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ZIKA VÍRUS E UMA VISÃO DETERMINADA: NÃO SUCUMBIR FRENTE AO INIMIGO – A SUPERAÇÃO PELA BUSCA DE UM BEBÊ SAUD

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Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

 

A infecção pelo zika vírus tem causado uma grande preocupação para todos, principalmente entre as mulheres grávidas e os casais que desejam engravidar. Não é para menos, quando nos deparamos com as notícias ainda pouco esclarecedoras que se espalham pelo país.

Entretanto, não devemos esquecer que a vida é feita de vários momentos de superação e, por isso, devemos refletir se o sentimento de medo não deve ser substituído por atitudes que minimizem esta tentativa de, talvez, conturbar a vida reprodutiva das mulheres e casais.

Penso: será correto ou realmente necessário curvar-se frente a este inimigo microscópico, praticamente oculto, mas agressivo aos bebês ainda dentro do útero e adiar a gravidez por não sei quanto tempo? A resposta é discutível e exige reflexões.

O mundo já passou por grandes epidemias ao longo da história: bactérias, vírus e outros micro-organismos que causaram estragos tão grandes à humanidade quanto as mais terríveis guerras, terremotos e erupções de vulcões. Já tivemos Peste Negra, Cólera, Tuberculose, Varíola, Gripe Espanhola, Tifo, Febre Amarela, Sarampo, Malária e AIDS. Lutamos e sobrevivemos!

A vida continuou, continua e estamos aqui!

Lembro ainda que, diariamente, enfrentamos situações de alto risco com desfechos fatais e nem por isso deixamos de realizá-las. No Brasil, ao sairmos na rua para caminharmos, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), corremos o risco de morrer atropelados na proporção de 3,4 mortes por 100.000 habitantes, superior a cidades como Los Angeles e Chicago, que são pouco superiores a 2,0, e de Manchester e da Grande Londres, que se encontram pouco abaixo de 2,0.
O Brasil é o 4º pais em mortes no trânsito, cerca de 45.000 por ano. Assim, nossa chance de morrer em um desastre de automóvel é de 1 em 650 e nem por isso deixamos de sair de automóvel. Podemos morrer a pé, atropelado ou em acidente de automóvel. O melhor é NÃO PENSAR NESTAS COISAS, e ir em frente.

A ORDEM É: PREVINA-SE

Veja no quadro abaixo outros acontecimentos habituais que podem ter um final trágico e que enfrentamos cotidianamente.

quadro 1

 

Prevenir é a solução

Não existe vacina. A melhor maneira de se prevenir a doença e evitar o contato com o mosquito é combater os focos, que são típicos de regiões urbanas de clima tropical. As mulheres que já estão grávidas e as que não puderem adiar a gravidez, principalmente aquelas com idade mais avançada, precisam redobrar os cuidados. Devem estar atentas até aos sintomas mais leves e procurar imediatamente seu médico ou uma unidade de saúde. Todo cuidado é pouco.

Os mosquitos atacam pela manhã e ao entardecer, especialmente durante o calor e a chuva. Por isso é bom fechar a janelas nesses períodos e usar telas (mosquiteiros com inseticida). De preferência vestir roupas claras e que cubram o corpo, calças compridas e mangas longas. Evitar também roupas coloridas que chamem atenção. Não usar perfumes, sabonetes e cremes hidratantes muito fortes que atraiam os mosquitos.

Usar repelentes

O repelente mais recomendado para gestante é a base de Icaridina (presente no repelente Exposis), substância mais duradoura e eficaz. Em concentração de 10% tem duração de 4 a 5 horas e em concentração de 20% , na apresentaçao gel, dura até 10 horas. A melhor forma de usar este produto é: aplicar a forma gel sobre a pele e o spray sobre a roupa.

Outra opção de repelente com eficácia se chama DEET- dietil toluamida. Trata-se de um repelente desenvolvido para o exército dos EUA, em 1946. Desde os anos 50 que se encontra à venda para a população em geral. Portanto, é um repelente com mais de 50 anos de uso e experiência. No Brasil, as principais marcas de repelentes apresentam o DEET em sua fórmula são Autan, Off e Repelex.
Dos repelentes naturais, a citronela também tem ação repelente, mas por ser de curta duração, deve ser reaplicada várias vezes sendo menos eficaz.

Ë bom lembrar que o repelente deve ser usado nas áreas expostas da pele, e não por baixo da roupa, pois o suor aumenta a absorção do produto.

Deve-se ter a preocupação em evitar a proliferação do mosquito em casa. Não deixe nenhum excesso e acúmulo de água em vasos, garrafas, banheira, baldes e pneus, isso se torna um criadouro natural de mosquitos.

E lembre-se: não deixe água limpa se acumular em sua casa ou quintal. Isso inclui vasos de plantas, móveis e enfeites em áreas externas. Fique de olho em poças d’água que se formam após a chuva.

Algumas dicas para o uso de repelentes:

SEMPRE leia o rótulo e instruções de uso do produto;
NUNCA deixe que crianças pequenas apliquem o produto sozinhas;
NÃO use repelente em área do corpo coberta por roupa;
APLIQUE o repelente nas áreas descobertas: braços, pernas, atrás das orelhas e no pescoço. Reaplique até 3 vezes no dia;
USE uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Colocar mais repelente não aumenta sua potência ou tempo de ação:
NÃO USE repelente em área onde a pele esteja irritada, com algum ferimento ou corte;
NÃO PASSE o repelente nas mãos das crianças menores para evitar que esfreguem repelente nos olhos ou coloquem na boca.

E os tratamentos de fertilização? Qual a opinião do IPGO?

Embora as autoridades tenham recomendado evitar a gravidez, cada caso deve ser individualizado e discutido. Um ponto da maior importância que deve ser levado em consideração é a idade da futura mãe. Para mulheres acima de 35 anos, adiar por um ou dois anos as tentativas para engravidar pode significar reduzir, em muito, as chances de uma gestação. Deve ser levado em consideração o local em que vive a mulher e a sua capacidade e condições de evitar a proximidade com o mosquito bem como o discernimento para aplicar em si as medidas preventivas. Uma possibilidade para os casais temerosos com a doença ou que temem pela perda da sua capacidade reprodutiva, é o congelamento de óvulos ou embriões, considerados procedimentos seguros, eficazes e ótimas alternativas nesta situação.

MICROCEFALIA

O número de ocorrências de microcefalia relacionada à infecção pelo zika vírus, segundo o Ministério da Saúde, já ultrapassa mil casos e tem deixado gestantes e mulheres que querem engravidar apreensivas. Muito mais aquelas que já se encontram em uma idade avançada e correm contra o tempo e o seu relógio biológico.
Já é informação bem divulgada pelos meios de comunicação que esse vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue, da febre amarela e da febre chikungunya. Recentemente, porém, foi constatada também a transmissão por transfusão de sangue, por via sexual e da mãe para feto .
O tempo de incubação é de 3 a 12 dias. As manifestações clínicas do zika e da dengue são, inclusive, parecidas: febre de 38 graus, dores no corpo e nas articulações, cansaço, cefaleia, vermelhidão no corpo, náuseas vômitos e diarreia. Também pode causar inflamações nos pés e nas mãos, conjuntivite e edemas nos membros inferiores. Ao notar esses sintomas a gestante deve procurar imediatamente seu médico.
O tratamento para do zika vírus , assim como para a dengue, visa o alívio dos sintomas fazendo-se uso de antitérmicos e analgésicos sem ácido acetilsalicílico (pelo risco de sangramento), além de manter-se hidratado, bebendo bastante líquido e logo procurar orientações de um clínico geral.
Uma outra complicação importante pelo zika vírus (além da microcefalia) é o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré, que causa paralisia e, se não tratada, pode deixar o paciente sem andar e respirar.
Porém, a microcefalia é o problema mais temido entre as gestantes e os casais que desejam engravidar. A microcefalia é uma malformação em que o cérebro do feto não cresce adequadamente. Para as gestantes, mulheres que estão pensando em engravidar e aquelas em programação de tratamento de infertilidade, o importante para se tranquilizar é a prevenção.

*Sobre Arnaldo Cambiaghi

Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva, trilha sua carreira auxiliando casais na busca por um filho e durante toda a gestação. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. O especialista além de autor de diversos livros na área médica como Fertilidade Natural, Grávida Feliz, Obstetra Feliz, Fertilização um ato de amor, e Os Tratamentos de Fertilização e As Religiões, Fertilidade e Alimentação, todos pela Editora LaVida Press e Manual da Gestante, pela Editora Madras. Criou também os sites: www.ipgo.com.br; www.fertilidadedohomem.com.br; www.fertilidadenatural.com.br, onde esclarece dúvidas e passa informações sobre a saúde feminina, especialmente sobre infertilidade. Apresenta seu trabalho em congressos no exterior, o que confere a ele um reconhecimento internacional.

 

Informações à imprensa:
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Jornalista responsável: Cármen Guaresemin

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