeça, se não fosse meu também não seria dele. Eu preferia partir para a adoção a gerar uma criança que fosse do meu marido com outra mulher. Durante meses não pensávamos em outra coisa a não ser nessa possibilidade. Discutíamos em conjunto os prós e os contras, pois era uma decisão bastante difícil. Meu marido deixou a situação nas minhas mãos e sempre dizia que me apoiaria indiferente de qual fosse a minha escolha.

Certo dia, uma amiga que residia em outro Estado, sabendo da nossa situação, nos trouxe a possibilidade de adotarmos uma criança recém-nascida. Essa notícia bateu forte, porém por trás de uma adoção existem muitas complicações. O processo seria realizado ilegalmente, já que sabíamos que existia muita burocracia para adotar uma criança de forma legal. Não queríamos ter que entrar para uma fila de espera gigantesca, receber visitas de assistentes sociais, etc. Era algo que queríamos naquele momento, pois o desejo era tão grande que não conseguíamos esperar.
Após muitas conversas resolvemos aceitar. A opção da FIV ficou de lado e começamos a investir somente na idéia da adoção. Logo apareceu uma criança, que depois viemos a saber que seria uma menina. Ainda grávida, a mãe a concedeu ao médico que intermediava o processo de adoção. A previsão para o nascimento estava um pouco distante, mas já aguardávamos a criança com muita ansiedade e amor. Pouco tempo depois recebemos uma ligação da clínica em uma sexta-feira, nos avisando que o nascimento aconteceria na segunda-feira. Queriam saber se iríamos realmente buscá-la. Aquilo para nós foi como um baque, pois iríamos receber uma criança em casa sem termos uma mamadeira dentro do armário. Mesmo assim não exitamos e topamos. Em um final de semana compramos tudo que era necessário para receber a nossa filha. Quando tudo já estava pronto e preparado, recebemos uma ligação da clínica que nos informou que havia sido alarme falso. A mãe ainda estava de sete meses. Perguntaram se continuávamos interessados, e eu disse que mais ainda, já que desta forma teria mais tempo para equipar o quarto da minha filha que estava por vir.

E foi exatamente assim. Durante esse período nos preparamos para recebê-la com todo o conforto e carinho que uma criança merece. Montamos o quarto, o enxoval completo, acessórios, carrinhos, etc. Tudo estava pronto, faltava apenas a sua chegada. Passados dois meses o médico me ligou pedindo para que nós não fôssemos buscá-la. Fomos avisados que a família do bebê intercedeu no processo de adoção, fazendo com que a mãe desistisse da idéia de doá-la. No momento em que recebi aquela notícia, fiquei sem chão, sem rumo. A dor era tão grande quanto a dor de uma mãe que perde o seu filho no parto. A angústia tomou conta do meu coração e o meu estado emocional ficou muito debilitado. Desmontei o quarto inteiro e decidi apagar aquele acontecimento do meu coração. Cada vez que eu entrava naquele cômodo, eu imaginava uma criança ali. A verdade é que ela havia nascido, porém para mim, havia morrido. Foi um dos piores momentos das nossas vidas. Havíamos recebido um outro não para o nosso sonho e nos frustramos mais uma vez.
Eu não sei dizer como ou por que, mas no fundo do meu coração vinha uma voz que dizia para não desistirmos, pois ainda conseguiríamos alcançar a vitória. Eu chorava muito e não me conformava com aquilo tudo, mas o meu marido sempre me fez acreditar que eu seria mãe, me dizendo que o tempo de Deus era diferente do nosso. Sempre me deu total apoio e isso foi crucial durante todo o processo.

Naquele ano, ao invés de viajarmos para o exterior durante as férias como sempre fazíamos, decidimos ir para Porto Alegre nos consultar com outro médico especialista em reprodução humana. Ele olhou para mim e disse: “Você pode ser mãe!” Nos explicou que através da FIV com ovodoação a gravidez seria possível. Eu contei que o Dr. Arnaldo havia me sugerido a mesma coisa, porém, há dois anos atrás. A verdade é que depois dos vários nãos e do longo tempo que eu tive para amadurecer a idéia, a proposta não me parecia mais tão absurda diante do desejo que eu tinha de ter um filho. Percebi que havia sido muito egoísta em não ter aceitado o óvulo de uma doadora, mas venci as barreiras que existiam dentro de mim, passei por cima de tudo e dei espaço para que o nosso maior sonho se realizasse.

Ainda no mesmo ano, voltamos a conversar com o Dr. Arnaldo, que já no primeiro dia da consulta deu início aos primeiros exames. Aguardávamos ansiosamente o dia da transferência dos embriões, e enquanto isso eu estava tomando todos os hormônios necessários a fim de preparar meu útero. Chegado o dia, tivemos que tomar outra difícil decisão. Existiam três embriões para transferência e precisávamos decidir quantos colocaríamos. Conversamos com o Dr. Arnaldo e explicamos que queríamos no máximo duas crianças. E ele disse: “Quer um conselho? Coloque os três!” Eu fiquei assustada, mas confiei na palavra de um especialista. Entregamos nas mãos de Deus e deixamos que fosse feita a Sua vontade.

Os 12 dias foram os mais esperados das nossas vidas. Era uma mistura de medo e agonia, uma sensação horrível. Porém tínhamos a certeza convicta de que daria certo! Foi quando chegou o grande dia! A resposta sairia às 15h, e quando foi 14h eu saí do meu trabalho e fui direto pra casa. Chegando lá, fiquei ao lado do telefone com grande expectativa. Após algum tempo, o telefone tocou. Ao atender, logo ouvi a voz do Dr. Arnaldo com a notícia mais feliz da minha vida: “Parabéns! Você está grávida!” Naquele momento eu dei um grito de alegria com sabor de vitória. Não consegui fazer mais nada além de me derrubar em lágrimas. Eu chegava a não acreditar no que tinha acabado de ouvir, pois o caminho foi muito árduo e eu recebi muitos nãos até que o sonho se concretizasse.

Em seguida liguei para o meu marido que estava no trabalho, e emocionado, também caiu em lágrimas. A tão esperada notícia caiu como um bálsamo em nossos corações, aliviando todos os traumas e dores vividos anteriormente. Agradecemos sempre a Deus e a nossa gratidão será eterna.

Eu agradeço também muito à doadora que foi fundamental. Oro todos os dias pela vida dela, pra que Deus dê muita felicidade. Nós fizemos o tratamento na mesma época e durante o processo eu não torcia só por mim, mas sim por nós duas. Depois eu fiquei sabendo que ela também conseguiu ser mãe e realizar seu sonho. Fiquei muito feliz, pois era o que eu queria. Não queria ser mãe sozinha, queria ser mãe, mas queria que ela fosse também.

Hoje, amadurecida, confesso que o fato de a metade da genética não ser minha passou quando eu senti o coraçãozinho bater. A primeira vez que você vê aquela coisinha se mexendo dentro de você, tudo passa, você esquece. Essa questão passa a ser um mero detalhe, tão pequeno, que não faz diferença alguma. A criança cresce dentro de você, é sua.

“Nunca desista do seu sonho, mesmo que a vida tenha lhe dito alguns NÃOS. Independentemente da forma como você atinja esse objetivo, seja ele com óvulos e espermatozóides biológicos ou não, o importante é a conquista do objetivo final.”

“Gostaria de salientar a importância que a minha parceira e doadora teve nesse processo, pois sem a sua ajuda, me cedendo óvulos férteis, eu não conseguiria engravidar. Serei grata por toda a minha vida, pois esse foi um imenso ato de amor. Ela é responsável diretamente pelos momentos de alegria que hoje compartilhamos com vocês. Muito obrigada, seja você quem for e esteja onde estiver.”

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