HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana
HCV – Vírus da Hepatite C
HTLV – Vírus Linfotrópico Humanoas Células T
Até 2005 a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva contra-indicava a gestação em casais com HIV, Hepatite C e HTLV sorodiscordante (só o homem ou só a mulher soropositivo).
Com o aumento do diagnóstico precoce destas doenças e o desenvolvimento dos tratamentos observou-se uma condição de vida melhor para estes indivíduos que passaram a merecer atenção maior no seu futuro reprodutivo. Assim, novas técnicas de preparo do sêmen tornaram possível a gestação em casais sorodiscordantes.
Existem três possibilidades do acometimento do casal:
1. Homem infectado e mulher não
É a mais comum e não existe contra-indicação para a gestação, pois se trata de mulher sadia. O importante é estabelecer os critérios laboratoriais para o preparo e a forma de utilização do sêmen do homem infectado.
2. Homem e mulher infectados
O que definirá a realização ou não do procedimento, no caso do HIV, é o estado clínico de saúde da mulher e, no que concerne ao HIV, se houver sorodiscordância para outras infecções coexistentes como hepatite B, hepatite C e HTLV em um dos parceiros.
Se a carga viral positiva for baixa em ambos os parceiros e as condições clínicas da mulher forem satisfatórias, as possíveis discrepâncias das doenças acima relatadas devem ser avaliadas sendo possível a gravidez pelas técnicas de reprodução assistida (FIV ou IAIU )
3. Homem não infectado e mulher infectada
Neste caso a situação clínica da mulher é o fator limitante e tanto a inseminação artificial intra-uterina como a fertilização in-vitro poderão ser realizadas. Entretanto, devemos lembrar que nestes pacientes há um alto risco para outras doenças sexualmente transmissíveis e a conseqüentemente maior possibilidade de danos tubários. O parto vaginal e a amamentação devem ser evitados para não ocorrer a transmissão vertical. Os casais submetidos a estes tratamentos deverão ser acompanhados por 10 anos.
Quais são os cuidados necessários antes de iniciar o tratamento de fertilização de casais sorodiscordantes em HIV, HepatiteC e HTLV:
1. Acompanhamento e consentimento do infectologista responsável pelo paciente
2. dosagem dos linfócitos T CD4+/mm3;
3. avaliação de carga viral no sangue;
4. avaliação da carga viral no sêmen(número de cópias/ml).
Fundamental nos casos em que o marido for o infectado, mesmo que a carga viral plasmática (no sangue) for baixa ou inexistente, isto não elimina a possibilidade de encontrar o vírus no sêmen. Por isto esta avaliação é muito importante antes do início do tratamento.)
Processamento dos espermatozóides (Técnica de lavagem dos espermatozóides)
O primeiro passo no tratamento, após a análise satisfatória dos exames citados no item anterior, é o homem fazer um espermograma para verificar sua fertilidade. Dependendo da concentração e da qualidade dos espermatozóides da amostra analisada e após o processamento, a mulher poderá ser submetida a inseminação artificial ou a fertilização in vitro.
O sêmen deve ser coletado alguns dias antes do procedimento para que haja tempo suficiente para o seu preparo e a confirmação da ausência da carga viral até o dia da fertilização. O processamento é realizado através de técnicas de centrifugação que oferece grandes chances de desinfecção. O processo é complexo e exige várias etapas. Após a coleta, o material é colocado em um tubo de ensaio com um meio de cultura que mantém os espermatozóides vivos. Depois, esse conteúdo é centrifugado ficando o líquido seminal, que contém o vírus, na superfície do tubo, separado dos espermatozóides viáveis. A seguir, mais uma vez, este material é enviado à centrífuga para ser lavado em meio de cultivo semelhante ao encontrado no trato reprodutivo feminino. Ao final destas etapas, parte do material processado é encaminhado para fazer novos testes para confirmar se está livre da doença e a outra parte é congelado para ser utilizado no dia do tratamento. Se a amostra enviada para exame evidenciar resultado negativo (ausência de vírus) certamente o que foi congelado também está descontaminado. Se o tratamento realizado não der certo, o processo terá que ser todo refeito, inclusive o congelamento.
Saiba mais sobre estas doenças:
HIV
O número de pacientes infectadas pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, sigla derivada do nome inglês Human Immunodeficiency Vírus) ou AIDS(Acquired Immuno Deficiency Syndrome), encontra-se em patamares bastante elevados.
Atualmente são diagnosticados no Brasil cerca de quatrocentos novos casos por ano. No mundo já existem quarenta milhões de pessoas infectadas e grande parte delas está em uma fase reprodutiva desejando formar a sua própria família. Assim, com os importantes avanços terapêuticos como a Terapia Retroviral Potente (HAART: HIGLY ACTIVE ANTIRETROVIRAL THERAPY), os indivíduos em HIV positivo passaram a ter uma melhor qualidade e maior expectativa de vida, tornando realidade o desejo de ter filhos. Por isso, cada vez mais as Clínicas de Reprodução Humana como o IPGO são procuradas por casais com esta infecção. A técnica de lavagem dos espermatozóides resolve o problema dos homens soro positivos, desde que obedeçam os cuidados descritos acima. No parto, quando a mãe for soro positivo, mais alguns cuidados são necessários na gestação e no momento do parto.
Orientações para o dia do parto quando a mãe for soro +
Cuidados especiais para a gestante:
Infusão ZIDOVUDINA IV no Trabalho de Parto
Uso endovenoso
1ª Hora (iniciar no quarto, antes de ser encaminhada ao centro cirúrgico)
1. ZIDOVUDINA ______ 14 ml - IV 37 gotas/minuto
SG 5% ______ 100 ml - IV 37 gotas/minuto
Administrar a solução acima em 1 hora. Após o término iniciar a posologia abaixo (2ª hora)
2. ZIDOVUDINA ______ 7 ml - IV 36 gotas/minuto
SG 5% ______ 100 ml - IV 36 gotas/minuto
Administrar a solução acima IV até o clampeamento do cordão umbilical.
Orientações Gerais para o bebê recém-nascido
1. Proceder banho com água e sabão no RN imediatamente após o nascimento (sala de parto)
2. Aspirar as vias aéreas do RN delicadamente, evitando traumatismo em mucosa
3. Iniciar antiretroviral (solução oral) ao RN conforme prescrição em anexo imediatamente após o nascimento
Medicação para o recém-nascido
Uso interno
1. Lidovudina solução oral ______ 1 frasco
Administrar 2mg/Kg a cada seis horas por seis semanas.
Solução: 10mg por ml
Iniciar até a 2ª hora após o parto
Hepatite C
A hepatite C é uma doença viral que acomete o fígado. Acredita-se que cerca de 2 a 3% da população mundial esteja infectada por esse vírus. Essa doença na maioria das vezes não ocasiona nenhum sintoma e portanto a maioria das pessoas não sabe que estão infectadas. Os casais, com um ou ambos parceiros com esta doença crônica, devem ser submetidos às técnicas de reprodução assistida.
A transmissão de hepatite C ocorre quando o sangue contaminado penetra na corrente sanguínea do indivíduo sadio. As principais vias de transmissão são: transfusão de sangue e derivados, transplante de órgãos, uso de agulhas, seringas e contato com ferimentos, drogas injetáveis ou aspiradas, tatuagem ou piercings e outros materiais que possam conter sangue contaminado. Embora ainda não esteja bem esclarecido, a transmissão sexual é improvável. Quinze por cento das pessoas pode ter cura espontânea.
O tratamento é feito pela combinação de medicamentos; o interferon convencional ou interferon peguilado ou perginterferon (um interferon mais prolongado), e a ribavirina, representa o tratamento padrão para estes pacientes, o tratamento não pode ser feito durante a gravidez. A chance de transmissão durante a gestação é mínima. No caso do homem ser infectado o vírus não é transmitido para o feto. Não existe vacina para hepatite C.
HTLV
O vírus HTLV (sigla da língua inglesa que indica vírus que infecta as células T humanas) é um retrovírus isolado em 1980 a partir de um paciente com um tipo raro de leucemia de células T.
Apresenta dois tipos: O HTLV-I que está implicado em doença neurológica e leucemia, e o tipo 2 (HTLV-II) que está pouco evidenciado como causa de doença.
Esses vírus se transmitem pelo contato com sangue (seja por transfusão de sangue ou por injeção de drogas de abuso), pela via sexual e pela amamentação. Diferentemente do HIV, apenas de 1 a 5 % das pessoas que têm exame de sangue positivo (anticorpos anti-HTLV 1 ou 2) poderão ter alguma doença ligada a esses vírus. Os demais, de 95 a 99% dos positivos, não terão qualquer doença.
Pela semelhança com o antigo nome do HIV (HTLV-III), essa informação causa muito medo e ansiedade. Por se tratar de conhecimento relativamente recente poucos profissionais estão habilitados a fornecer mais informações a respeito desse vírus e tranqüilizar as pessoas.
Existem centenas de vírus que pertencem à família dos retrovírus. O HIV-1 e o HIV-2 (que causam AIDS), o SIV (de macacos), o FLV (de gatos), o BLV (de bovinos) e o HTLV-1 e HTLV-2. Todos eles pertencem à mesma família de vírus, porém causam doenças completamente diferentes.
A maioria dos portadores é assintomática (sem sintomas) mas poderão desenvolver alguma doença. No Japão, por exemplo, 14 em cada 1500 portadores assintomáticos poderão desenvolver a doença neurológica que provocam dificuldades de andar. No caso de leucemia o risco é ainda menor, ou seja, um em cada 10.000 portadores poderá desenvolvê-la ao longo da vida. Cerca de 99% das pessoas portadoras do HTLV-I NUNCA desenvolverão qualquer problema de saúde relacionado ao vírus HTLV. Entretanto, alguns pacientes podem desenvolver problemas neurológicos que se iniciam com queixas de dores nos membros inferiores (panturrilhas), na região lombar (parte inferior da coluna lombar), dificuldade de defecção ou micção. Estes sintomas são sempre progressivos e estão na região abaixo da linha do umbigo. O HTLV possui as mesmas rotas de transmissão que outros vírus como vírus da imunodeficiência humana (HIV) e vírus da hepatite C (HCV): pela relação sexual desprotegida com uma pessoa infectada; uso em comum de seringas e agulhas durante a droga-adição; da mãe infectada para a o recém-nascido (principalmente pelo aleitamento materno). Felizmente, desde de 1993 todos os bancos de sangue do Brasil devem testar os doadores de sangue para o HTLV. Assim, nos últimos 7 anos, o risco de transmissão praticamente não existe em nosso país. Em relação à transmissão sexual existe a recomendação para uso de preservativo (camisinha) em todas as relações sexuais, tanto neste caso como naqueles onde a mulher é soropositiva para o HTLV e o parceiro não. Não existe impedimento em ter filhos, pois as chances de transmissão vertical são consideradas baixas (<10%) durante a gravidez. Entretanto, recomenda-se não amamentar no peito, pois o risco de transmissão pelo leite materno é razoável. Uma alternativa é o uso de leite vindo de bancos de leites, ou uso de fórmulas.
Quando houver dúvidas, além da sorologia para HTLV-I/II, geralmente solicita-se sorologia para agentes que, potencialmente, apresentam rotas similares de transmissão como o vírus da hepatite B, vírus da hepatite C, HIV e sífilis. Os exames de sangue solicitados são: hemograma completo, contagem de linfócitos T CD4/CD8, cultura de linfócitos, protoparasitológico, Glicemia e DHL.