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“O sucesso do tratamento de fertilização assistida não se restringe ao teste de gravidez positivo. Muito mais que isso, é a garantia de que a mãe e o bebê permanecerão saudáveis desde o início dos procedimentos até o nascimento da criança. Afinal, de nada adianta alcançar rapidamente a gravidez única, gemelar ou até mesmo tripla, se o tratamento e a gravidez provocarem complicações que levem ao comprometimento da saúde do bebê e da mãe durante o tratamento a que estiver sendo submetida”
Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Uma grata surpresa: contrariando o esperado, mulher congela óvulos aos 46 anos e é mãe aos 50

1 de julho de 2015
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Uma grata surpresa: contrariando o esperado, mulher congela óvulos aos 46 anos e é mãe aos 50

Já é sabido que mulheres não fazem novos óvulos após o nascimento e que a reserva ovariana decresce com a idade. Para algumas, a fertilidade já começa a diminuir a partir dos 30 anos. O grau de declínio varia de mulher para mulher, mas este envelhecimento começa após os 35 anos e permanece de forma contínua até a menopausa. Muitas delas se afligem frente a esta realidade. O que sempre enfatizo é que o congelamento de óvulos é uma saída que pode minimizar esta angústia. Sempre lembrando que o ideal é que seja feito antes dos 35 anos.

Porém, surpresas sempre podem acontecer, inclusive conosco, que somos médicos e achamos que já vimos de tudo. A equipe do IPGO apresentou em abril deste ano, durante o 6º Congresso Internacional IVI, na Espanha, um dos mais importantes da área de reprodução humana, um caso inédito.

Trata-se de uma mulher que veio à clínica do IPGO em maio de 2010, aos 46 anos, e que após pesquisar suas opções, escolheu congelar seus óvulos. Apesar da procura por esse procedimento não ocorrer nessa faixa etária, pois a premissa é que os resultados serão negativos, ela estava decidida. Como médico, fui bem franco e disse que suas chances eram praticamente nulas, que não havia casos semelhantes que obtiveram sucesso, mas ela insistiu. Percebi que estava bem consciente de sua escolha e resolvi atender seu pedido.

Ela me disse que optou por adiar o tratamento porque em alguns anos se aposentaria e sua intenção era ela própria cuidar dos filhos e não uma babá. Assim, postergou seu sonho por mais quatro anos. O protocolo para a estimulação ovariana foi seguido e, em julho de 2014, quando ela estava com 50 anos de idade, me procurou decidida a iniciar a preparação do endométrio para tentar a transferência de embriões. No décimo dia de estimulação, o endométrio atingiu 10,8 mm e os ovócitos foram descongelados. Neste dia, os espermatozoides foram obtidos por aspiração percutânea, pois seu marido havia feito vasectomia.

Três embriões foram formados e transferidos. Dias depois, um ultrassom mostrava um embrião com batimentos cardíacos. A gestação teve desenvolvimento fetal normal e sem complicações clínicas. Dia nove de abril deste ano, às vésperas de completar 51 anos, a paciente deu à luz uma menina. A criança nasceu de cesárea, pesando quase quatro quilos e medindo 50 cm. Três dias depois, mãe e filha estavam ótimas, tiveram alta e foram para casa.

Após essa experiência, a conclusão a que chegamos é que a vida está sempre nos surpreendendo. Apesar da maioria dos resultados de congelamento de óvulos depois de certa idade ser negativo, a preservação da fertilidade pode, sim, ser oferecida a mulheres em idade avançada. No entanto, ela deve ser informada sobre suas chances reduzidas de sucesso e é fundamental realizar uma avaliação clínica detalhada para garantir a segurança da gravidez.

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